O Congresso Nacional derrubou, nesta quinta-feira (30), o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao PL da Dosimetria, proposta que altera o cálculo de penas para crimes contra o Estado Democrático de Direito. A decisão abre caminho para a promulgação da medida, que pode beneficiar condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
A votação ocorreu em sessão conjunta e teve ampla maioria nas duas Casas. No Senado, 49 parlamentares votaram pela derrubada do veto, enquanto 24 foram contrários. Já na Câmara, 318 deputados apoiaram a medida, contra 144 votos contrários e cinco abstenções.
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PL DA DOSIMETRIA AVANÇA APÓS ARTICULAÇÃO NO CONGRESSO
Antes da análise, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, decidiu fatiar o texto, retirando trechos que poderiam beneficiar condenados por crimes comuns. A estratégia manteve apenas os pontos relacionados aos crimes contra a ordem democrática.
O PL 2.162/2023 foi colocado como pauta prioritária da sessão, sendo votado antes de mais de 50 vetos presidenciais ainda pendentes de análise.
Durante a sessão, o líder do governo na Câmara, Pedro Uczai, tentou barrar a votação ao alegar que outros vetos deveriam ter prioridade. O pedido foi rejeitado.
“Nós estamos votando o tema da democracia e, portanto, o futuro de novas aventuras golpistas se derrubar este veto, uma vez que está defendendo um grupo determinado, que é o de Jair Bolsonaro, e os generais golpistas que tentaram implantar golpe no país”, disse a liderança governista.
Uczai também reforçou o caráter institucional da discussão:
“Não é esquerda ou direita. É se nós queremos democracia ou golpe ou ditadura, autoritarismo no Brasil. Liberdade, democracia, sim, ditadura nunca mais.”
DEFESA DO PROJETO APONTA QUESTIONAMENTOS SOBRE JULGAMENTOS
A derrubada do veto foi defendida pelo relator do projeto, o senador Espiridião Amin. Segundo ele, a proposta busca corrigir distorções no julgamento dos envolvidos na tentativa de golpe.
“Eu quero, em primeiro lugar, dizer a todos os congressistas que estão aqui que este é um dia que pode permitir que se galgue ou se supere o primeiro degrau para a justiça e para a harmonia política no Brasil”, afirmou.
ENTENDA O QUE MUDA COM O PL DA DOSIMETRIA
O PL da Dosimetria altera a forma como penas são calculadas em casos de crimes cometidos no mesmo contexto. Pela nova regra, quando houver tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito simultaneamente, será aplicada apenas a pena mais grave — e não a soma das duas.
A proposta redefine parâmetros mínimos e máximos das penas, além de ajustar critérios utilizados pelos juízes na dosimetria.
Na prática, a mudança pode reduzir o tempo de prisão de condenados pelos atos de 8 de janeiro, incluindo nomes investigados ou denunciados no contexto da tentativa de ruptura institucional, como o ex-presidente Jair Bolsonaro e ex-integrantes do alto comando militar e do governo.
POR QUE O VETO FOI DERRUBADO
O veto presidencial havia sido justificado com base em argumentos jurídicos e institucionais. O Palácio do Planalto avaliou que o projeto seria inconstitucional e poderia estimular crimes contra a democracia.
Segundo a justificativa oficial, a proposta representaria um retrocesso:
“[O PL] daria o condão de aumentar a incidência de crimes contra a ordem democrática e indicaria retrocesso no processo histórico de redemocratização que originou a Nova República”.
Com a derrubada do veto, o texto segue agora para promulgação e passa a ter validade legal após publicação oficial.
IMPACTO POLÍTICO E JURÍDICO DA DECISÃO
A aprovação do PL da Dosimetria ocorre em um contexto de forte polarização política e debate sobre responsabilização dos envolvidos nos atos antidemocráticos de 2023.
Especialistas avaliam que a mudança pode gerar efeitos diretos em processos já em andamento e revisões de penas aplicadas, além de influenciar futuras decisões judiciais em casos semelhantes.
A medida também reforça o protagonismo do Congresso Nacional em temas sensíveis relacionados à democracia, sistema penal e equilíbrio entre os Poderes.
Com informações de Agência Brasil





