Balneário Camboriú vai ganhar um novo registro sobre uma parte da paisagem urbana que muitas vezes passa despercebida: a arte pública. O catálogo “Urbanidades: nem tudo é concreto” reúne dez obras escolhidas entre 322 trabalhos identificados em um mapeamento realizado pelo Museu a Céu Aberto de Balneário Camboriú (MCA).
Idealizado e produzido pela museóloga Letícia Noveletto, que também assina a curadoria, o projeto será apresentado ao público em 16 de setembro de 2026, às 19h, na Galeria Municipal de Arte de Balneário Camboriú. A abertura da exposição ocorre na mesma ocasião, com entrada gratuita.
A mostra permanecerá aberta até 9 de outubro e será acompanhada por atividades educativas, incluindo oficinas e visitas guiadas. Já o catálogo terá distribuição gratuita para escolas públicas, bibliotecas, universidades, instituições culturais e para a Fundação Cultural de Balneário Camboriú.
ARTE PÚBLICA COMO MEMÓRIA DA CIDADE
Quem circula pelas ruas de Balneário Camboriú pode encontrar esculturas, monumentos, murais e grafites que fazem parte da paisagem há anos. Em muitos casos, porém, a história por trás dessas obras é pouco conhecida.
O projeto parte justamente dessa constatação. A pesquisa recupera informações sobre artistas, técnicas, processos criativos e transformações pelas quais os trabalhos passaram ao longo do tempo.
Entre as obras selecionadas estão peças que já não permanecem nos locais onde foram originalmente instaladas. É o caso de “O Marambaia”, de Paulo Siqueira, e “Cascata das Sereias”, de Jorge Schroder.
Também integram a seleção trabalhos de Marcelo Urizar, Bruno Thomé, Eduardo Vaso, Fernando Cardoso (Nando), Julia Rodrigues, Luis Felipe Berejuk (Berejuk), Resk e Claudio Vuillerot.
Para Letícia Noveletto, registrar essas obras é uma maneira de ampliar a percepção sobre a própria cidade.
“A intenção é que o registro também provoque uma mudança no olhar de quem circula pela cidade, percebendo as obras não apenas como elementos da paisagem, mas como fragmentos da memória cultural local”
O material reúne fotografias, dados históricos e técnicos, informações sobre os artistas, entrevistas e relatos relacionados à criação dos trabalhos. Dessa forma, a publicação pretende ir além de um registro visual.
“Ultrapassamos a função de um catálogo convencional, porque ele passa a ser uma fonte documental para pesquisadores, estudantes, artistas e moradores interessados em compreender a relação entre arte e território”
A pesquisadora acrescenta:
“Preservar uma obra não significa apenas garantir sua permanência física, mas sim todo o histórico dela”
UMA BALNEÁRIO CAMBORIÚ ALÉM DOS ARRANHA-CÉUS
A pesquisa também revela uma faceta menos conhecida de Balneário Camboriú. A cidade costuma ser associada principalmente à praia, aos arranha-céus e à intensa verticalização, mas o levantamento encontrou centenas de trabalhos que ajudam a construir outra representação do município.
Nesse conjunto aparecem referências à pesca, à cultura Hip-Hop, ao grafite, à religiosidade, à natureza, às mudanças nos bairros e às relações estabelecidas pelos moradores com os espaços públicos.
A escolha das dez obras do catálogo levou em consideração fatores como relevância histórica, conexão com o território, técnicas e diferentes linguagens artísticas.
O resultado procura apresentar capítulos variados da história urbana, passando pela chamada Lei das Fachadas, pelos monumentos, pela natureza passageira do grafite, pelos grandes murais, pela identidade local, pela participação feminina na arte urbana e pelas mudanças na paisagem.
“Os cartões-postais normalmente apresentam uma imagem muito específica de Balneário Camboriú, e a arte pública permite olhar para aquilo que existe entre essas grandes imagens”
Segundo a pesquisadora:
“Assim como a arquitetura mostra como a cidade foi construída fisicamente, essa linguagem nos ajuda a compreender como foi essa construção simbolicamente”
LEI DAS FACHADAS TAMBÉM ENTRA NA PESQUISA
Um dos temas abordados pelo projeto é a relação entre arte e verticalização. A pesquisa investiga a Lei Municipal nº 1.677/1997, legislação de zoneamento que determinou, em um de seus dispositivos, a instalação de obras de arte na frente, fachada ou jardim de edificações com mais de seis pavimentos.
A regra ficou conhecida como Lei das Fachadas e criou uma conexão particular entre produção artística, arquitetura, construção civil e iniciativa privada.
Com isso, obras de arte passaram a ocupar espaços diretamente relacionados ao crescimento vertical do município. Para o projeto, entender esse processo ajuda a explicar parte da identidade visual construída em Balneário Camboriú ao longo das últimas décadas.
O levantamento também deixa perguntas para pesquisas futuras. Entre elas estão o destino das obras instaladas originalmente em determinados pontos, a permanência delas nesses locais e as possíveis alterações ou desaparecimentos ocorridos com o passar dos anos.
EXPOSIÇÃO TERÁ OFICINAS E VISITAS GUIADAS
Além da exposição, o projeto terá atividades voltadas a diferentes públicos. Duas oficinas gratuitas estão previstas durante o período da mostra.
A oficina de grafite, conduzida por Julia Rodrigues, será realizada em 19 de setembro, das 13h às 18h, no CAPs Infantil. Já a oficina de escultura, com Jorge Schroder, ocorrerá em 26 de setembro, das 14h às 18h, no Instituto Jorge Schroder.
As duas atividades têm dez vagas cada, que já foram preenchidas.
Também estão previstas três visitas guiadas até 10 de outubro. Duas serão destinadas a escolas públicas municipais e uma será realizada com a Associação de Surdos de Balneário Camboriú.
Na atividade voltada à Associação de Surdos, haverá acompanhamento de uma pessoa tradutora de Libras.
CATÁLOGO TERÁ VERSÃO DIGITAL ACESSÍVEL
A preocupação com o acesso ao conteúdo também faz parte da proposta. O catálogo será disponibilizado em versão impressa e em formato digital acessível, compatível com leitores de tela.
A iniciativa busca ampliar o acesso às informações por pessoas cegas ou com baixa visão, especialmente por se tratar de uma publicação dedicada às artes visuais.
“Pensar a acessibilidade nesse contexto significa compreender que a experiência com a arte e com o patrimônio não deve estar condicionada exclusivamente à percepção visual”
Depois do lançamento, o material será distribuído gratuitamente a escolas públicas, bibliotecas, universidades, instituições culturais e à Fundação Cultural de Balneário Camboriú.
O projeto é realizado por meio do Edital de Concurso Público nº 107/2025 – Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura – Edição 2025, com apoio de Paris Tintas, Fundação Cultural de Balneário Camboriú e Museu a Céu Aberto.
SERVIÇO
O que: lançamento do catálogo “Urbanidades: nem tudo é concreto”
Quando: 16 de setembro de 2026, às 19h
Onde: Galeria Municipal de Arte de Balneário Camboriú, Rua 300, nº 50, Centro, anexo à Praça Bruno Nitz
Entrada: gratuita
Artistas selecionados: Marcelo Urizar, Bruno Thomé, Eduardo Vaso, Fernando Cardoso (Nando), Jorge Schroder, Julia Rodrigues, Luis Felipe Berejuk (Berejuk), Resk, Paulo Siqueira e Claudio Vuillerot.