Uma elevação repentina do nível do mar surpreendeu moradores do Litoral Sul de Santa Catarina na manhã desta segunda-feira (21). O fenômeno, confirmado como um tsunami meteorológico, atingiu áreas de Jaguaruna, Laguna e Imbituba e provocou alagamentos, danos em edificações e o arrastamento de embarcações.
De acordo com informações divulgadas pela Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina, o avanço da água ocorreu por volta das 6h e esteve relacionado a uma combinação de mudanças bruscas na pressão atmosférica e fortes rajadas de vento sobre o oceano.
Apesar dos estragos registrados nos municípios atingidos, até o momento não há informação sobre vítimas.
O episódio abriu uma semana de grandes mudanças nas condições do tempo em Santa Catarina. Depois dos temporais previstos entre esta segunda-feira e a manhã de terça (22), uma massa de ar frio e seco deve avançar pelo estado, derrubando as temperaturas e deixando o tempo mais firme. Na quarta-feira (23), os termômetros podem se aproximar de 0 °C nas áreas mais altas.
TSUNAMI METEOROLÓGICO ATINGIU TRÊS MUNICÍPIOS DO LITORAL SUL
Equipes das Defesas Civis municipais foram mobilizadas para avaliar os impactos em Jaguaruna, Laguna e Imbituba. Entre as ocorrências verificadas estão vias tomadas por água e areia, danos em imóveis e barcos arrastados pela força do mar.
O tsunami meteorológico é considerado um fenômeno raro e difícil de prever. Apesar do nome, sua origem é completamente diferente da dos tsunamis provocados por terremotos.
Nesse caso, a elevação rápida e temporária do nível do mar está relacionada a alterações abruptas da pressão atmosférica e à atuação de ventos intensos sobre o oceano. Dependendo da combinação desses fatores, a água pode avançar rapidamente sobre áreas costeiras.
A confirmação do fenômeno em Santa Catarina ocorreu após a análise conjunta de informações obtidas por radares meteorológicos, imagens de satélite, marégrafos e câmeras de segurança instaladas no litoral.
RAJADAS CHEGARAM A 90 KM/H NA REGIÃO
A análise meteorológica identificou uma linha de instabilidade sobre o Litoral Sul, caracterizada por uma faixa de nuvens organizada à frente da área de chuva.
O sistema provocou rajadas de vento sul entre 60 e 90 km/h. A combinação dos ventos fortes com mudanças na pressão atmosférica coincidiu com a elevação repentina do nível do mar registrada aproximadamente às 6h.
A alteração foi detectada pelos marégrafos instalados em Imbituba e Laguna e também apareceu em imagens de câmeras de segurança na região costeira.
Segundo o meteorologista da Defesa Civil de Santa Catarina Caio Guerra, a ocorrência depende de uma combinação bastante particular de fatores.
“Foi um fenômeno bastante específico, que depende da combinação de diferentes condições atmosféricas e, por isso, apresenta difícil previsibilidade. Para os próximos dias, apesar da previsão de mar agitado, não há indicação de um novo tsunami meteorológico, já que a chegada de uma massa de ar frio e seco reduz as condições favoráveis à formação de novas linhas de instabilidade sobre o mar”, explica o meteorologista da Defesa Civil de Santa Catarina, Caio Guerra.
TEMPORAIS AINDA AMEAÇAM SANTA CATARINA
Embora a tendência para os próximos dias seja de estabilização do tempo, esta segunda-feira ainda exige atenção em diferentes regiões catarinenses.
Durante a madrugada e a manhã, tempestades e vendavais que atingiram o Rio Grande do Sul avançaram em direção a Santa Catarina. As primeiras áreas afetadas ficaram principalmente próximas à divisa entre os dois estados, entre o Planalto Sul e o Litoral Sul.
Ao longo da tarde, a combinação de calor, umidade e instabilidade atmosférica cria condições para novos temporais. A previsão aponta que as tempestades devem começar pelo Oeste e posteriormente alcançar outras regiões.
O risco é considerado alto para ocorrências associadas a vendavais e granizo em grande parte de Santa Catarina e muito alto no Oeste e Extremo-Oeste.
Além de chuva intensa e queda de granizo, as tempestades podem trazer rajadas fortes de vento, aumentando a possibilidade de destelhamentos, quedas de árvores e interrupções localizadas no fornecimento de energia elétrica.
