Município concentra mais da metade das estadias na região, enquanto temporada registra aumento de 4% nos gastos dos visitantes e avanço de turistas de maior renda
Urubici manteve a liderança entre os destinos mais procurados para o turismo de inverno na Serra Catarinense em 2026. O município concentrou mais da metade das estadias registradas na região durante a temporada, à frente de outros importantes destinos serranos, como São Joaquim e Lages.
O destaque de Urubici ocorre em um ano de crescimento do consumo turístico na Serra. Os gastos dos visitantes aumentaram 4%, em termos reais, na comparação com o inverno de 2025. O gasto médio chegou a R$ 3.852 por grupo, enquanto 80% dos turistas afirmaram ter realizado compras no comércio local.
Os dados fazem parte da Pesquisa Turismo de Inverno na Serra Catarinense, elaborada pela Fecomércio SC e apresentada durante reunião da Câmara Empresarial de Turismo da entidade, realizada em São Joaquim.
O levantamento também mostra mudanças no perfil de quem visita a região. A presença de turistas de maior renda aumentou, o transporte aéreo alcançou a maior participação da série histórica e modalidades alternativas de hospedagem ganharam espaço.
URUBICI CONCENTRA MAIS DA METADE DAS ESTADIAS NA SERRA CATARINENSE
A distribuição das hospedagens mostra uma concentração significativa dos visitantes em Urubici. O município respondeu por mais da metade das estadias identificadas pelo levantamento, consolidando sua posição entre os principais polos turísticos da Serra Catarinense.
São Joaquim e Lages também aparecem entre os destinos com maior presença de visitantes, mas Urubici mantém uma participação especialmente relevante na escolha do local de hospedagem.
O município reúne diferentes segmentos que vêm ganhando espaço no turismo serrano, especialmente atividades relacionadas à natureza, hospedagens integradas à paisagem, gastronomia e experiências rurais.
A concentração das estadias também coloca Urubici em posição estratégica na circulação dos turistas pela Serra. A partir do município, visitantes conseguem acessar diferentes atrativos e percorrer roteiros que conectam outras localidades da região.
NATUREZA CONTINUA ENTRE OS PRINCIPAIS MOTIVOS PARA VIAJAR À SERRA
O protagonismo de Urubici está diretamente relacionado a uma das características mais valorizadas pelos visitantes da região: o contato com a natureza.
A pesquisa aponta que natureza e lazer permanecem entre as principais motivações para as viagens à Serra Catarinense.
Entre os atrativos de maior destaque estão o Morro da Igreja, em Urubici, além da Serra do Rio do Rastro e da Serra do Corvo Branco, que integram alguns dos roteiros mais conhecidos do turismo serrano.
Essa combinação permite que a região atraia visitantes não apenas em períodos de temperaturas negativas ou ocorrência de neve, mas também pela paisagem, pelas estradas cênicas e pelas experiências associadas ao ambiente serrano.
O movimento é importante para um destino historicamente ligado ao frio. A ampliação das opções de lazer reduz a dependência de fenômenos meteorológicos específicos e permite que empresas trabalhem com um calendário turístico mais diversificado.
GASTOS DOS TURISTAS CRESCEM 4% NA TEMPORADA DE INVERNO
Além da concentração das estadias em Urubici, a temporada de 2026 apresentou crescimento no volume de recursos movimentados pelos visitantes.
Os gastos tiveram alta real de 4% em relação ao inverno de 2025, indicando aumento do consumo mesmo depois de descontada a inflação.
O gasto médio por grupo chegou a R$ 3.852. Hospedagem e alimentação continuam entre as principais despesas, mas comércio e aquisição de pacotes turísticos também tiveram participação relevante.
O impacto sobre os estabelecimentos locais pode ser observado em outro indicador: oito em cada dez turistas fizeram compras no comércio da região.
