quinta-feira, 22 outubro , 2026

Dia do Professor tem origem histórica em Santa Catarina com Antonieta de Barros

por Francine Canto Boico
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Antonieta de Barros

Você sabia? Santa Catarina saiu na frente do país no reconhecimento dos profissionais da educação. Em 1948, a deputada e educadora Antonieta de Barros aprovou a lei estadual que instituiu o dia 15 de outubro como Dia do Professor e feriado escolar, 15 anos antes de a comemoração ser oficializada em todo o território nacional.

A iniciativa marcou a história da educação brasileira e reforçou uma das principais bandeiras defendidas por Antonieta ao longo da vida: o ensino como ferramenta de transformação social. Primeira mulher negra a conquistar um mandato parlamentar no Brasil, ela construiu uma trajetória que uniu educação, jornalismo, literatura e atuação política.

“A grandeza da vida, a magnitude da vida, gira em torno da educação”.

A frase sintetiza o pensamento de Antonieta e ajuda a compreender a importância de sua contribuição para a valorização dos professores e para a defesa do acesso ao conhecimento.

COMO ANTONIETA DE BARROS INSTITUIU O DIA DO PROFESSOR EM SANTA CATARINA

A Lei Estadual 145/1948, de autoria de Antonieta de Barros, estabeleceu o 15 de outubro como data comemorativa dos professores em Santa Catarina, com previsão de feriado escolar. A medida colocou o estado entre os pioneiros no reconhecimento oficial da categoria.

A oficialização nacional aconteceu somente em 1963, quando o então presidente João Goulart assinou o Decreto Federal 52.682, em 14 de outubro. A norma determinou a celebração do Dia do Professor em 15 de outubro em todo o país.

A escolha da data, porém, tem raízes ainda mais antigas. Em 15 de outubro de 1827, Dom Pedro I assinou um decreto que estabelecia regras para o ensino elementar no Brasil.

Mais de 120 anos depois, a iniciativa de Antonieta transformou o dia em uma ocasião de reconhecimento aos profissionais responsáveis pela formação de gerações.

QUEM FOI ANTONIETA DE BARROS

Nascida em Florianópolis, em 1901, Antonieta de Barros construiu uma trajetória marcada pela defesa da educação, da cidadania e da inclusão social. Em um período no qual mulheres negras enfrentavam grandes obstáculos para ocupar posições de destaque, ela conquistou espaço na política e na vida intelectual catarinense.

Em 1935, assumiu um mandato na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, tornando-se a primeira mulher negra a ocupar um cargo parlamentar no Brasil.

Sua atuação política esteve diretamente ligada à experiência como educadora. Aos 21 anos, fundou um curso de alfabetização voltado a pessoas sem condições financeiras, iniciativa que manteve por aproximadamente três décadas.

Além de ensinar Português e Literatura, Antonieta dedicou-se ao jornalismo. Ao longo da carreira, escreveu mais de mil artigos e fundou a revista Vida Ilhoa, ampliando sua participação no debate público.

Em 1937, publicou o livro Farrapos de Ideias. Os recursos obtidos com a primeira edição foram destinados às obras de uma escola para filhos de pacientes internados na Colônia Santa Teresa, demonstrando a relação entre sua produção intelectual e o compromisso com causas sociais.

Na obra, a escritora destacou que a alfabetização, por si só, não era suficiente para garantir a emancipação das pessoas. Para ela, o acesso à cultura também precisava alcançar as camadas mais vulneráveis da população.

“não basta a alfabetização. É preciso que se torne acessível, a todas as criaturas, a escalada deslumbradora […] Sem cultura, não se consegue a independência moral, … sente-se cada vez mais imperiosa a necessidade imprescindível de se conceder às massas, em toda sua plenitude, o pão do espírito”.

A EDUCAÇÃO COMO CAMINHO PARA A AUTONOMIA

Para Antonieta, ensinar significava muito mais do que transmitir conteúdos em sala de aula. A educação deveria oferecer ferramentas para que cada pessoa desenvolvesse autonomia, ampliasse seus horizontes e construísse o próprio futuro.

Essa concepção ficou evidente em um discurso pronunciado em 26 de novembro de 1945, no Teatro Álvaro de Carvalho, em Florianópolis.

“Educar é ensinar os outros a viver; é iluminar caminhos alheios; é amparar debilitados, transformando-os em fortes; é mostrar as veredas, apontar as escaladas, possibilitando avançar, sem muletas e sem tropeços; é transportar, às almas que o Senhor nos confiar, a força insuperável da fé.”

A declaração revela a dimensão social e humana que a educadora atribuía ao ensino. Sua atuação buscava ampliar oportunidades e combater as barreiras que impediam parte da população de ter acesso ao conhecimento.

Por isso, sua contribuição para a criação do Dia do Professor não pode ser separada de sua trajetória como professora, escritora, jornalista e parlamentar.

