Prefeito de Balneário Piçarras é preso em operação que apura corrupção e lavagem de dinheiro em SC
O prefeito de Balneário Piçarras, Tiago Maciel Baltt (MDB), foi preso preventivamente na manhã desta terça-feira, 19, em uma operação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) que investiga um suposto esquema de corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro em contratos de obras públicas.
Segundo o MPSC, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 37 mandados de busca e apreensão em residências, empresas e órgãos públicos. Além do prefeito, empresários, servidores e ex-servidores públicos também são alvos das medidas judiciais autorizadas pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina.
Em nota oficial, a prefeitura afirma que a posição é de “total colaboração” com a Operação Regalo e com os órgãos responsáveis pela investigação.
Diz ainda que, assim que houver novas informações confirmadas, vai se manifestar pelos canais oficiais, destacando que o caso corre em sigilo e por isso não entra em detalhes sobre a prisão do prefeito Tiago Baltt.
Conteúdos
Operação Regalo mira propina em obras públicas em Balneário Piçarras e São João Batista
As investigações tiveram início em 2024 e apontam a existência de uma organização criminosa formada por agentes políticos, servidores públicos e empresários.
De acordo com o MPSC, o grupo atuaria principalmente em contratos de obras de urbanização e serviços na Orla Norte de Balneário Piçarras, além de contratos no município de São João Batista.
A suspeita é de cobrança de propina equivalente a cerca de 3% do valor de determinados contratos públicos em Balneário Piçarras, com percentuais variados em São João Batista.
Só no Litoral Norte, o MPSC estima que as vantagens indevidas identificadas até o momento ultrapassam R$ 485 mil, valor que teria sido pago com recursos públicos desviados.
A Justiça determinou o bloqueio de valores apontados como oriundos de propina para eventual devolução aos cofres públicos. Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos veículos, dinheiro em espécie, notebooks, celulares, mídias de armazenamento, documentos e uma arma de fogo.
Mandados em 10 cidades de Santa Catarina e em Mato Grosso
As diligências da Operação Regalo se espalharam por diferentes regiões do estado.
Foram cumpridos mandados em Timbó, Biguaçu, Balneário Piçarras, São João Batista, Tijucas, Indaial, Itapema, Itajaí, Porto Belo e Bombinhas, além de Colíder, no Mato Grosso.
Ao todo, 124 agentes participaram da ofensiva, incluindo policiais civis, militares e penais, além de integrantes de órgãos de fiscalização e da Polícia Científica. Membros dos Ministérios Públicos do Distrito Federal e de Mato Grosso auxiliaram no cumprimento das ordens fora de Santa Catarina.
A nota da Prefeitura de São João Batista enfatiza que os mandados de busca e apreensão se referem a processos e contratos da gestão anterior (2021–2024).
A administração atual afirma que colabora integralmente com as autoridades, que não comentará detalhes em razão do sigilo judicial e reforça compromisso com transparência e correta aplicação dos recursos públicos.
Quem é Tiago Baltt, prefeito de Balneário Piçarras
Tiago Maciel Baltt é filiado ao MDB e comanda a prefeitura de Balneário Piçarras, no Litoral Norte catarinense. Ele foi eleito na esteira do crescimento turístico do município, que tem obras de urbanização e requalificação da orla entre as principais vitrines da gestão.
Na operação desta terça-feira, Baltt foi apontado pelo MPSC como um dos líderes do núcleo político envolvido na suposta organização criminosa. A prisão do prefeito é preventiva, e o processo tramita em sigilo judicial, o que limita a divulgação de detalhes sobre o conteúdo das provas reunidas até agora.
SC chega a 30 prefeitos presos desde 2020
Com a prisão de Tiago Baltt, Santa Catarina atinge a marca de 30 prefeitos presos desde 2020. O número corresponde a cerca de 10% dos 295 municípios catarinenses, o que significa que aproximadamente um em cada dez prefeitos já foi alvo de prisão em operações policiais no período.
Essas prisões estão ligadas a diferentes investigações, como as operações Mensageiro, Fundraising, Caronte, Travessia, Terra Nostra e Coleta Seletiva, entre outras. A maioria dos casos envolve suspeitas de corrupção, fraude à licitação, desvio de recursos públicos e irregularidades em contratos de coleta de lixo e obras de infraestrutura.
Próximos passos da investigação
A Operação Regalo segue em andamento com foco na análise do material apreendido e no rastreamento dos fluxos financeiros ligados aos contratos investigados.
O MPSC afirma que há indícios de atuação estruturada da organização criminosa, com divisão de tarefas entre um núcleo empresarial e um núcleo político-administrativo.Os investigadores apuram a possibilidade de que o esquema tenha se estendido para outros contratos além daqueles já identificados em Balneário Piçarras e São João Batista.
Como o inquérito corre sob sigilo, o Ministério Público não detalhou prazos nem eventuais novos alvos, mas indicou que a prioridade é garantir a preservação de provas e o ressarcimento dos cofres públicos.