Com isso, os recursos provenientes da atividade turística não ficam concentrados somente em hotéis, pousadas e restaurantes. O movimento alcança lojas, prestadores de serviços, atrações e outros negócios instalados nos municípios serranos.
Para o presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni, a mudança no padrão de consumo indica uma transformação no próprio mercado turístico regional.
“A Serra Catarinense vem se consolidando como um destino de maior valor agregado, atraindo turistas com maior renda e elevando o nível de consumo. Esse movimento fortalece a economia regional, mas também exige planejamento e qualificação contínua dos serviços”, afirma.
TURISTAS DE MAIOR RENDA GANHAM PARTICIPAÇÃO EM 2026
O aumento do consumo ocorre paralelamente a uma mudança no perfil socioeconômico dos visitantes.
Em 2026, 41,5% dos turistas declararam renda familiar superior a oito salários mínimos. Esse grupo passou a representar uma parcela expressiva do público que procura a Serra durante o inverno.
A transformação fica ainda mais evidente quando considerada a faixa de renda mais elevada. A proporção de visitantes com renda familiar superior a 15 salários mínimos praticamente dobrou na última década.
Em sentido contrário, as faixas de menor renda perderam participação ao longo dos anos, especialmente entre turistas com renda familiar de até dois salários mínimos.
Os números indicam uma mudança gradual no posicionamento econômico do turismo serrano, com maior presença de visitantes com capacidade de gastar em hospedagens, gastronomia, compras e experiências durante a viagem.
Para a secretária estadual do Turismo, Catiane Seif, o cenário aponta para a consolidação desse perfil de destino.
“Isso evidencia que estamos indo na direção correta, transformando a Serra Catarinense num destino de excelência”, diz.
CATARINENSES REPRESENTAM 60,9% DOS VISITANTES
Apesar da ampliação da presença de turistas de outros estados, Santa Catarina continua sendo o principal mercado emissor de visitantes para a Serra.
Os próprios catarinenses representaram 60,9% do público durante a temporada de inverno de 2026.
Entre os visitantes que moram no Estado, destacam-se aqueles provenientes do Vale do Itajaí e da Grande Florianópolis. A proximidade com essas regiões favorece principalmente as viagens realizadas de automóvel.
Fora de Santa Catarina, Paraná e São Paulo estão entre as principais origens. Curitiba e a capital paulista aparecem com destaque entre as cidades de procedência dos turistas.
A participação gradual de visitantes provenientes de mercados mais distantes também aumenta a importância da infraestrutura de acesso e da conectividade aérea para o desenvolvimento turístico da Serra.
CARRO É O PRINCIPAL MEIO DE TRANSPORTE PARA CHEGAR À SERRA
A predominância dos visitantes catarinenses ajuda a explicar outro dado da pesquisa: 82,6% das viagens são realizadas em veículo próprio.
O automóvel continua, com ampla vantagem, sendo a principal forma de acesso aos destinos da Serra Catarinense.
A característica também está relacionada à distribuição geográfica dos atrativos. Muitos pontos turísticos estão localizados em áreas rurais ou afastados dos centros urbanos, tornando o carro importante não apenas para chegar à Serra, mas também para circular entre os diferentes locais durante a viagem.
Os turistas que permanecem hospedados na região percorrem, em média, 530 quilômetros para chegar ao destino.
Entre os excursionistas, que realizam deslocamentos mais curtos, a distância média é de 174 quilômetros.
VIAGENS DE AVIÃO ATINGEM RECORDE NA SÉRIE HISTÓRICA
Embora o carro permaneça predominante, o transporte aéreo apresentou uma mudança relevante em 2026.
O avião respondeu por 9,5% das viagens, alcançando a maior participação da série histórica e consolidando-se como a segunda principal modalidade de chegada à região.
O transporte rodoviário fretado também aumentou sua participação, enquanto o uso de ônibus regular tornou-se pouco representativo no fluxo turístico analisado.
