quinta-feira, 8 outubro , 2026

Congresso eleito para 2027 terá quase 80% dos parlamentares com baixo alinhamento à agenda ambiental

por Duda Amaral
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De acordo com o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, coordenado pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o desmatamento do bioma em Santa Catarina apresentou uma queda de 12%. O levantamento considera o período de julho de 2023 a junho de 2024, em comparação com o ano anterior. A redução é ainda mais relevante, tendo em vista que, no período de julho de 2022 a junho de 2023, o Estado já havia registrado uma diminuição de 86%. Outro indicativo positivo é que nenhum município catarinense figurou na lista dos 20 municípios com maior desmatamento em área de mata, o que demonstra uma dispersão das ocorrências e menor pressão localizada. “Santa Catarina tem mostrado que é possível crescer com responsabilidade ambiental. A nova redução no desmatamento da Mata Atlântica é fruto de um trabalho sério, que combina o uso de tecnologia, fiscalização eficiente e políticas públicas bem direcionadas. O meio ambiente é mais uma área em que os catarinenses demonstram seu compromisso e protagonismo, assim como já é com o nosso agronegócio, no comércio exterior e na produção industrial. Trabalhamos com equilíbrio, conciliando crescimento econômico com responsabilidade ambiental, o que garante um desenvolvimento verdadeiramente sustentável”, disse o governador Jorginho Mello. Para a presidente do IMA, Sheila Meirelles, a continuidade na redução do desmatamento é um aspecto muito positivo, relacionado à conscientização da população e ao investimento estratégico em tecnologias avançadas de monitoramento remoto, desenvolvidas pelos técnicos do Instituto para auxiliar na fiscalização. “A integração entre tecnologia, gestão e conscientização da sociedade tem sido fundamental para alcançarmos resultados concretos na proteção do meio ambiente. O uso de sistemas que alertam sobre o desmatamento ilegal e a produção de dados com referência espacial são importantes tanto para a fiscalização quanto para um licenciamento ambiental eficaz, fortalecendo a tomada de decisões”, enfatiza Sheila. O IMA tem utilizado geotecnologias para modernizar os processos de licenciamento, auditoria e fiscalização, desenvolvendo internamente ferramentas digitais com o apoio do governo estadual para análise espacial e supervisão remota. Com o uso de imagens de satélite e sobrevoos com drones, é possível vistoriar áreas de difícil acesso, assegurando processos mais precisos e alinhados à realidade em campo. Para reforçar a fiscalização contra o desmatamento ilegal, sistemas de monitoramento emitem alertas frequentes sobre mudanças na cobertura vegetal, viabilizando ações imediatas em áreas críticas da Mata Atlântica. “Essa política é coordenada pela Gerência de Informações Ambientais e Geoprocessamento, que opera uma sala de monitoramento em tempo real, integrando diversas variáveis ambientais para uma resposta rápida a emergências.” conta o diretor de Controle, Passivos e Qualidade Ambiental do IMA, Diego Hemkemeier Silva. Em breve, o IMA lançará soluções como a infraestrutura de dados espaciais SiGEO, que reunirá todas as ferramentas e dados geoespaciais em um único ambiente.

A composição do Congresso Nacional para o período de 2027 a 2031 indica um cenário desafiador para a defesa do meio ambiente no Brasil. Segundo levantamento do Observatório do Clima, cerca de sete em cada dez deputados federais e senadores eleitos apresentam pouca ou nenhuma convergência com propostas voltadas à preservação ambiental e ao enfrentamento das mudanças climáticas.

O estudo considera o posicionamento dos parlamentares e seus votos em temas relacionados à proteção dos ecossistemas, à política climática e à sustentabilidade. Os resultados apontam para um Legislativo que pode impor obstáculos à aprovação de medidas ambientais nos próximos quatro anos.

LEVANTAMENTO APONTA DISTANCIAMENTO DA PAUTA AMBIENTAL

A análise utiliza o índice de convergência ambiental, desenvolvido a partir de uma metodologia do Instituto Democracia e Sustentabilidade. O indicador classifica os parlamentares conforme o grau de alinhamento de suas atuações com as pautas climáticas e socioambientais.

A avaliação é dividida em quatro níveis: muito baixo, para índices entre 0% e 25%; baixo, de 26% a 50%; bom, de 51% a 69%; e muito bom, de 70% a 100%.

Entre os 594 parlamentares considerados no levantamento, 409 estão nas duas faixas de menor alinhamento, o equivalente a 68,9% do total. Desse grupo, 201 congressistas, ou 33,8%, aparecem na categoria muito baixa, enquanto outros 208, correspondentes a 35%, estão na faixa baixa.

