domingo, 25 outubro , 2026

Lula na ONU 2026: Veja vídeo com discurso completo

por Conecta SC
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Lula discurso na Onu 2026 foto stuckert

Lula critica guerras, defende soberania e cobra mudanças na ONU em discurso

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou o discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (22), em Nova York, para defender a soberania dos países, criticar interferências externas em processos eleitorais e cobrar mudanças no sistema multilateral. Guerras, democracia, desinformação, segurança pública e mudanças climáticas também estiveram entre os principais temas abordados pelo brasileiro.

Em cerca de 20 minutos diante de representantes dos Estados-membros da ONU, Lula afirmou que a organização atravessa seu momento mais crítico desde 2003, quando discursou pela primeira vez na Assembleia Geral. Segundo ele, a incapacidade de conter conflitos e proteger populações vulneráveis compromete a credibilidade das Nações Unidas.

Veja vídeo com o discurso de Lula na ONU:

LULA CRITICA ATUAÇÃO DA ONU DIANTE DAS GUERRAS

Uma das partes mais contundentes do pronunciamento foi dedicada aos conflitos internacionais e à estrutura das Nações Unidas.

Lula voltou a questionar o funcionamento do Conselho de Segurança e, principalmente, o poder de veto concedido aos cinco membros permanentes do órgão. Para o presidente, o mecanismo contribui para a paralisia da comunidade internacional diante das guerras.

“O sentimento que me move hoje é o da indignação”, afirmou. Em seguida, disse que “a capacidade da ONU de proteger os mais vulneráveis, os que não têm exércitos nem arsenais, nunca foi tão pequena”.

Ao abordar a guerra no Oriente Médio, Lula criticou as ações do governo de Benjamin Netanyahu em Gaza e também condenou os ataques do Hamas contra civis israelenses.

SOBERANIA E INTERFERÊNCIA EXTERNA GANHAM DESTAQUE

A defesa da soberania nacional foi outro eixo central do discurso, especialmente quando Lula tratou da América Latina e do Caribe.

O presidente afirmou que a região enfrenta pressões em um cenário de aumento das disputas entre potências e defendeu que os países possam decidir seus próprios caminhos políticos.

Lula discurso na Onu 2026 foto stuckert
Lula durante Abertura do Debate Geral de Alto Nível da 81.ª Sessão Ordinária da Assembleia Geral das Nações Unidas, realizado na Sede das Nações Unidas, Nova York – EUA.
Foto: Ricardo Stuckert.

“Na América Latina e Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável, sobretudo no contexto do recrudescimento de tentações hegemônicas. O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, declarou.

A afirmação reforçou uma mensagem que já vinha sendo antecipada pelo governo brasileiro antes da Assembleia Geral. O site oficial do PT havia informado, dias antes, que Lula pretendia concentrar parte do pronunciamento na defesa da democracia, da soberania e do princípio de não interferência nos assuntos internos de outros países.

ELEIÇÕES BRASILEIRAS ENTRAM NO DISCURSO

A menos de duas semanas do primeiro turno das eleições brasileiras, Lula também levou o cenário político nacional à tribuna da ONU.

Sem citar diretamente um governo estrangeiro ao falar das eleições, o presidente alertou para interferências externas e para a atuação de redes de desinformação durante campanhas eleitorais.

“Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos ou externos, atentem contra a vontade popular. O Brasil continuará sendo um país soberano. Ninguém nos afastará desse caminho”, declarou.

Lula também afirmou confiar nas instituições brasileiras e no sistema eleitoral para assegurar o resultado das urnas.

VENEZUELA, NICARÁGUA, HAITI E CUBA SÃO CITADOS

Ao ampliar o discurso para a América Latina e o Caribe, Lula mencionou diferentes situações políticas e humanitárias da região.

Sobre a Venezuela, defendeu que o próprio povo venezuelano determine seu futuro sem interferências externas. Em relação à Nicarágua, afirmou que os problemas do país não serão solucionados com restrições à participação da oposição nas eleições.

O presidente também mencionou a crise humanitária no Haiti e voltou a criticar o embargo econômico imposto a Cuba.

LULA REJEITA INTERVENÇÃO ESTRANGEIRA CONTRA O CRIME ORGANIZADO

Outro ponto do pronunciamento foi a segurança pública. Lula rejeitou o uso de forças estrangeiras no combate ao crime organizado dentro do território brasileiro e defendeu uma estratégia baseada na cooperação entre países.

“Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas; precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastece o crime organizado”, afirmou.

Segundo o presidente, a colaboração internacional deve se concentrar principalmente no combate ao tráfico de armas e à lavagem de dinheiro. Ele afirmou que o Brasil apresentou aos Estados Unidos uma proposta de cooperação nessa área.

DESINFORMAÇÃO, VACINAS E MUDANÇAS CLIMÁTICAS

O avanço da desinformação também apareceu em diferentes momentos do discurso. Lula relacionou o problema tanto às eleições quanto à disseminação de conteúdos contrários a evidências científicas.

O presidente citou campanhas contra vacinas e alertou para o retorno de doenças anteriormente controladas. Também defendeu o fortalecimento da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Na pauta ambiental, Lula criticou a perda de espaço das mudanças climáticas nas discussões internacionais e cobrou uma retomada das ações globais contra o aquecimento do planeta. O presidente mencionou ainda a redução do desmatamento da Amazônia e iniciativas apresentadas pelo Brasil durante a COP30.

DISCURSO REFORÇA DEFESA DO MULTILATERALISMO

Ao reunir temas como guerras, democracia, soberania, segurança e clima, Lula voltou a defender o multilateralismo como instrumento para enfrentar problemas que ultrapassam as fronteiras nacionais.

A posição também havia sido antecipada pelo PT antes da viagem a Nova York. A legenda informou que o presidente voltaria a defender uma reforma do Conselho de Segurança e uma atualização da estrutura de governança internacional.

Na prática, o pronunciamento combinou pautas tradicionais da política externa brasileira — como reforma das instituições multilaterais, integração regional e soberania — com questões diretamente relacionadas ao atual cenário político e eleitoral do Brasil.

Lula discursou antes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mantendo a tradição de o Brasil abrir o debate geral da Assembleia das Nações Unidas.

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