sábado, 12 setembro , 2026
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V Festival Cinema Negro SC projeta mais de 50 filmes de potência e representatividade em Florianópolis

por Pedro MC
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Entre os dias 17 e 21 de setembro de 2026, o V Festival Cinema Negro Santa Catarina ocupa novamente a sala de cinema do Centro Integrado de Cultura – CIC, em Florianópolis, reunindo realizadores, realizadoras, pesquisadores, artistas e público em torno da produção audiovisual negra brasileira. Toda a programação é gratuita.

Desde 2019, o Festival Cinema Negro SC constrói sua trajetória a partir da ocupação do espaço público cultural e da criação de um lugar permanente para o cinema negro em Santa Catarina. A primeira edição nasceu na sala de cinema do CIC como uma proposta de ocupação de políticas públicas para discutir questões sociais por meio do cinema, entre elas o racismo, que possui uma presença histórica e estrutural particularmente forte no estado.

Ao longo de cinco edições, o festival ampliou sua programação, sua rede de realizadores e seu alcance nacional. A quinta edição reafirma esse percurso com uma seleção que reúne diferentes perspectivas sobre a experiência da negritude e suas formas de representação no cinema brasileiro.

Foram 224 filmes inscritos, o dobro das 112 inscrições recebidas na edição anterior. O crescimento demonstra a expansão da produção audiovisual negra e também a importância de espaços de circulação capazes de receber essas narrativas.

A curadoria partiu de uma ideia presente desde a fundação do festival: o espaço de protagonismo da experiência da negritude.

A partir desse princípio, os filmes da Mostra Cruz e Sousa de Curtas foram organizados em sete eixos temáticos: Permanência, Subjetividades, Choques Culturais, Memória, Expressão e Criatividade, Mistério e Metamorfoses.

Os recortes atravessam diferentes territórios, gerações, linguagens e experiências. São filmes que falam de identidade, ancestralidade, afetos, violência, território, espiritualidade, corpo, memória e criação. Cada sessão estabelece aproximações entre obras distintas e permite perceber como o cinema negro brasileiro vem construindo suas próprias formas de olhar, narrar e disputar a representação.

A programação também conta com a Sessão Família e a Sessão Musical, construídas a partir do contato direto com o público e da percepção de diferentes formas de aproximação entre cinema, música e experiência coletiva.

Mostra Antonieta de Barros

A programação do V Festival Cinema Negro SC também apresenta a Mostra Antonieta de Barros – Mostra Convite da Curadoria, formada por três filmes convidados.

A abertura do festival será com Aqui Não Entra Luz, de Karol Maia. Partindo de memórias pessoais e pesquisas históricas, a diretora investiga o trabalho doméstico e suas relações com o passado escravista brasileiro. O filme acompanha as lutas de mulheres que desejam construir outros caminhos para suas filhas, articulando memória, trabalho, desigualdade e transformação.

Terra Batida, com roteiro e direção de Jon Lewis, mergulha nos rituais do samba, da capoeira e do candomblé para refletir sobre ancestralidade, resistência e espiritualidade. O filme percorre saberes transmitidos pelo corpo e pela comunidade, aproximando práticas culturais e formas de permanência de uma memória coletiva.

O encerramento do festival será com A Tentação de Lázaro, de Diego Paulino (imagem de destaque). Lázaro passa muito tempo na academia, mas os resultados esperados nunca aparecem. Até que um dia assina o plano premium. A partir dessa situação, o filme constrói uma narrativa que desloca as expectativas em torno do corpo, do desejo e da promessa de transformação.

A presença desses três filmes amplia o diálogo proposto pela curadoria e apresenta ao público diferentes possibilidades de construção narrativa, passando pela memória histórica, pela ancestralidade e pela experiência contemporânea do corpo.

Cinema como espaço de memória

A trajetória do Festival Cinema Negro SC está diretamente ligada à necessidade de ampliar a presença de realizadores negros nos espaços de exibição e de formação cultural.

Santa Catarina possui uma história negra que durante muito tempo permaneceu sub-representada nas narrativas oficiais sobre o estado. O cinema permite confrontar essa ausência, recuperar memórias e criar novas imagens sobre pessoas, comunidades e territórios.

A produção contemporânea apresentada pelo festival demonstra que essas imagens não estão restritas a uma única narrativa. A experiência negra aparece em sua diversidade, atravessada por relações familiares, religiosidade, música, dança, política, tecnologia, desejo, humor, violência, cotidiano e invenção.

É também nesse sentido que o festival estabelece uma relação entre Cruz e Sousa e Antonieta de Barros, nomes fundamentais da história catarinense e brasileira. Suas trajetórias atravessam literatura, educação, imprensa, política e cultura e ajudam a pensar a presença negra na construção da própria história de Santa Catarina.

O cinema amplia essa memória ao colocar novas vozes em circulação e ao permitir que outras experiências possam ser vistas, discutidas e reconhecidas. Segundo a pesquisadora Yasmine Evaristo, curadora da mostra competitiva de curtas,

Cinema negro brasileiro em Santa Catarina

A quinta edição consolida o Festival Cinema Negro SC como espaço de circulação da produção audiovisual negra brasileira em Santa Catarina. A seleção reúne filmes de diferentes regiões e linguagens, colocando em contato produções independentes, realizadores em diferentes momentos de suas trajetórias e distintas formas de produção cinematográfica.