No sentido oposto, 185 parlamentares demonstram maior convergência com a agenda ambiental. Desse total, 52 foram classificados na faixa boa, representando 8,75%, e 133 alcançaram o nível muito bom, o equivalente a 22,4%.

Para o Observatório do Clima, a distribuição dos resultados sinaliza dificuldades para a manutenção e o avanço de políticas públicas de proteção ambiental.

OBSERVATÓRIO DO CLIMA ALERTA PARA POSSÍVEIS RETROCESSOS

A coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo, avalia que o cenário pode comprometer conquistas importantes na área ambiental brasileira.

Entre os riscos apontados estão o enfraquecimento da atuação dos órgãos responsáveis pela fiscalização ambiental, a possibilidade de anistia a grileiros e a redução da proteção destinada às florestas e aos diferentes biomas do país.

A preocupação também envolve a capacidade do Congresso de aprovar iniciativas para reduzir os impactos das mudanças climáticas e preparar cidades e comunidades para eventos extremos.

Ao comentar as perspectivas para a próxima legislatura, Suely Araújo destacou a dimensão dos desafios que deverão ser enfrentados por organizações, especialistas e representantes da sociedade civil.

“Este quadro evidencia quatro anos de muito esforço para aqueles que atuam em clima e meio ambiente, e muita preocupação tanto com graves retrocessos quanto com as terríveis consequências disso tudo para a crise climática”, destaca Suely Araújo.

SENADO TERÁ MAIORIA COM BAIXA CONVERGÊNCIA AMBIENTAL

No Senado Federal, a tendência de distanciamento da agenda socioambiental aparece de maneira ainda mais acentuada. Dos 81 integrantes previstos para a próxima legislatura, 64 estão classificados nos níveis baixo ou muito baixo de convergência, o que corresponde a aproximadamente 79% da Casa.

Apenas 17 senadores, ou 21% do total, aparecem nas duas categorias de maior alinhamento com as políticas ambientais. Desse grupo, 12 parlamentares estão na faixa boa, enquanto somente cinco alcançaram a classificação muito boa.

O resultado representa uma piora em relação à composição que encerra seu mandato em 2026. Na legislatura atual, 58 senadores, equivalentes a 71,6%, estavam nas duas faixas de menor convergência ambiental.

Com a ampliação desse contingente para 64 parlamentares, o levantamento indica que a discussão de projetos relacionados à conservação, à adaptação climática e à proteção dos recursos naturais poderá enfrentar mais resistência na Casa.

CÂMARA DOS DEPUTADOS TAMBÉM APRESENTA CENÁRIO DESFAVORÁVEL

Na Câmara dos Deputados, o levantamento identificou 345 parlamentares, entre os 513 integrantes da Casa, com baixo ou muito baixo alinhamento à agenda ambiental. O número representa 67,3% dos deputados e deputadas federais.

Entre os demais integrantes, 40 parlamentares, equivalentes a 7,8%, foram classificados na faixa boa. Outros 128, ou 25% da Câmara, alcançaram o nível muito bom de convergência.

Na avaliação do Observatório do Clima, o resultado está relacionado ao avanço de partidos de extrema direita no Legislativo. Segundo a organização, essas siglas apresentam historicamente índices reduzidos de alinhamento às políticas ambientais.

O Partido Liberal (PL) é um dos exemplos citados no levantamento. A legenda passou de 15 para 28 cadeiras no Senado, alcançando 34,6% da composição da Casa, e ampliou sua bancada na Câmara de 98 para 121 deputados federais, o equivalente a 23,6% das vagas.

A presença expressiva de parlamentares com baixo alinhamento ambiental pode influenciar a tramitação de propostas e as negociações políticas em torno de medidas de conservação, fiscalização e combate às mudanças climáticas.

COMO FOI FEITA A ANÁLISE DOS PARLAMENTARES

Para elaborar o levantamento, o Observatório do Clima utilizou o índice de convergência ambiental e consultou informações de fontes oficiais, incluindo dados da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, das assembleias legislativas e dos governos.

A análise também recorreu à plataforma Farol Verde, do Instituto Democracia e Sustentabilidade, utilizada para acompanhar o posicionamento de representantes políticos em relação às pautas ambientais.

As fontes complementares permitiram classificar parlamentares eleitos que ainda não possuíam avaliação registrada no indicador.

Com a nova composição do Congresso prevista para 2027, os números antecipam um período de disputas em torno da legislação ambiental brasileira. O resultado das votações e das negociações entre bancadas será determinante para definir se as políticas de preservação e enfrentamento da crise climática avançarão ou enfrentarão novos obstáculos.


Com informações de Agência Brasil

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