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Greve de empresa terceirizada expõe precarização no setor elétrico da Grande Florianópolis

A greve da SETUP, empresa terceirizada responsável por parte dos serviços da Celesc na Grande Florianópolis, entrou em vigor por tempo indeterminado e já provoca redução no atendimento prestado pela companhia elétrica na região. O movimento, iniciado nesta semana, conta com apoio do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Energia Elétrica do Sul do Brasil (Sinergia) e reúne reivindicações ligadas a salários, segurança e condições de trabalho.

Segundo os trabalhadores, a paralisação busca chamar atenção para problemas estruturais enfrentados pelos profissionais que atuam na construção, manutenção e operação de redes elétricas.

REIVINDICAÇÕES ENVOLVEM SALÁRIOS E SEGURANÇA

Entre as principais demandas apresentadas pelos funcionários estão a adoção do piso regional dos eletricitários, a negociação coletiva com uma entidade representativa da categoria, o cumprimento das normas de segurança e a garantia dos direitos previstos na legislação trabalhista.

Os trabalhadores também pedem mudanças no modelo de gestão baseado em metas e cobranças por produtividade, que, segundo eles, compromete a execução segura das atividades.

De acordo com informações divulgadas pelo Sinergia, os eletricistas da empresa recebem atualmente R$ 1.977,73, valor inferior ao piso regional da categoria, fixado em R$ 2.899.

GREVE DA SETUP TRAZ RELATOS DE PRESSÃO E RISCOS

Durante a mobilização realizada em frente à empresa, trabalhadores ouvidos sob condição de anonimato relataram dificuldades para conciliar os procedimentos de segurança com as metas exigidas pela companhia.

Um dos profissionais afirmou:

“é impossível fazer as atividades laborais da forma correta, utilizando EPIs, sinalizando tudo como manda a norma, no tempo em que a empresa exige. Não temos como desempenhar as atividades de forma segura cumprindo a pressão que a empresa nos impõe. Ou fazemos no tempo que ela quer, ou fazemos de forma segura”.

Outro trabalhador destacou problemas relacionados à prevenção de acidentes.

“A empresa apresentou para a Celesc um técnico de segurança e logo em seguida ele saiu da função. CIPA não temos há pelo menos dois anos, lembrando que atuamos numa atividade extremamente periculosa, com risco a vida”.

O mesmo funcionário acrescentou:

“A nossa sorte é que todos aqui trabalham bem, são competentes no que fazem. Mas desanima e preocupa ver esse descaso com a nossa segurança e os salários que nos pagam, muito abaixo da média”.

DENÚNCIAS INCLUEM RECUSA DE ATESTADOS MÉDICOS

Outra reclamação apresentada pelos trabalhadores diz respeito ao tratamento dado aos afastamentos médicos.

“Já faz algum tempo que eles não aceitam diversos atestados médicos. O trabalhador é descontado. O clima de insatisfação é geral. Muitos colegas nossos foram demitidos ou pediram demissão, processaram a empresa e ganharam na Justiça”, relatou um funcionário.

CONTRATO COM A CELESC SUPERA R$ 21 MILHÕES

A SETUP mantém contrato com a Celesc para execução de serviços ligados à rede elétrica. Em março deste ano, foi firmado um acordo de aproximadamente R$ 21,3 milhões, com duração prevista de 36 meses.

Diante das denúncias apresentadas pelos trabalhadores, o Sinergia informou que protocolou um ofício junto à Celesc solicitando providências sobre as condições em que os serviços estão sendo realizados.

Além disso, a entidade sindical encaminhou pedido de mediação ao Ministério Público do Trabalho, buscando abrir negociações e garantir melhores condições aos funcionários.

TERCEIRIZAÇÃO NO SETOR ELÉTRICO VOLTA AO CENTRO DO DEBATE

Para o sindicato, a paralisação evidencia problemas recorrentes enfrentados por trabalhadores terceirizados do setor elétrico. Segundo a entidade, profissionais que executam atividades consideradas essenciais e de alto risco convivem com remuneração menor e menos proteção em comparação aos empregados diretos.

A greve na Grande Florianópolis ocorre em meio às cobranças por valorização profissional e por melhorias nas condições de segurança, consideradas fundamentais para uma atividade que atende diariamente milhares de consumidores catarinenses.

Até o momento, não havia sido divulgada uma posição oficial da SETUP sobre as reivindicações apresentadas pelos trabalhadores.

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Adriana Dias

Jornalista apaixonada por contar histórias e dar voz a diferentes realidades, com interesse em cultura e temas sociais. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação e sonha com um mundo mais justo e empático.

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