As áreas de instabilidade ainda devem permanecer sobre o estado durante a madrugada e a manhã de terça-feira, especialmente nas proximidades da divisa com o Paraná.
A partir daí, o cenário começa a mudar.
MASSA DE AR FRIO DERRUBA AS TEMPERATURAS
Depois da passagem das instabilidades, uma massa de ar frio e seco avança sobre Santa Catarina e deve provocar uma queda acentuada das temperaturas.
A mudança será perceptível principalmente quando comparada ao calor registrado nesta segunda-feira, quando os termômetros ainda podem ultrapassar os 30 °C em áreas do Oeste e do Norte catarinense.
Nos dias seguintes, as máximas devem ficar abaixo dos 20 °C em boa parte do estado.
O período mais frio está previsto para a manhã de quarta-feira, quando os termômetros podem registrar valores próximos de 0 °C nos pontos de maior altitude.
No Oeste, Meio-Oeste, Planaltos e nas regiões serranas da Grande Florianópolis, as mínimas devem variar entre 4 °C e 7 °C.
Entre o Litoral Sul e a Grande Florianópolis, são esperadas temperaturas entre 8 °C e 13 °C. Já no Litoral Norte, as mínimas devem ficar entre 10 °C e 13 °C.
Quinta (24) e sexta-feira (25) ainda devem começar frias, embora com mínimas um pouco mais elevadas.
A segunda metade da semana também deve trazer uma mudança importante para quem enfrentou os últimos dias de instabilidade: a tendência é de predomínio do tempo firme pelo menos até o próximo fim de semana.
RIOS MANTÊM TENDÊNCIA DE ELEVAÇÃO NO PLANALTO NORTE
Enquanto o tempo começa a mudar, a situação dos rios também permanece no radar da Defesa Civil.
Os volumes acumulados de chuva nos últimos dias, somados às precipitações previstas para segunda e terça-feira, mantêm a tendência de elevação dos níveis na bacia hidrográfica do Rio Iguaçu, no Planalto Norte catarinense.
Há risco de inundação gradual.
Os temporais também podem provocar elevações rápidas nos rios afluentes, além de enxurradas e alagamentos.
A orientação é para que moradores das áreas mais vulneráveis acompanhem os avisos meteorológicos e hidrológicos, especialmente enquanto as instabilidades ainda atuarem sobre Santa Catarina.
MAR DEVE FICAR AGITADO ATÉ QUINTA-FEIRA
Mesmo com a entrada do ar frio e a redução das condições para novos temporais, o oceano deve permanecer agitado.
Entre terça e quinta-feira, o predomínio do vento sul e os efeitos da passagem das instabilidades devem provocar ondas entre 2 e 3 metros.
A Defesa Civil ressalta que essa agitação marítima não representa a continuidade do tsunami meteorológico observado nesta segunda-feira. Trata-se de uma condição marítima associada principalmente aos ventos e à mudança do tempo.
Ainda assim, o cenário exige atenção de pescadores, navegadores, praticantes de esportes náuticos e banhistas.
A recomendação é evitar atividades no mar durante os períodos de maior agitação e respeitar eventuais orientações e restrições estabelecidas pelas autoridades locais.
DEFESA CIVIL REFORÇA ORIENTAÇÕES DE SEGURANÇA
Com a possibilidade de temporais ainda nesta segunda-feira e no começo de terça, a orientação é procurar abrigo seguro durante as tempestades e permanecer distante de árvores, postes, placas e outras estruturas vulneráveis às rajadas de vento.
Em locais alagados, pedestres e motoristas não devem tentar atravessar áreas cobertas pela água. Mesmo quando a profundidade parece pequena, correntezas podem representar risco para pessoas e veículos.
Quem estiver próximo ao litoral também deve acompanhar as condições marítimas e evitar a faixa de areia durante períodos de forte agitação.
A população pode receber alertas da Defesa Civil por diferentes canais. Pelo SMS, basta enviar o CEP para 40199. Também é possível cadastrar o CEP pelo WhatsApp, no número (61) 2034-4611.
O sistema Defesa Civil Alerta, baseado em Cell Broadcast, envia avisos emergenciais diretamente para celulares localizados em áreas de risco, sem necessidade de cadastro prévio.
Em situações de emergência, os telefones são 193, do Corpo de Bombeiros Militar, e 199, da Defesa Civil.