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Primeiros médicos indígenas e quilombolas se formam na UFSC Araranguá 

Primeiros medicos indigenas e quilombolas se formam na UFSC Ararangua

O campus de Araranguá da Universidade Federal de Santa Catarina formou médicos indígenas e quilombolas pela primeira vez, marcando um momento histórico para a universidade e para as políticas de inclusão no ensino superior brasileiro. A formatura ocorreu no dia 3 de julho e reuniu estudantes beneficiados por ações afirmativas que agora passam a integrar o sistema de saúde como profissionais qualificados.

Ao todo, sete formandos representam povos tradicionais: quatro do povo Kaingang, um do povo Macuxi e dois da Comunidade Quilombola Invernada dos Negros, localizada em Campos Novos (SC). Eles colaram grau junto a outros 27 novos médicos formados pelo campus.

Entre os recém-formados estão Vagner de Souza e Isadora Carolune Bitencourt, do Quilombo Invernada dos Negros; Claudemir Moreira Vaz, Guilherme Prezotto, Jessica Flavia de Oliveira e Valter dos Santos, do povo Kaingang; e Marcos Alexandre Malheiros Sales, do povo Macuxi.

Médicos indígenas e quilombolas reforçam políticas de inclusão

A conquista dos novos profissionais é resultado direto das políticas de ações afirmativas e permanência estudantil adotadas pela Universidade Federal de Santa Catarina. Segundo a diretora do Centro de Ciências, Tecnologias e Saúde, Melissa Negro Dellacqua, o avanço vai além do acesso à universidade.

Ela destaca que a formação desses estudantes evidencia a importância de garantir condições reais de permanência ao longo da graduação. “A democratização do ensino superior exige não apenas acesso, mas suporte para que os estudantes concluam sua trajetória acadêmica com sucesso”, afirmou.

Em 2026, a UFSC aprovou a Política de Acesso e Permanência dos Estudantes Indígenas e Quilombolas, construída com participação ativa da comunidade universitária. A medida busca consolidar iniciativas que ampliem a equidade dentro da instituição.

Para a diretora, a formatura dos novos médicos simboliza o impacto concreto dessas políticas públicas. “Esse momento reforça o papel da universidade pública na promoção da inclusão, da equidade e da transformação social”, pontuou.

Representatividade na saúde e superação histórica

A cerimônia contou com a presença de Idjarrury Sompre, diretor do Departamento de Atenção Primária à Saúde Indígena, médico e integrante do povo Kaingang. Em seu discurso, ele destacou o peso histórico da conquista para os povos indígenas.

Segundo Sompre, a formação de médicos indígenas vai além da dimensão acadêmica. “O preço de formar um médico indígena não se mede apenas em anos de estudo ou custos financeiros, mas na superação de séculos de silenciamento e negação de direitos”, afirmou.

Ele ressaltou ainda que os novos profissionais carregam uma dupla formação: o conhecimento técnico da medicina ocidental aliado à sabedoria tradicional de seus povos. Essa combinação pode contribuir para um atendimento mais sensível e culturalmente adequado, especialmente em comunidades indígenas e quilombolas.

A presença desses profissionais no sistema de saúde também representa um avanço na ocupação de espaços estratégicos por populações historicamente marginalizadas. Para Sompre, não é mais possível pensar o Brasil sem a participação indígena em espaços de decisão.

Impacto regional e formação em saúde

O campus da UFSC em Araranguá tem ampliado sua atuação na formação de profissionais de saúde e no desenvolvimento regional. Desde sua criação, já formou 1.371 estudantes de graduação, incluindo 100 médicos.

Além disso, a instituição contabiliza 489 mestres e sete profissionais formados pela Residência Multiprofissional em Saúde da Família, fortalecendo a qualificação da rede pública de saúde.

A formação dos primeiros médicos indígenas e quilombolas se soma a esse histórico e amplia o alcance social da universidade, especialmente em regiões que enfrentam desafios no acesso à saúde.