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Beto Carrero World adota escala 4×2 e projeta expansão com mais funcionários

Beto Carrero World adota escala 4×2 e amplia debate sobre jornadas de trabalho no Brasil

O Beto Carrero World começou a implementar gradualmente, desde 2024, a escala de trabalho 4×2, modelo em que o funcionário trabalha quatro dias consecutivos e folga dois. A mudança ocorre em meio à dificuldade de contratação de profissionais qualificados e à pressão crescente por melhores condições de trabalho no país.

Segundo reportagem da Exame, a empresa afirma que a adoção do novo sistema elevou os custos da folha de pagamento entre 25% e 35%, além de exigir a contratação de mais funcionários para manter a operação. Ainda assim, o parque diz já perceber redução na rotatividade, melhora no atendimento e menos reclamações de clientes.

O tema ganhou repercussão nacional porque o debate sobre jornadas de trabalho está cada vez mais presente no Brasil, especialmente em torno do possível fim da escala 6×1.

COMO FUNCIONAM AS ESCALAS 6X1, 5X2 E 4X2

Na escala 6×1, bastante comum em comércio, supermercados, turismo e serviços, o trabalhador atua durante seis dias seguidos e tem apenas um dia de descanso. Na prática, muitos profissionais acabam tendo pouco tempo para lazer, convivência familiar e recuperação física.

Já a escala 5×2, considerada a mais tradicional em escritórios e setores administrativos, prevê cinco dias de trabalho e dois de folga, normalmente aos sábados e domingos. Defensores desse modelo afirmam que ele oferece melhor equilíbrio entre produtividade e qualidade de vida.

A escala 4×2, adotada pelo Beto Carrero World, reduz ainda mais a sequência de trabalho: são quatro dias trabalhados para dois de descanso. Apesar de ampliar o tempo livre do trabalhador, esse formato costuma exigir mais contratações e reorganização operacional, especialmente em empresas que funcionam diariamente.

O debate ganhou força nacional nos últimos meses após manifestações políticas e mobilizações nas redes sociais em defesa do fim da escala 6×1. Pesquisa divulgada pela Agência Brasil mostrou que 73% dos brasileiros apoiam o fim desse modelo, desde que não haja redução salarial.

O governo federal também intensificou o tema recentemente ao lançar campanha pública em defesa do fim da jornada 6×1, argumentando que a mudança pode melhorar qualidade de vida, convivência familiar e saúde mental dos trabalhadores.

Ao mesmo tempo, setores empresariais demonstram preocupação com impactos financeiros e possíveis reflexos sobre contratação de mão de obra, inflação e custos operacionais.

Mas especialistas em relações de trabalho, sindicatos e defensores de jornadas mais equilibradas afirmam que a 4×2 ainda não resolve totalmente o problema. Isso porque os dias de folga continuam “girando” ao longo da semana, dificultando a criação de uma rotina fixa para convivência familiar, estudos, lazer e descanso regular.

Além disso, muitos trabalhadores seguem sem finais de semana livres frequentes, especialmente em setores que funcionam diariamente, como turismo, comércio e serviços.

Dentro desse debate, a escala 5×2 aparece para muitos especialistas, sindicatos e movimentos trabalhistas como um modelo mais sustentável a longo prazo, por combinar dois dias fixos de descanso com uma rotina considerada mais previsível e socialmente equilibrada.

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Adriana Dias

Jornalista apaixonada por contar histórias e dar voz a diferentes realidades, com interesse em cultura e temas sociais. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação e sonha com um mundo mais justo e empático.

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