Seleção da Mostra Cruz e Sousa de Curtas

  • Quilombohá – O grito que atravessa o tempo – direção: Ricardo de Souza
  • Nilsão – direção: Nícolas Rodrigues de Sousa
  • Meu e Seu – direção: Gabriel Freire
  • Cavalo Serpente – direção: Priscila Smiths
  • Cordão de Prata – direção: Getulio Ribeiro
  • Amores na Pasajen – direção: Daniele Ellery Mourao
  • Cafuné – direção: Igor Correia
  • Mansos – direção: Tarrafa Produtora e Distribuidora
  • Um Oceano Inteiro – direção: Tarrafa Produtora e Distribuidora
  • Enquanto Ele Não Volta – direção: Rayssa Guenther
  • Entre as Margens – direção: Luz Anthony Batista Sampaio
  • A Cor da Patroa – direção: Leandro Souza
  • Barulho – direção: Tarrafa Produtora e Distribuidora
  • Fogo nos Macacos – direção: Sidjonathas Araújo
  • Árvore Genealógica – direção: Camila Lopes de Moraes
  • Invisível – direção: Ramon Faria
  • Diálogo Bulbul – direção: Yan Victor Barros Altino
  • Os Arcos Dourados de Olinda – direção: Douglas Henrique
  • De alguma forma o destino é algo que pode nos pertencer – direção: Marcos Alexandre
  • Zebra – direção: Victor Nascimento
  • Escudo – direção: Cauê Santiago e Andrey Haag
  • para Carlos – direção: Carlos Cipriano Gomes Junior
  • Ponteiros e Fronteiras – direção: Tiago Ventura
  • Álbum de Família – direção: Victor Vinícius do Carmo
  • Estrelas Pequenas Numa Noite de Lua Cheia – direção: Adriano Monteiro
  • Hacker Leonilia – direção: Gustavo Fontele Dourado
  • À Flor da Pele – direção: Tarrafa Produtora e Distribuidora
  • Amora – direção: Sidjonathas Araújo
  • Dynamite Som, o futuro é Lamento Negro – direção: Tiago Martins Rego
  • Sou Jazz – direção: Douglas Luiz FC
  • Tião Personal Dancer – direção: Aristótelis dos Santos – Tothi
  • O que as formigas me contaram – direção: Marcus Vinicius Diniz de Lima
  • Dentro do meu peito mora um cão – direção: Gabriel Afonso
  • Corpo que Dança – direção: Luiz Leite
  • Mancha – direção: Bruno Souza Maciel
  • Uma Mulher Com Uma Câmera – direção: Samia Costa
  • ELLIPSIS – direção: Alicia Fernanda Nunes dos Santos
  • Ela & Elu – direção: Icá Iuori
  • Roteiro para uma fuga – direção: Priscila Nascimento
  • Boiuna – direção: Adriana de Faria
  • Receptáculo – direção: Tiago Martins Rego
  • Quando Sair Lá Fora Serei Ana – direção: Edson Lemos Akatoy
  • Revelação – direção: Henrique Amud
  • Esta Noite Minha Alma Partirá – direção: Igor Vasco de Paula
  • Aláfia – direção: Tarrafa Produtora e Distribuidora
  • Idade da Solidão – direção: Tarrafa Produtora e Distribuidora
  • Poças Pra Entender – direção: Pedro Miosso
  • PX Origens – direção: Tiago Martins Rego
  • Faça-se você mesma! – direção: Sérgio Santos Barroso
  • Tamanduateí: Rio de Muitas Voltas – direção: Lume Campos

Cinco edições construindo um território

Chegar à quinta edição significa também olhar para o caminho percorrido desde 2019.

O Festival Cinema Negro SC nasceu dentro de uma sala de cinema pública, em Florianópolis, e construiu sua identidade a partir desse espaço. A cada edição, o festival amplia a presença do cinema negro na programação cultural da cidade e cria novas possibilidades de encontro entre público e realizadores.

Essa continuidade possui um significado importante em um estado onde a produção cultural negra ainda enfrenta dificuldades para conquistar espaços permanentes de circulação, reconhecimento e financiamento.

O festival trabalha justamente sobre essa permanência. Cada edição deixa um arquivo de filmes, encontros, debates e experiências que passa a fazer parte da memória cultural de Santa Catarina.

Em 2026, esse percurso chega à quinta edição com uma programação nacional e gratuita, mantendo a sala de cinema do CIC como espaço de encontro e reafirmando o compromisso com a produção audiovisual negra brasileira.

O V Festival Cinema Negro Santa Catarina acontece de 17 a 21 de setembro de 2026, no CIC, em Florianópolis.

A realização é da Cinemática Hub, em parceria com o Complexo Arte-Política, com apoio do Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina – MIS-SC.

🎥 V Festival Cinema Negro Santa Catarina
📅 17 a 21 de setembro de 2026
📍 Sala de Cinema do CIC – Centro Integrado de Cultura
📌 Av. Irineu Bornhausen, 5.600 – Agronômica, Florianópolis/SC
🎟️ Entrada gratuita

Programação em www.cinemanegrosc.art

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