São José segue com a economia aquecida em 2026, impulsionada principalmente pelo crescimento da base empresarial, da frota de veículos e do comércio exterior. Entre janeiro e junho, o município acumulou saldo líquido de 3.548 novos CNPJs, uma alta de 16,5% na comparação com o mesmo período do ano passado.
O desempenho ficou acima das médias observadas na Grande Florianópolis, que avançou 5,2%, e em Santa Catarina, com crescimento de 5,7%. Os números fazem parte da 8ª edição do Boletim Econômico de São José, produzido pela Aemflo e CDL São José com base em dados oficiais.
Apesar dos indicadores positivos, o levantamento também aponta pontos de atenção. A geração de empregos formais perdeu força no primeiro semestre, enquanto a arrecadação real de ICMS praticamente não apresentou variação.
CRESCIMENTO EMPRESARIAL SUPERA MÉDIAS REGIONAL E ESTADUAL
O avanço de 16,5% no saldo de empresas coloca São José em posição de destaque no cenário econômico regional. A expansão mostra que o município continua atraindo novos empreendedores e mantendo um ambiente favorável para a abertura de negócios.
Uma característica importante do resultado é a participação dos microempreendedores individuais. Cerca de 89% do saldo líquido de CNPJs registrado no período foi formado por MEIs.
A presidente da Aemflo e CDL São José, Cintia Pieri, também destaca o cenário de empreendedorismo. Segundo ela, além do crescimento no número de CNPJs, é necessário garantir condições para que os negócios consigam se desenvolver e permanecer competitivos.
“Os números mostram uma São José empreendedora e economicamente ativa. O crescimento da base empresarial é muito positivo, especialmente quando supera o desempenho regional e estadual. Ao mesmo tempo, nosso papel como entidade empresarial é olhar além do número de CNPJs e trabalhar para que essas empresas tenham condições de crescer, gerar empregos, investir e permanecer competitivas”.
MERCADO DE TRABALHO AVANÇA, MAS EM RITMO MAIS LENTO
O mercado formal também fechou o primeiro semestre com resultado positivo. São José criou 1.235 vagas com carteira assinada entre janeiro e junho.
O saldo, porém, representa uma queda de 44,3% em relação ao registrado no mesmo intervalo de 2025. A desaceleração também apareceu em outras áreas: na Grande Florianópolis, o ritmo de criação de empregos caiu 37%, enquanto em Santa Catarina a redução foi de 21,2%.
Para o secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Sérgio Scarpa, o desafio está em transformar a expansão empresarial em oportunidades de trabalho e renda.
“São José apresenta uma economia dinâmica e com capacidade de atrair novos negócios. O crescimento de 16,5% no saldo de empresas é um indicador muito positivo, mas precisamos olhar também para a qualidade e a sustentabilidade desse crescimento. Nosso trabalho é apoiar o empreendedor, facilitar o ambiente de negócios, estimular a inovação e criar oportunidades para que as empresas possam crescer e gerar cada vez mais empregos”.
A avaliação é compartilhada pelo diretor de Desenvolvimento Econômico da Aemflo/CDL São José, Robson Trupell. Para ele, os dados ajudam a identificar os setores e indicadores que merecem maior atenção.
“O boletim permite enxergar onde a economia está avançando e onde precisamos concentrar atenção. São José continua atraindo e criando negócios, mas o desafio agora é transformar esse dinamismo empresarial em crescimento sustentável, produtividade, investimento e emprego. Informação econômica qualificada é fundamental para orientar tanto as empresas quanto o debate sobre desenvolvimento do município”, diz Trupell.
FROTA E COMÉRCIO EXTERIOR TAMBÉM CRESCEM
A movimentação econômica de São José aparece ainda em outros indicadores. A frota de veículos aumentou 4,8% na comparação anual, resultado superior ao crescimento de 3,7% registrado em Santa Catarina e próximo dos 4,9% observados na Grande Florianópolis.
No comércio exterior, o avanço foi mais expressivo nas importações. As compras internacionais cresceram 22,3% entre janeiro e julho, chegando a aproximadamente US$ 677,4 milhões.