O avanço das viagens aéreas é especialmente relevante para a atração de turistas provenientes de regiões mais distantes.
Quem chega de avião percorre, em média, mais de 1.800 quilômetros, distância bastante superior à registrada entre os demais visitantes.
Além de viajar mais, esse turista também gasta mais.
O levantamento aponta que os grupos que utilizaram transporte aéreo tiveram gasto médio de R$ 5.995, o maior entre os perfis pesquisados. Entre os excursionistas, o gasto médio foi de R$ 664.
A ampliação da conectividade regional, incluindo iniciativas como o programa Voa+SC, integra as estratégias para facilitar o acesso de visitantes provenientes de outros estados.
HOTELARIA AINDA LIDERA, MAS IMÓVEIS DE TEMPORADA GANHAM ESPAÇO
O crescimento de destinos como Urubici também ocorre em meio a uma transformação no mercado de hospedagem.
Hotéis e pousadas tradicionais continuam responsáveis pela maior parcela das estadias, com 53% do total.
Os imóveis alugados por temporada, porém, já se aproximam de 30% das hospedagens, depois de registrarem crescimento significativo.
A expansão acompanha a popularização das plataformas digitais de reservas e a oferta crescente de casas, apartamentos, cabanas e chalés destinados a períodos curtos de permanência.
O fenômeno é especialmente relevante em destinos turísticos nos quais a própria hospedagem pode fazer parte da experiência procurada pelo visitante.
HOSPEDAGEM TAMBÉM VIRA ATRAÇÃO TURÍSTICA
Uma das tendências identificadas no levantamento é justamente a chamada “hospedagem-destino”.
Nesse modelo, o local escolhido para dormir deixa de funcionar apenas como base para os passeios e se transforma em parte da própria experiência da viagem.
Hospedagens inseridas em áreas naturais e estabelecimentos que oferecem experiências relacionadas à gastronomia, ao ambiente rural ou à contemplação da paisagem são exemplos dessa transformação.
O fenômeno ganha relevância na Serra Catarinense por combinar características naturais da região com a procura por experiências diferenciadas durante o inverno.
A mudança também contribui para aumentar o peso da hospedagem dentro dos gastos realizados pelos visitantes.
RESERVAS MIGRAM PARA PLATAFORMAS DIGITAIS E WHATSAPP
A diversificação da hospedagem provocou mudanças também na forma como os turistas fazem suas reservas.
A hotelaria tradicional ainda apresenta forte dependência das vendas diretas. Já os imóveis alugados por temporada são contratados principalmente por meio de plataformas digitais.
O WhatsApp também aparece como uma ferramenta relevante nas negociações diretas, especialmente entre turistas e estabelecimentos de hospedagem alternativa.
Ao mesmo tempo, a integração das OTAs — agências de viagens online — com serviços de aluguel por temporada tornou menos rígida a divisão entre os diferentes modelos de hospedagem.
O visitante passou a encontrar hotéis, pousadas, casas, apartamentos e outros tipos de acomodação dentro de um mesmo ambiente digital, aumentando a concorrência pela escolha do turista.
ENOTURISMO ATRAI UM EM CADA CINCO VISITANTES
Urubici lidera as estadias, mas a circulação dos visitantes por diferentes municípios mostra a importância de uma oferta turística regional integrada.
Um dos segmentos que avançaram em 2026 foi o enoturismo na Serra Catarinense.
Segundo a pesquisa, 20% dos turistas visitaram vinícolas durante a temporada. Na prática, um em cada cinco visitantes incluiu esse tipo de experiência na viagem.
O crescimento ajuda a diversificar a imagem turística da região, historicamente associada às baixas temperaturas e à possibilidade de neve.
As vinícolas agregam gastronomia, produção rural, paisagem e experiências ligadas aos vinhos de altitude, fortalecendo especialmente destinos como São Joaquim e seu entorno.
