Santa Catarina presta homenagem aos 125 anos de nascimento de Antonieta de Barros, primeira mulher negra eleita deputada estadual no Brasil, com uma exposição aberta ao público na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), em Florianópolis. A mostra permanece disponível até o fim do mês e reúne obras de artistas e produções de estudantes que destacam a trajetória da educadora, escritora, jornalista e referência na luta pela igualdade e pelo acesso à educação.
A programação integra as comemorações pelo aniversário de Antonieta, celebrado neste mês, e oferece ao público a oportunidade de conhecer mais sobre sua contribuição para a história catarinense e brasileira por meio da arte, da memória e da educação.
EXPOSIÇÃO REÚNE OBRAS DE ARTISTAS E TRABALHOS DE ESTUDANTES
Instalada na Galeria Ernesto Meyer Filho, na sede da Alesc, a exposição apresenta pinturas inspiradas em Antonieta de Barros, além de cartazes produzidos por estudantes de escolas catarinenses durante o ciclo “Escrevivências”. A iniciativa convida crianças, adolescentes e adultos a refletirem sobre a importância da educadora e de seu legado para a sociedade.
Também integra a mostra uma fotografia histórica de Antonieta restaurada pelo Centro de Memória da Alesc. A imagem, uma foto-pintura sobre papel de autoria desconhecida, faz parte do acervo preservado pelo Legislativo catarinense.
A realização é da Associação de Educadores Negros de Santa Catarina (Aensc) e da Associação de Mulheres Negras Antonieta de Barros (Amab), que promovem a exposição desde 2023 como forma de ampliar o conhecimento sobre sua história.
QUEM FOI ANTONIETA DE BARROS
Nascida em 1901, apenas 13 anos após a abolição da escravidão no Brasil, Antonieta de Barros construiu uma trajetória marcada pelo pioneirismo. Tornou-se professora ainda jovem e também atuou como escritora e jornalista, criando o jornal “A Semana” e a revista “Vida Ilhoa”.
Sob o pseudônimo Maria da Ilha, utilizou a imprensa para defender o acesso à educação, combater desigualdades e incentivar a participação da população na vida cultural da cidade.
Em 1934, entrou para a história ao ser eleita a primeira mulher negra deputada estadual do país. No ano seguinte, participou da Assembleia Constituinte catarinense como relatora dos capítulos dedicados à educação e à cultura, defendendo políticas públicas voltadas à ampliação do acesso ao ensino.
LEGADO PERMANECE PRESENTE EM FLORIANÓPOLIS
A influência de Antonieta de Barros permanece visível em diferentes espaços da capital catarinense. Seu nome identifica o complexo de túneis que liga diferentes regiões de Florianópolis, o auditório da Assembleia Legislativa e diversas vias públicas e instituições de ensino.
Sua memória também está representada por um busto no Palácio Barriga Verde e por um mural localizado no Centro de Florianópolis. Além disso, integrantes do movimento negro trabalham pela recuperação do prédio onde funcionou a escola em que Antonieta lecionou, com o objetivo de transformá-lo em um espaço de valorização da cultura e da memória.
ESTUDANTES DESTACAM O IMPACTO DE SUA HISTÓRIA
Os trabalhos apresentados na exposição revelam como diferentes gerações compreendem a importância de Antonieta de Barros. Estudantes de escolas catarinenses retratam sua trajetória por meio de desenhos, textos e cartazes que ressaltam valores como perseverança, igualdade e educação.
Alunos de Içara destacaram sua “determinação e resistência”, afirmando que sua história “inspira gerações”. Em Urubici, estudantes ressaltaram que ela venceu “caminhos pedregosos, cheios de dificuldades”. Já uma turma de São José sintetizou sua mensagem em uma reflexão sobre o futuro: “É preciso sonhar, ser gentil”.
REFERÊNCIA NA EDUCAÇÃO E NA IGUALDADE
Além do pioneirismo na política, Antonieta de Barros teve atuação decisiva em pautas ligadas ao magistério e à educação pública. Entre as propostas que defendeu estão a valorização dos professores, a realização de concursos públicos para o magistério, a criação de bolsas de estudo e a implantação de escolas profissionalizantes.
Seu trabalho contribuiu para ampliar a participação feminina na política e consolidou sua posição como uma das principais personalidades da história de Santa Catarina, mantendo influência sobre debates relacionados à educação, à igualdade racial e aos direitos das mulheres até os dias atuais.