As exportações também aumentaram, mas em ritmo menor. O crescimento foi de 8,3%, para cerca de US$ 28 milhões no período.
A diferença entre os dois fluxos resultou em um déficit comercial de aproximadamente US$ 649,6 milhões, reforçando a característica importadora da economia municipal.
“O conjunto dos indicadores mostra uma economia local ativa, mas com comportamentos diferentes entre os setores. O crescimento das empresas, da frota e do comércio exterior convive com uma geração de empregos em ritmo menor e uma arrecadação de ICMS praticamente estável. Por isso, é importante acompanhar a evolução desses dados de forma integrada”, avalia o consultor econômico da Aemflo/CDL São José, Leonardo Alonso.
ARRECADAÇÃO DE ICMS FICA PRATICAMENTE ESTÁVEL
Enquanto alguns indicadores apresentaram crescimento, a arrecadação real de ICMS permaneceu praticamente no mesmo nível.
Até junho, a variação foi de -0,1% em São José. O desempenho ficou abaixo do registrado na Grande Florianópolis, que teve alta de 7,5%, e de Santa Catarina, que avançou 3,7%.
O comportamento do IPVA foi diferente. A arrecadação real do imposto cresceu 2,9% no município, superando a alta de 2,3% da Grande Florianópolis. Em Santa Catarina, houve queda de 0,2%.
SEGUNDO SEMESTRE TEM FATORES DE ATENÇÃO
Embora os números locais sejam majoritariamente positivos, o cenário econômico nacional e internacional pode influenciar o desempenho de São José nos próximos meses.
Entre os fatores apontados no boletim estão os juros elevados, as condições fiscais, as oscilações do câmbio, conflitos geopolíticos e possíveis mudanças nas relações comerciais entre países.
Esses fatores ganham importância para São José devido à integração do município com a economia da Grande Florianópolis e à forte presença de empresas ligadas ao comércio exterior.
“São José chega ao segundo semestre com indicadores favoráveis de atividade, mas inserida em um cenário que ainda recomenda prudência. Juros, situação fiscal, câmbio e ambiente geopolítico podem afetar custos e decisões empresariais. Para um município com forte presença de importadores e integração às cadeias econômicas da Grande Florianópolis, acompanhar essas variáveis é tão importante quanto observar os indicadores locais”, pontua Leonardo Alonso.
Na avaliação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Inovação, o crescimento empresarial também cria uma oportunidade para fortalecer a posição do município na atração de novos investimentos.
“Temos uma cidade com localização estratégica, uma economia diversificada e um ambiente empresarial bastante ativo. A expansão do número de empresas mostra que existe confiança para empreender em São José. Vamos continuar trabalhando para fortalecer esse ambiente, incentivar a inovação e aproximar ainda mais o poder público das empresas e dos empreendedores”, afirma Sérgio Scarpa.
SÃO JOSÉ EM NÚMEROS
| Indicador | São José | Grande Florianópolis | Santa Catarina |
|---|---|---|---|
| Saldo de CNPJs (jan-jun) | +16,5% | +5,2% | +5,7% |
| Saldo de empregos (jan-jun) | -44,3% | -37,0% | -21,2% |
| Frota (jul/jul) | +4,8% | +4,9% | +3,7% |
| Exportações (jan-jul) | +8,3% | +0,7% | +8,4% |
| Importações (jan-jul) | +22,3% | +5,8% | +9,1% |
| ICMS real (jan-jun) | -0,1% | +7,5% | +3,7% |
| IPVA real (jan-jun) | +2,9% | +2,3% | -0,2% |
O conjunto dos dados mostra uma economia municipal em expansão, mas com ritmos diferentes entre os indicadores. A forte abertura de empresas convive com uma desaceleração do mercado formal de trabalho, enquanto o comércio exterior mantém trajetória de crescimento, sobretudo nas importações.
O Boletim Econômico de São José é elaborado pela Aemflo e CDL São José e reúne informações sobre empresas, empregos formais, frota, comércio exterior e arrecadação de ICMS e IPVA. A publicação também permite comparar o desempenho municipal com os resultados da Grande Florianópolis e de Santa Catarina.
Com informações de Prefeitura de São José