sexta-feira, 11 setembro , 2026
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Empreendedores formalizados chegam a renda média recorde de R$ 6.409, segundo levantamento do Sebrae

por Francine Canto Boico
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mulheres empreendedoras

A formalização dos negócios brasileiros atingiu um novo marco no fim de 2025. O rendimento médio dos empreendedores com CNPJ chegou a R$ 6.409 no quarto trimestre, o maior valor registrado na série histórica, segundo levantamento do Sebrae.

O resultado representa uma diferença expressiva em relação aos trabalhadores que ainda atuam na informalidade. No mesmo período, esse grupo registrou rendimento médio de R$ 2.186.

Na prática, os dados mostram que empreendedores formalizados receberam, em média, quase três vezes mais do que os informais. O cenário também acompanha uma mudança no perfil de quem empreende no país, especialmente em relação ao nível de escolaridade.

RENDA DOS EMPREENDEDORES FORMALIZADOS AVANÇA

A pesquisa “Empreendedorismo Informal Sob a Ótica da PNAD Contínua”, do Sebrae, aponta que a formalização vem acompanhada de uma evolução importante na renda dos donos de negócios.

Nos últimos dez anos, o rendimento médio dos empreendedores formalizados cresceu 22%. Entre os informais, o avanço foi de 16,5% no mesmo intervalo.

A diferença sugere que o registro formal pode contribuir para ampliar as oportunidades de crescimento e melhorar as condições para a expansão dos negócios.

Além do impacto financeiro direto, ter um CNPJ pode facilitar o acesso a mercados e serviços que nem sempre estão disponíveis para quem trabalha sem registro.

ESCOLARIDADE GANHA ESPAÇO ENTRE OS EMPREENDEDORES

A evolução da renda ocorre paralelamente a uma mudança significativa no nível de escolaridade dos empreendedores brasileiros.

Entre os donos de negócios informais, a parcela com ensino médio completo ou nível superior passou de 34% em 2015 para 52% em 2025. O avanço foi de 18 pontos percentuais em uma década.

No sentido oposto, diminuiu consideravelmente a participação daqueles com menor nível de instrução. A proporção de informais sem instrução ou com ensino fundamental incompleto caiu de 49% para 32% no mesmo período.

Os números indicam que o empreendedorismo brasileiro está passando por uma transformação no perfil educacional, com uma presença cada vez maior de pessoas que tiveram acesso a níveis mais elevados de ensino.

MAIOR ESCOLARIDADE APARECE ENTRE QUEM TEM CNPJ

A diferença fica ainda mais evidente quando são analisados apenas os empreendedores formalizados.

Segundo o levantamento, 81% dos donos de negócios com CNPJ têm ensino médio completo ou mais. Já a parcela com até o ensino fundamental incompleto representa apenas 9,9% desse grupo.

A relação entre educação e formalização ajuda a explicar parte da mudança observada no mercado. Com maior qualificação, empreendedores podem encontrar mais condições para organizar a gestão, buscar novos mercados e estruturar negócios capazes de gerar renda maior.

Nesse contexto, a educação aparece não apenas como uma ferramenta de desenvolvimento profissional, mas também como um elemento associado à profissionalização do empreendedorismo.

FORMALIZAÇÃO AMPLIA DIFERENÇA ENTRE EMPREENDEDORES

A distância de renda fica ainda maior quando o levantamento considera a posição ocupacional de cada empreendedor.

Entre os trabalhadores por conta própria, o rendimento médio de quem atua informalmente ficou em R$ 2.028 por mês. Já entre os empregadores formalizados, a média chegou a R$ 9.666.

A diferença mostra que a formalização ganha ainda mais relevância conforme o negócio avança e passa a contar com uma estrutura maior, incluindo a contratação de trabalhadores.

Para o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, os resultados demonstram que os empreendedores estão reconhecendo as vantagens de manter os negócios regularizados e investir continuamente em qualificação.

Cada vez mais, os empreendedores enxergam os inúmeros benefícios proporcionados pela formalização e pela qualificação constante. O aumento de rendimento é apenas uma parte desses ganhos. A formalidade também assegura outras vantagens como acesso às compras públicas, a possibilidade de emitir nota fiscal, linhas de crédito mais acessíveis e benefícios da Previdência.

CNPJ PODE ABRIR NOVAS OPORTUNIDADES PARA OS NEGÓCIOS

A diferença de rendimento registrada pelo estudo também ajuda a colocar em perspectiva o papel da formalização no desenvolvimento dos pequenos negócios.

Ter um CNPJ permite ao empreendedor emitir notas fiscais e participar de determinadas oportunidades comerciais, além de facilitar o acesso a linhas de crédito e às compras realizadas pelo poder público.

Outro ponto destacado pelo Sebrae é a possibilidade de contar com benefícios previdenciários, ampliando a proteção associada à atividade profissional.

Embora muitos brasileiros iniciem uma atividade por conta própria de maneira informal, os dados indicam que a combinação entre qualificação e regularização ganha importância para quem busca transformar uma atividade de geração de renda em um negócio mais estruturado.

Os números do quarto trimestre de 2025 reforçam, portanto, uma tendência de longo prazo: enquanto a escolaridade dos empreendedores avança, a formalização aparece associada a rendimentos significativamente maiores e a um ambiente com mais possibilidades de crescimento.


Com informações de Agência SEBRAE

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