Julia Zanatta é alvo de ação na PGR após deputada chamar Lula de “corrupto de nove dedos”
A deputada federal Julia Zanatta (PL-SC) passou a ser investigada após chamar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “corrupto de nove dedos” durante a entrega de uma viatura à Polícia Civil de Criciúma, em Santa Catarina. A declaração gerou uma representação formal na Procuradoria-Geral da República (PGR), protocolada pelos deputados federais Pedro Uczai (PT-SC) e Ana Paula Lima (PT-SC).
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PEDIDOS DE INVESTIGAÇÃO ENVOLVEM DIVERSAS ESFERAS
No documento enviado à PGR, os parlamentares solicitam a abertura de investigações nas áreas criminal, administrativa, eleitoral e disciplinar. O objetivo é apurar possíveis infrações cometidas por Julia Zanatta, incluindo calúnia, injúria e difamação contra o presidente da República.
Além disso, os deputados pedem que a Controladoria-Geral da União (CGU) examine a conduta da parlamentar, verificando eventual improbidade administrativa. O Ministério Público Eleitoral também foi acionado para analisar se houve propaganda eleitoral extemporânea, em razão da divulgação do vídeo com as falas da deputada.
ACUSAÇÃO DE AUTOPROMOÇÃO DURANTE ENTREGA DE VIATURA
Segundo a representação, Julia Zanatta teria usado a entrega da viatura como oportunidade de autopromoção, violando o princípio da impessoalidade previsto no artigo 37 da Constituição Federal. O documento afirma que “o vídeo teve nítido objetivo de enaltecer sua pessoa perante o eleitorado, fora do período legal de campanha”, configurando, ainda conforme os parlamentares, propaganda eleitoral antecipada, em desacordo com o artigo 36 da Lei nº 9.504/1997.
DECLARAÇÃO CONSIDERADA EXTRAPOLADA
Durante o evento em Criciúma, Julia Zanatta afirmou esperar que a viatura fosse utilizada “para prender o maior corrupto do Brasil, o nove dedos”. Para os deputados petistas, a fala ultrapassou os limites da liberdade de expressão, constituindo calúnia, injúria e difamação contra o chefe do Executivo.
A representação ressalta que a acusação não foi genérica, mas sim direcionada ao presidente Lula, imputando-lhe diretamente o crime de corrupção. Também é lembrado que a imunidade parlamentar prevista no artigo 53 da Constituição não é absoluta e não cobre todas as formas de conduta ilícita.
CONTROVÉRSIAS ANTERIORES ENVOLVENDO JULIA ZANATTA
A deputada já esteve envolvida em polêmicas anteriores com partidos de esquerda. Em agosto, Julia Zanatta foi criticada por levar a filha bebê a uma ocupação do plenário da Câmara durante protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na ocasião, alegou que precisou levar a criança para amamentação durante o bloqueio da pauta. O deputado Reimont (PT-RJ), presidente da Comissão de Direitos Humanos, acionou o Conselho Tutelar de Brasília, alegando violação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
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