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Diante do PL da Devastação, nosso jornalismo tem voz e posição: “a favor da vida”

Como jornalista e diretora-chefe do Conecta SC, eu tenho um compromisso inegociável com o jornalismo ético, responsável e baseado em fatos. E esse compromisso exige clareza: não existe neutralidade possível diante da derrubada dos vetos ao PL do Licenciamento Ambiental, conhecido em todo o país como PL da Devastação.

Neutralidade, nesse caso, significaria compactuar com um ataque direto à natureza, aos povos tradicionais e ao futuro do Brasil. Significaria fingir que não vemos o desmonte das salvaguardas socioambientais em um país que já enfrenta eventos extremos, enchentes, secas, queimadas, crises hídricas e um colapso climático que se expressa com cada vez mais violência.

E mais: seria ignorar que o Brasil acabou de sediar a COP-30, em Belém, apresentando-se ao mundo como líder climático, defensor da Amazônia e das soluções baseadas na natureza. Pouco tempo depois, o Congresso Nacional optou por derrubar 56 dos 63 vetos presidenciais que protegiam justamente aquilo que dizemos defender: as florestas, os rios, os biomas, os povos e as políticas de prevenção a novas tragédias.

A contradição é tão profunda que parece quase um recado: o discurso para fora é verde, mas a prática interna segue moldada pelas pressões econômicas de sempre.

A sociedade civil percebeu imediatamente essa incoerência. O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia alertou que a decisão coloca em risco a vida de milhões de pessoas. A REPAM-Brasil lembrou que os territórios tradicionais ficam ainda mais vulneráveis à expansão de atividades de alto impacto. A Conservação Internacional apontou que o país arrisca sua segurança hídrica, alimentar e climática. O Observatório do Clima chamou a nova lei de inconstitucional, afirmando que ela expõe a população ao perigo e reduz drasticamente o alcance do licenciamento ambiental.

Todas essas vozes ecoam a mesma preocupação: o Brasil, ao desmontar suas salvaguardas, caminha na direção contrária de tudo o que o mundo pediu e esperou de nós na COP-30.

Não é exagero dizer que, com essa decisão, o Congresso abriu caminho para um modelo de licenciamento que facilita danos ambientais irreversíveis. Empreendimentos de médio impacto poderão avançar com análises superficiais. Estados e municípios terão mais autonomia para flexibilizar o que deveria ser rigor técnico e científico. Povos indígenas e comunidades tradicionais poderão ver projetos avançando sem consulta, mesmo em territórios vulneráveis, não titulados ou sob disputa.

Essa não é só uma decisão legislativa é uma escolha moral sobre que país queremos construir.

E diante disso, eu afirmo com toda responsabilidade jornalística: não existe neutralidade possível. A falsa ideia de que “há dois lados” sobre permitir ou não destruir a base da vida só serve aos que lucram com essa destruição. O papel do jornalismo responsável não é suavizar a realidade, é iluminá-la. E a realidade é que a derrubada dos vetos ao PL da Devastação enfraquece o Brasil, fragiliza nossas proteções, ameaça territórios e compromete nosso compromisso climático internacional.

O que está acontecendo agora requer posicionamento claro. Requer coragem de nomear os retrocessos. Requer compromisso com a vida, com os povos, com a ciência e com o futuro.

Aqui no ConectaSC, assumimos essa responsabilidade. Estamos ao lado da floresta em pé, da água limpa, das comunidades tradicionais, das crianças que herdarão este planeta. Estamos ao lado do Brasil que acredita em justiça climática e socioambiental.

Neutralidade diante do PL da Devastação não é opção. Escolhemos ficar do lado da vida.

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Francine Canto Boico

Francine Canto Boico é jornalista multimídia com mais de 20 anos de experiência profissional na área de comunicação, educação e cultura. Pós-graduada em Jornalismo Digital e mestre em Educação, Comunicação e Tecnologia pela UDESC, é diretora e editora-chefe do Conecta SC.

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