Terça-feira, 1 Setembro , 2026

Santa Catarina se destaca como o 2º maior polo de empregos em tecnologia do Brasil

por Duda Amaral
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Novos diretores nos polos regionais da ACATE impulsionam a integração da tecnologia em SC

Estado ultrapassou 102 mil trabalhadores formais no setor em 2025, avançou para a segunda posição nacional e ampliou sua participação na economia catarinense

Santa Catarina alcançou em 2025 uma nova posição no cenário nacional da tecnologia. Com 102,2 mil empregos formais no setor, o estado ultrapassou Minas Gerais e passou a ocupar o segundo lugar entre os maiores polos de geração de empregos de tecnologia do Brasil.

O resultado representa um crescimento de 1,8% no número de trabalhadores em relação ao ano anterior, acima da média nacional de 1,5%. Atualmente, Santa Catarina concentra 8,53% de todos os profissionais formalmente empregados no setor tecnológico brasileiro.

Os dados são do Observatório ACATE 2026, levantamento divulgado pela Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE) durante o Startup Summit 2026, realizado entre os dias 26 e 28 de agosto, em Florianópolis.

Além do avanço no mercado de trabalho, o estudo aponta expansão no faturamento e no número de empresas de tecnologia em Santa Catarina. A tecnologia catarinense encerrou 2025 com 34,2 mil empresas e movimentou R$ 47,9 bilhões, consolidando Santa Catarina entre os principais ecossistemas de inovação do país.

SANTA CATARINA TEM MAIS DE 102 MIL EMPREGOS EM TECNOLOGIA

A conquista da segunda colocação nacional é um dos principais destaques do levantamento. Em 2025, o estado chegou a 102,2 mil postos formais de trabalho no segmento, superando Minas Gerais no ranking brasileiro.

A densidade de empregos também coloca Santa Catarina em posição de destaque. São 35 trabalhadores da tecnologia para cada mil vínculos formais ativos, o segundo maior índice do país.

Os salários ajudam a dimensionar a relevância econômica do setor. A remuneração média mensal dos profissionais de tecnologia em Santa Catarina chegou a R$ 6.195, valor duas vezes superior à média registrada no comércio catarinense.

Em uma trajetória de longo prazo, o avanço é ainda mais expressivo. A base de trabalhadores do setor cresceu 380% em 18 anos, saltando de aproximadamente 21 mil empregos em 2007 para mais de 102 mil em 2025.

O desenvolvimento de software é a principal atividade em boa parte do estado. Na Grande Florianópolis, porém, o maior destaque é o segmento de tratamento de dados e serviços de internet, responsável por 44% das vagas ocupadas na região. Já no Norte catarinense, a fabricação de equipamentos concentra 33% dos empregos de tecnologia.

NÚMERO DE EMPRESAS CRESCE 16,4% E SUPERA MÉDIA NACIONAL

Santa Catarina terminou 2025 com 34,2 mil empresas de tecnologia, um crescimento de 16,4% em apenas um ano. O desempenho foi superior à média brasileira, que ficou em 12,4%.

O estado alcançou o sexto maior número de empresas do setor no país e passou a concentrar 5,2% de todos os negócios brasileiros ligados à tecnologia. A expansão proporcional catarinense foi superada apenas por Paraíba, Sergipe e Roraima, estados com menor peso nacional no segmento.

Outro indicador favorável é a quantidade de empresas em relação à população. Santa Catarina registra 4,18 negócios de tecnologia para cada mil habitantes, terceira maior densidade empresarial do Brasil e acima da média nacional de 3,1 empresas por mil habitantes.

A região Sul foi a que apresentou o maior crescimento percentual no estado, com expansão de 22,8% e cerca de 3,6 mil empresas em atividade. Já a Grande Florianópolis mantém a maior concentração do ecossistema, reunindo aproximadamente 11,3 mil empresas, o equivalente a 33,2% do total estadual.

TECNOLOGIA FATURA R$ 47,9 BILHÕES EM SANTA CATARINA

O faturamento do setor tecnológico catarinense atingiu R$ 47,9 bilhões em 2025, com crescimento de 12,7%. A expansão foi quase duas vezes maior do que a média brasileira, de 7,1%.

Com esse desempenho, Santa Catarina ocupa a sexta posição nacional em faturamento e responde por 5,5% dos R$ 870,9 bilhões movimentados pela tecnologia no país.

