ONU defende inteligência artificial mais justa, segura e inclusiva
O Diálogo Global da ONU sobre Inteligência Artificial (IA) começou nesta segunda-feira, na Suíça, reunindo representantes de governos, empresas de tecnologia, universidades, sociedade civil e especialistas para discutir a governança da inteligência artificial. De acordo com notícia publicada no portal de notícias da ONU, o encontro busca construir uma agenda internacional capaz de tornar o desenvolvimento da IA mais seguro, ético, inclusivo e acessível para todos os países.
Criado por mandato da Assembleia Geral das Nações Unidas, o diálogo pretende ampliar a participação global na definição das regras que orientarão o avanço da inteligência artificial, reduzindo as desigualdades entre países com maior capacidade tecnológica e aqueles que historicamente tiveram pouca influência sobre esse processo.
Conteúdos
- GOVERNANÇA GLOBAL É O PRINCIPAL TEMA DO DIÁLOGO GLOBAL DA ONU SOBRE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (IA)
- ENCONTRO DISCUTE SEGURANÇA, COOPERAÇÃO E REDUÇÃO DAS DESIGUALDADES
- ONU DESTACA POTENCIAL DA IA PARA ACELERAR O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
- POR QUE O DIÁLOGO FOI CRIADO AGORA
- BRASIL TERÁ PARTICIPAÇÃO EM PAINÉIS SOBRE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
- IA MAIS INCLUSIVA É UM DOS PRINCIPAIS OBJETIVOS DA ONU
GOVERNANÇA GLOBAL É O PRINCIPAL TEMA DO DIÁLOGO GLOBAL DA ONU SOBRE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (IA)
Durante a abertura do encontro, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para a rapidez com que a inteligência artificial está evoluindo e destacou que a humanidade enfrenta uma decisão importante sobre o futuro dessa tecnologia.
Segundo ele, o desafio consiste em definir se as pessoas conseguirão governar a inteligência artificial de maneira coletiva ou se permitirão ser governadas por ela.
Guterres ressaltou que o Diálogo Global representa a primeira iniciativa em que todos os países participam em condições de igualdade das discussões sobre governança da IA. Para o secretário-geral, a meta agora é transformar essa participação em ações concretas capazes de tornar a tecnologia mais segura, justa, ética e acessível.
O objetivo também é garantir que as decisões internacionais sobre inteligência artificial reflitam as necessidades de todas as nações, e não apenas dos países com maior desenvolvimento tecnológico.
ENCONTRO DISCUTE SEGURANÇA, COOPERAÇÃO E REDUÇÃO DAS DESIGUALDADES
A programação reúne representantes de diferentes setores para debater tanto as oportunidades quanto os desafios provocados pela inteligência artificial.
Entre os principais temas estão a redução das desigualdades no acesso às tecnologias de IA, o fortalecimento da cooperação internacional para sua governança e a criação de mecanismos que garantam supervisão humana sobre os sistemas inteligentes.
Os participantes também discutem formas de assegurar que o desenvolvimento e a utilização da inteligência artificial estejam alinhados ao direito internacional, promovendo maior segurança, proteção e respeito aos direitos fundamentais.
ONU DESTACA POTENCIAL DA IA PARA ACELERAR O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
A presidente da Assembleia Geral da ONU, Annalena Baerbock, afirmou que o debate não se limita à regulamentação de uma tecnologia, mas representa uma oportunidade para construir uma visão compartilhada de futuro.
Segundo ela, o desenvolvimento tecnológico deve caminhar lado a lado com a dignidade humana, a equidade e o desenvolvimento sustentável.
Baerbock destacou que uma inteligência artificial desenvolvida de forma responsável poderá acelerar avanços em praticamente todos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, oferecendo novas soluções para áreas como saúde, educação, agricultura, pesquisa científica e preparação para desastres naturais.
Ela também avaliou que a iniciativa demonstra a disposição das Nações Unidas em responder aos desafios mais urgentes da atualidade.
POR QUE O DIÁLOGO FOI CRIADO AGORA
Embora diversos países já tenham aprovado legislações nacionais e normas técnicas voltadas à inteligência artificial, a regulamentação ainda acontece de maneira desigual ao redor do mundo.
Grande parte das regras existentes foi construída por países que concentram os maiores investimentos em IA, enquanto nações mais vulneráveis aos impactos dessa tecnologia tiveram pouca participação nesse processo.
O Diálogo Global pretende reduzir esse desequilíbrio ao garantir igualdade de participação entre todos os governos. Países em desenvolvimento e integrantes do Sul Global passam a integrar diretamente a construção das futuras diretrizes internacionais.
BRASIL TERÁ PARTICIPAÇÃO EM PAINÉIS SOBRE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
O Brasil estará presente em diferentes atividades ao longo da programação.
Nesta terça-feira, Carlos Manuel Baigorri, presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), participa de uma mesa-redonda dedicada aos fundamentos da inteligência artificial. O painel discutirá temas como confiança digital e infraestrutura tecnológica para ampliar o acesso à IA.
Portugal também participa das discussões por meio de Raquel Brízida Castro, vice-presidente do Conselho de Administração da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom).
Na quinta-feira, a liderança indígena brasileira Puyr Tembé participa de um painel voltado à relação entre inteligência artificial, conhecimentos indígenas e sustentabilidade. A proposta é discutir como saberes tradicionais, gestão responsável do clima e tecnologias emergentes podem contribuir para um futuro mais sustentável.
Ainda na quinta-feira, a secretária municipal de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, Tatiana Roque, integra um workshop sobre cidades inteligentes. O encontro apresentará experiências práticas de uso da inteligência artificial na gestão urbana, além de discutir políticas públicas e estratégias para ampliar os benefícios da tecnologia nas comunidades.
IA MAIS INCLUSIVA É UM DOS PRINCIPAIS OBJETIVOS DA ONU
A secretária-geral da União Internacional de Telecomunicações (UIT), Doreen Bogdan-Martin, afirmou que o avanço da inteligência artificial deve ocorrer em conjunto com o fortalecimento da cooperação internacional.
Segundo ela, o Diálogo Global amplia os esforços para construir uma inteligência artificial que beneficie todas as pessoas, especialmente os cerca de 2,2 bilhões de habitantes do planeta que ainda permanecem sem acesso à internet.
Já o diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany, destacou que a diversidade cultural e linguística representa uma das maiores riquezas da humanidade. Para ele, a governança global da inteligência artificial deve assegurar que essa diversidade seja fortalecida, protegendo diferentes culturas, idiomas e formas de conhecimento, ao mesmo tempo em que acompanha o avanço da inovação tecnológica.