Esse tipo de atividade também favorece a circulação regional. Um visitante pode se hospedar em Urubici e realizar passeios, refeições e experiências em outros municípios, ampliando a distribuição dos gastos pela Serra.
TURISMO DE INVERNO VAI ALÉM DO FRIO E DA NEVE
A consolidação de Urubici e o crescimento de outros segmentos mostram uma mudança importante no turismo serrano.
Embora as temperaturas negativas, geadas e eventuais episódios de neve continuem sendo elementos de grande visibilidade, a região vem ampliando os motivos que levam os visitantes a viajar.
Natureza, gastronomia, enoturismo, hospedagens diferenciadas, compras e lazer passaram a compor uma oferta mais ampla.
A diversificação é importante porque reduz a dependência das condições meteorológicas. A ocorrência de neve, por exemplo, é imprevisível e não pode ser considerada uma atração garantida ao longo da temporada.
Quanto maior a variedade de experiências disponíveis, maiores são as possibilidades de manter o visitante na região por mais tempo e estimular o consumo em diferentes segmentos.
EMPRESÁRIOS RELATAM QUEDA DE 6% NO FATURAMENTO
Apesar dos indicadores positivos relacionados aos gastos dos visitantes, a pesquisa também revelou um contraponto importante.
Os empresários consultados apontaram queda de 6% no faturamento em relação ao inverno de 2025, embora os resultados da temporada continuem superiores aos registrados nos períodos de baixa procura.
O dado contrasta com o crescimento real de 4% nos gastos dos turistas.
A diferença mostra que o aumento do gasto médio não necessariamente se distribui de maneira uniforme entre empresas, cidades e segmentos da cadeia turística.
Mudanças no perfil da hospedagem, crescimento dos imóveis de temporada, novos canais de comercialização e diferentes padrões de consumo fazem parte de um mercado que se tornou mais diversificado.
CRESCIMENTO DO TURISMO AUMENTA DESAFIOS DE INFRAESTRUTURA
A maior capacidade de atração da Serra Catarinense também amplia os desafios para acompanhar o crescimento da atividade.
Questões relacionadas a acessos rodoviários, conectividade aérea, qualificação profissional, infraestrutura turística, segurança jurídica e sustentabilidade ganham importância à medida que aumenta o fluxo de visitantes.
A vice-presidente de Turismo da Fecomércio SC, Audrey Rembowski, destacou a necessidade de atuação conjunta entre iniciativa privada e poder público.
“Temos em Santa Catarina um potencial turístico enorme e, para que esse potencial se transforme cada vez mais em desenvolvimento, precisamos avançar em pautas estruturantes, como conectividade aérea, segurança jurídica, questões tributárias e sustentabilidade. A Câmara Empresarial de Turismo é justamente esse espaço de diálogo e construção conjunta, aproximando o setor produtivo do poder público e buscando soluções que fortalecem o turismo em todas as regiões do Estado”, afirma.
URUBICI SE CONSOLIDA COMO POLO DO TURISMO SERRANO
Ao concentrar mais da metade das estadias registradas na pesquisa, Urubici mantém papel central no turismo de inverno da Serra Catarinense.
O desempenho do município está inserido em uma transformação mais ampla do setor. Os visitantes estão gastando mais, o público de maior renda ganhou participação, as viagens de avião alcançaram nível recorde e novas formas de hospedagem disputam espaço com hotéis e pousadas tradicionais.
Ao mesmo tempo, a procura por natureza continua forte e atividades como o enoturismo ampliam as possibilidades de circulação entre os municípios.
Os dados de 2026 mostram, portanto, um turismo serrano que continua tendo o frio como importante elemento de atração, mas que depende cada vez menos de uma única característica.
Com Urubici à frente na procura por hospedagem, a Serra Catarinense avança como um destino baseado na combinação de paisagens naturais, gastronomia, vinhos, experiências de hospedagem e lazer — fatores que ajudam a ampliar o alcance do turismo regional e a movimentar diferentes setores da economia.