A distância para o Rio Grande do Sul, quinto colocado no ranking, é pequena: apenas R$ 130 milhões separam os dois estados. No cenário nacional, São Paulo concentra 45% do faturamento, seguido por Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Nos últimos cinco anos, o estado também ganhou participação no mercado brasileiro. Entre 2021 e 2025, Santa Catarina avançou 0,55 ponto percentual na fatia nacional do faturamento tecnológico, ficando atrás apenas do Paraná.

Enquanto isso, polos tradicionais como São Paulo e Rio de Janeiro perderam mais de dois pontos percentuais de participação no mesmo período.

TECNOLOGIA JÁ REPRESENTA 8% DO PIB CATARINENSE

Os R$ 47,9 bilhões movimentados pelo setor passaram a representar 8% do Produto Interno Bruto de Santa Catarina em 2025. A participação aumentou 0,25 ponto percentual em relação ao ano anterior.

Nos últimos cinco anos, a presença da tecnologia no PIB estadual cresceu 17,6%. Santa Catarina lidera a Região Sul nesse indicador e ocupa a terceira colocação nacional.

O crescimento do faturamento tecnológico, de 12,7%, também ficou acima da expansão de 2,3% do PIB brasileiro e da estimativa de crescimento de 3,9% para a economia catarinense.

O faturamento per capita chegou a R$ 5,2 mil, quarto maior valor do país, atrás apenas do Distrito Federal, São Paulo e Amazonas.

Entre 2021 e 2025, o faturamento do setor no estado cresceu 45,5%, passando de R$ 32,9 bilhões para R$ 47,9 bilhões. No mesmo intervalo, o número de empresas aumentou 83,3%, saindo de 18,6 mil para 34,2 mil.

GRANDE FLORIANÓPOLIS LIDERA FATURAMENTO DA TECNOLOGIA

A Grande Florianópolis concentra a maior parcela do faturamento tecnológico catarinense. Em 2025, a região foi responsável por R$ 18,98 bilhões, ou 39,6% de todo o valor movimentado pelo setor no estado.

Florianópolis também aparece como um dos principais destaques nacionais. A tecnologia representa 21% do PIB municipal, a maior participação entre as capitais brasileiras.

O Vale do Itajaí responde por 28% do faturamento estadual, com R$ 13,4 bilhões, enquanto o Norte Catarinense movimentou R$ 8,41 bilhões, equivalentes a 17,6% do total.

Todas as regiões do estado ampliaram o faturamento tecnológico entre 2022 e 2025. O levantamento aponta que o crescimento do Vale do Itajaí e do Norte Catarinense contribuiu para a expansão e a interiorização do ecossistema.

ECOSSISTEMA CATARINENSE GANHA DESTAQUE NACIONAL

Para o presidente da ACATE, Diego Ramos, os resultados refletem uma combinação entre expansão empresarial, geração de empregos e fortalecimento do ambiente de inovação no estado.

“O que diferencia Santa Catarina de outros polos de tecnologia é a combinação de crescimento acelerado com qualidade”, destaca Diego Ramos, Presidente da ACATE. “Temos uma das maiores taxas de crescimento de empresas do país, um faturamento que cresce quase o dobro da média nacional e, agora, a segunda maior geração de empregos. Isso é resultado de um ecossistema que apoia desde a incubação até a internacionalização, com infraestrutura, programas de capacitação e uma cultura empreendedora forte. Santa Catarina prova que é possível crescer de forma sustentável e competitiva.”

SANTA CATARINA É O SEGUNDO ESTADO MAIS INOVADOR DO PAÍS

Os indicadores de inovação e competitividade também reforçam a posição catarinense. No Índice de Inovação e Desenvolvimento, Santa Catarina alcançou pontuação de 0,449 e ficou na segunda colocação nacional, atrás apenas de São Paulo.

O estado obteve o segundo lugar nos pilares de Instituições, Infraestrutura e Economia. Em Conhecimento, Tecnologia e Economia Criativa, ficou na terceira posição.

O principal desafio identificado pelo levantamento aparece no pilar de Capital Humano e Negócios, no qual Santa Catarina ocupa a sexta posição.

No Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), o estado também aparece em segundo lugar no cenário nacional.

Santa Catarina lidera o Brasil nos pilares de Segurança Pública e Capital Humano. Em Sustentabilidade Social e Inovação, ocupa a segunda posição, enquanto aparece em terceiro lugar no indicador de Potencial de Mercado.

Os dados do Observatório ACATE 2026 foram produzidos com informações coletadas pela Trillia e por bases públicas. O levantamento reúne indicadores de todo o Brasil e apresenta um recorte detalhado sobre a evolução do setor tecnológico em Santa Catarina.


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