quarta-feira, 23 setembro , 2026

El Niño deve deixar a primavera mais chuvosa e instável em Santa Catarina

por Adriana Dias
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A primavera de 2026 começou em Santa Catarina trazendo não apenas dias mais longos, temperaturas em elevação e o período de floração. A estação também exige atenção para o aumento das chuvas e a ocorrência de temporais, que podem vir acompanhados de vendavais, granizo e até tornados.

A nova estação teve início às 21h05 desta terça-feira (22). Segundo a Defesa Civil de Santa Catarina, a combinação entre o aquecimento gradual da atmosfera, a passagem de massas de ar frio e a influência do El Niño deve favorecer episódios de instabilidade ao longo dos próximos meses.

O vento, uma das características desse período de transição, também ajuda a explicar por que a primavera é conhecida pela floração. “Sabe por que a primavera é a mais florida? Não é só porque vem de um período mais frio e seco e as flores desabrocham. É também porque, como tem mais vento, há mais distribuição de pólen”, explica a meteorologista da Defesa Civil, Francine Sacco.

PRIMAVERA AUMENTA CONDIÇÕES PARA TEMPORAIS EM SANTA CATARINA

A mudança entre o período mais frio e os meses quentes cria condições atmosféricas favoráveis à formação de temporais. Enquanto algumas massas de ar frio ainda avançam pelo estado, a atmosfera passa a contar com uma quantidade maior de calor.

Esse encontro produz diferenças de temperatura e pressão, formando o chamado gradiente atmosférico. Quanto maior esse contraste, maiores podem ser os efeitos sobre os ventos.

Frentes frias e ciclones também continuam influenciando o tempo, mas passam a encontrar uma atmosfera mais aquecida.

“A primavera tem um aumento significativo da ocorrência de temporais com granizo e ventos fortes, porque as nuvens se desenvolvem mais com maior calor disponível”, explica Francine.

Os registros históricos reforçam essa característica: setembro é o mês que concentra o maior número de ocorrências de vendavais em Santa Catarina, seguido por outubro. No sentido oposto, julho apresenta a menor quantidade de registros.

O maior contraste entre massas de ar também pode favorecer tornados e outros fenômenos severos. Já durante o verão, tornam-se mais frequentes episódios de chuva extremamente intensa em períodos curtos, popularmente conhecidos como bombas d’água.

EL NIÑO DEVE REFORÇAR AS CHUVAS NA PRIMAVERA DE 2026

A primavera já está entre os períodos mais chuvosos do calendário catarinense. Em 2026, porém, a presença do El Niño pode ampliar essa característica.

O fenômeno, associado ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico e a alterações na circulação atmosférica, deve contribuir para volumes maiores de chuva em Santa Catarina. O cenário também favorece temporais intensos e episódios de granizo.

Alguns sinais típicos da estação começaram a aparecer antes mesmo do equinócio. De acordo com a meteorologista, essa transição antecipada faz parte do comportamento normal da atmosfera e não ocorre exclusivamente por influência do El Niño.

“A gente sempre nota que o clima se modifica um pouquinho antes dos solstícios e dos equinócios”, afirma.

O equinócio marca o momento em que os raios solares incidem diretamente sobre a Linha do Equador, proporcionando duração semelhante para o dia e a noite nos dois hemisférios.

A partir daí, os dias ficam progressivamente mais longos no Hemisfério Sul até o solstício de verão, em 21 de dezembro.

NOITES DEVEM FICAR MENOS FRIAS

As temperaturas também passam por uma transição gradual. Durante a primavera, tardes mais aquecidas ainda podem dividir espaço com noites e madrugadas relativamente frias.

Sob influência do El Niño, entretanto, as temperaturas tendem a subir mais rapidamente, sobretudo durante a noite.

“Não se trata de calor extremo durante o dia, mas de noites menos frias, porque o céu mais nublado e a atmosfera mais úmida dificultam a queda da temperatura”, explica a meteorologista.

CHUVAS FREQUENTES AUMENTAM RISCO DE ENXURRADAS E DESLIZAMENTOS

Um dos principais pontos de atenção nesta primavera será a possibilidade de eventos de chuva ocorrerem com intervalos menores de tempo seco entre eles.