O LEGADO DE ANTONIETA DE BARROS CONTINUA ATUAL

A história do 15 de outubro em Santa Catarina representa mais do que uma antecipação do calendário nacional. A iniciativa de Antonieta associou o reconhecimento dos professores à defesa de uma educação acessível e capaz de promover mudanças na sociedade.

Seu pioneirismo também ganha relevância pelo contexto em que ocorreu. Como mulher negra em um ambiente político predominantemente masculino e branco, Antonieta abriu caminhos para outras gerações e deixou uma referência para a representação política, a comunicação e a educação.

Celebrar o Dia do Professor é, portanto, uma oportunidade de recuperar essa memória e refletir sobre a importância dos educadores na construção de uma sociedade mais justa e democrática.

A valorização da categoria permanece ligada a desafios como a qualidade do ensino público, a igualdade de oportunidades e a garantia de condições adequadas de aprendizagem para todos os estudantes.

SANTA CATARINA REDUZ O ANALFABETISMO E AVANÇA NA APRENDIZAGEM

Os indicadores educacionais apresentados para 2025 apontam avanços em Santa Catarina, principalmente na redução do analfabetismo e no desempenho dos estudantes do ensino fundamental. Ao mesmo tempo, os resultados mostram que o ensino médio continua sendo uma etapa que exige atenção.

Na alfabetização, o estado registrou taxa de analfabetismo de 1,5% em 2025, ante 1,9% no ano anterior. Com esse resultado, Santa Catarina ficou na segunda posição entre as unidades da Federação com os menores índices, atrás apenas do Distrito Federal.

No cenário nacional, a taxa de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais chegou a 4,9% em 2025, conforme os dados informados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua).

A redução representa um avanço importante, mas a continuidade dos resultados depende de ações que garantam a alfabetização na idade adequada e ampliem o acesso à educação de qualidade.

IDEB MOSTRA MELHORA NO ENSINO FUNDAMENTAL

Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) também apontam evolução no desempenho dos estudantes catarinenses entre 2023 e 2025.

Nos anos iniciais do ensino fundamental, que abrangem do 1º ao 5º ano, a nota estadual subiu de 6,4 para 6,7. Nos anos finais, do 6º ao 9º ano, o indicador passou de 5,2 para 5,4.

No ensino médio, a nota informada para Santa Catarina foi de 4,5, resultado que evidencia a necessidade de fortalecer as estratégias de aprendizagem e as políticas de permanência dos jovens na escola.

Na comparação com o Brasil, o estado apresentou resultados superiores nos dois ciclos do ensino fundamental. Nos anos iniciais, a média nacional foi de 6,3, enquanto Santa Catarina alcançou 6,7.

Nos anos finais, o país registrou 5,3, ante 5,4 no estado. Já no ensino médio, a pontuação foi a mesma nas duas esferas: 4,5.

Os números indicam avanços no ensino fundamental catarinense, mas também mostram que a melhoria da aprendizagem no ensino médio é um desafio compartilhado nacionalmente.

INFRAESTRUTURA ESCOLAR AINDA EXIGE ATENÇÃO

As condições físicas e os serviços disponíveis nas escolas também influenciam a qualidade da educação. Dados do portal QEdu sobre Santa Catarina apontam cobertura de 100% para alimentação escolar e energia elétrica.

O levantamento informado indica ainda acesso à água em 90% das unidades de ensino e disponibilidade de banda larga em 92% das escolas.

Embora os índices mostrem ampla cobertura de serviços essenciais, os percentuais também revelam oportunidades de melhoria, principalmente na expansão do acesso à água e à conectividade.

A infraestrutura adequada é importante para garantir ambientes de aprendizagem mais seguros, inclusivos e preparados para atender às necessidades dos estudantes.

OS DESAFIOS PARA O FUTURO DA EDUCAÇÃO CATARINENSE

A redução do analfabetismo e a evolução das notas do ensino fundamental apontam resultados positivos para Santa Catarina. A manutenção desse progresso, no entanto, exige políticas públicas contínuas e atenção às diferenças entre redes de ensino e municípios.

Entre as prioridades estão fortalecer a alfabetização na idade certa, ampliar a infraestrutura das escolas, reduzir desigualdades educacionais e melhorar os resultados do ensino médio.

Esses desafios ajudam a dimensionar a atualidade do pensamento de Antonieta de Barros. Décadas depois de sua atuação política, a defesa da educação como direito e instrumento de emancipação continua sendo central para o desenvolvimento social.

O pioneirismo catarinense na criação do Dia do Professor recorda que valorizar os educadores também significa investir em oportunidades, conhecimento e cidadania. Mais do que instituir uma data comemorativa, Antonieta deixou uma contribuição histórica para a construção de uma educação capaz de transformar vidas.


Com informações de ALESC

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