Quando o solo permanece encharcado e não há tempo suficiente para que a água escoe, aumentam os riscos associados tanto à hidrologia quanto à estabilidade do terreno.

Nesse cenário, episódios sucessivos podem favorecer enxurradas, alagamentos e inundações. Em regiões de encosta, o excesso de umidade também amplia a preocupação com movimentos de terra e deslizamentos.

A Defesa Civil informou que continuará monitorando as condições meteorológicas durante toda a estação e emitirá alertas sempre que houver risco para a população.

O QUE FAZER DURANTE CHUVAS FORTES E ALAGAMENTOS

A principal orientação é nunca tentar atravessar uma região alagada, independentemente de a pessoa estar a pé ou em um veículo.

A água pode esconder buracos, bueiros abertos e danos na pista. Além disso, a correnteza pode aumentar rapidamente e arrastar pessoas, carros e motocicletas.

Pontes e pontilhões cobertos pela água também devem ser evitados, mesmo quando o nível aparentemente estiver baixo. A recomendação é buscar um local protegido e esperar a situação normalizar.

CUIDADOS COM RAIOS, VENDAVAIS E GRANIZO

Com a aproximação de um temporal, a população deve procurar abrigo em construções fechadas ou veículos com teto rígido.

Áreas abertas, árvores isoladas, postes, estruturas metálicas e corpos d’água devem ser evitados durante tempestades com raios. Dentro de casa, é indicado manter distância de janelas e evitar contato com equipamentos ligados à rede elétrica e encanamentos.

Em situações de vendaval, objetos que possam ser carregados pelas rajadas devem ser recolhidos antes da chegada da tempestade. A recomendação também é permanecer distante de árvores, placas, janelas e estruturas que possam cair.

Durante uma chuva de granizo, o mais seguro é permanecer em ambiente coberto e longe de vidraças. Motoristas devem procurar abrigo e, caso isso não seja possível, estacionar em um ponto seguro e afastado de árvores.

COMO SE PROTEGER EM CASO DE TORNADO

Diante da aproximação de um tornado, a orientação é procurar um cômodo interno da construção, preferencialmente no andar mais baixo e distante das janelas.

A cabeça deve ser protegida com colchão, cobertor ou travesseiro. Banheiros internos podem servir como abrigo, desde que não apresentem grandes superfícies de vidro.

Em escolas, ginásios e espaços amplos devem ser evitados. A recomendação é buscar salas internas ou banheiros protegidos.

Quem estiver na rua deve procurar abrigo em uma construção. Dentro de um carro, se não houver possibilidade de chegar a um local mais seguro, a orientação é permanecer com o cinto afivelado e proteger a cabeça.

Após a passagem do fenômeno, é importante manter distância de fios elétricos caídos e construções danificadas.

MORADORES DE ENCOSTAS DEVEM OBSERVAR SINAIS NO TERRENO

A previsão de uma primavera mais úmida também exige atenção especial de moradores de áreas suscetíveis a deslizamentos.

Rachaduras ou fendas no solo, trincas em paredes e muros, estruturas estufadas, árvores ou postes inclinados, movimentações de terra e rochas e o surgimento repentino de pontos de umidade podem indicar instabilidade.

Ao identificar qualquer um desses sinais, a orientação é deixar imediatamente a área considerada de risco e entrar em contato com a Defesa Civil pelo telefone 199.

COMO RECEBER OS ALERTAS DA DEFESA CIVIL

A população pode acompanhar os avisos meteorológicos da Defesa Civil de Santa Catarina por diferentes canais.

Pelo SMS, basta enviar o CEP da região de interesse para o número 40199. Também é possível cadastrar o CEP pelo WhatsApp, no número (61) 2034-4611, além de acompanhar os comunicados pelo canal oficial do órgão no aplicativo e pelo site da Defesa Civil estadual.

Santa Catarina também conta com o Defesa Civil Alerta, sistema baseado em Cell Broadcast que envia avisos críticos diretamente para celulares localizados em regiões sob risco. Nesse caso, não é necessário cadastro prévio.

Em situações de emergência, a Defesa Civil pode ser acionada pelo telefone 199.

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