Santa Catarina deve enfrentar mais dias de instabilidade, com previsão de chuva durante o fim de semana e o feriado de 12 de outubro. A Defesa Civil estadual alerta para a possibilidade de temporais, alagamentos, enxurradas e deslizamentos, especialmente em regiões que já registraram volumes elevados de precipitação nos últimos dias.
Entre domingo, 4, e sexta-feira, 9, as condições meteorológicas adversas provocaram 71 ocorrências em 64 municípios catarinenses. O balanço da Defesa Civil aponta que oito cidades decretaram situação de emergência, enquanto 536 pessoas ficaram desalojadas e outras 260 precisaram deixar suas casas e foram consideradas desabrigadas.
TEMPORAIS DEVEM ATINGIR DIFERENTES REGIÕES DO ESTADO
A previsão indica que os episódios mais intensos de chuva devem ocorrer entre a tarde desta sexta-feira, 9, e o amanhecer de sábado, 10. As instabilidades começaram pelo Oeste e avançam para outras áreas catarinenses ao longo da tarde e do início da noite.
Segundo o meteorologista Caio Guerra, da Defesa Civil de Santa Catarina, há risco elevado de ocorrências relacionadas à chuva intensa e aos ventos fortes em diferentes regiões.
“O risco é alto para chuva intensa, com alagamentos e enxurradas, e para temporais com ventos fortes no Meio-Oeste, nos Planaltos, no Vale do Itajaí, no Litoral Norte e na Grande Florianópolis”, explica o meteorologista Caio Guerra, da Defesa Civil de SC.
Entre a noite de sexta-feira e a madrugada de sábado, novas pancadas de chuva e temporais devem avançar novamente pelo Extremo-Oeste e pelo Oeste. Durante o sábado, a tendência é de redução da intensidade das instabilidades, embora ainda possa chover de forma isolada. Também são esperados períodos de abertura de sol entre nuvens.
O solo encharcado aumenta a preocupação com deslizamentos pontuais, principalmente no Planalto Norte, no Litoral Norte, no Vale do Itajaí e no Oeste. Por isso, a recomendação é redobrar os cuidados em áreas de encosta e em trechos de rodovias sujeitos a desmoronamentos.
FERIADO DE 12 DE OUTUBRO TERÁ TEMPERATURAS MAIS BAIXAS
No domingo, 11, e na segunda-feira, 12, o céu deve permanecer predominantemente nublado em Santa Catarina. A previsão aponta possibilidade de chuva em diferentes momentos, além de temporais isolados.
Outro fator que deve chamar a atenção é a intensificação do vento sul, que contribuirá para a queda das temperaturas, principalmente nas áreas litorâneas.
Enquanto as máximas podem variar entre 25 °C e 30 °C nesta sexta-feira e no sábado, os termômetros não devem ultrapassar os 20 °C a partir de domingo, conforme a previsão meteorológica.
A instabilidade também deve continuar durante a próxima semana. A circulação de umidade proveniente do oceano tende a favorecer a ocorrência de chuva persistente, sobretudo no Litoral.
“O transporte de umidade do oceano para o continente deve favorecer a chuva persistente, principalmente no Litoral”, informa Caio Guerra.
A Defesa Civil ressalta que as condições do tempo podem mudar e orienta a população a acompanhar os avisos e boletins meteorológicos divulgados pelos canais oficiais.
CHUVA, VENDAVAIS E GRANIZO CAUSARAM 71 OCORRÊNCIAS
Os estragos registrados desde o último domingo foram provocados por diferentes fenômenos meteorológicos, incluindo chuva intensa, rajadas de vento e queda de granizo.
As ocorrências se espalharam por 14 regionais de Santa Catarina, com danos em residências, prédios públicos, estruturas agrícolas, estradas e redes de distribuição de energia elétrica.
No início da semana, os vendavais atingiram principalmente municípios do Grande Oeste. Em Arroio Trinta, a queda de árvores e barreiras bloqueou seis vias. O vento também danificou seis residências e atingiu barracões, estufas, instalações de produção leiteira e pavilhões comunitários. Algumas comunidades ficaram sem fornecimento de energia.
Em Fraiburgo, o temporal comprometeu coberturas metálicas, placas e outdoors, além de provocar destelhamentos em aproximadamente 35 casas. Árvores caídas também causaram interrupções no fornecimento de energia e bloquearam duas vias entre o município e Monte Carlo.
Treze Tílias contabilizou danos em dez habitações, com destelhamentos parciais e queda de árvores. Já em Matos Costa, na Linha Assentamento 13 de Outubro, duas árvores bloquearam vias e os ventos danificaram seis casas, dois barracões e quatro estufas.
Em Vargeão, os prejuízos atingiram cerca de 50 residências, quatro estabelecimentos comerciais e três unidades escolares. Entre os prédios afetados estão a creche municipal e a escola de período integral.
ALAGAMENTOS E DESLIZAMENTOS AFETAM MUNICÍPIOS CATARINENSES
A chuva acumulada e a dificuldade de escoamento dos rios provocaram alagamentos em municípios do Planalto Norte ao longo da semana.
Em Rio Negrinho, a água atingiu o Centro e o bairro Quitandinha. Um deslizamento na Rua Idelfonso Grossl também comprometeu o pavimento. O município mantém um abrigo em funcionamento e contabiliza quatro habitações afetadas, sete pessoas desabrigadas e outras 43 desalojadas.
Em Otacílio Costa, a inundação gradual, iniciada em 1º de outubro, atingiu 22 residências e deixou 57 pessoas desalojadas. A prefeitura também precisou abrir um abrigo para atender os moradores afetados.
Em Itaiópolis, o volume de chuva acumulado alagou estradas e levou à suspensão das aulas. Já em Paial, foram registrados danos em instalações agrícolas.
Os problemas continuaram na quinta-feira, 8, quando uma nova rodada de temporais, acompanhada de granizo e vendavais, provocou ocorrências em 11 municípios.
Em São Cristóvão do Sul, os ventos atingiram o bairro Monte Alegre e a localidade de Papuã, nas proximidades da BR-470. O ginásio de esportes e aproximadamente 22 residências tiveram as coberturas danificadas, deixando 16 pessoas desalojadas.
Em Itaiópolis, a combinação de granizo e vento forte provocou destelhamentos e quebras de telhas nas localidades de Santo Antônio, São João, Paraguaçu e Lucena. Até o momento do levantamento, oito habitações haviam sido afetadas.
OITO MUNICÍPIOS DECRETARAM SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA
Diante dos prejuízos causados pelos eventos climáticos, oito cidades catarinenses decretaram situação de emergência:
- Vargeão;
- Fraiburgo;
- Treze Tílias;
- Arroio Trinta;
- Rio Negrinho;
- Itaiópolis;
- Paial;
- São Cristóvão do Sul.
A medida permite que os municípios adotem procedimentos específicos para enfrentar os impactos dos temporais e organizar o atendimento à população atingida.
DEFESA CIVIL DISTRIBUI TELHAS PARA REPARAR CASAS DANIFICADAS
A Defesa Civil de Santa Catarina iniciou a distribuição de materiais de assistência humanitária para auxiliar as cidades atingidas pela chuva e pelos vendavais.
Desde domingo, 4, quatro municípios solicitaram telhas e cumeeiras, peças utilizadas para vedar a junção das águas do telhado e reduzir o risco de infiltrações.
Confira a quantidade de materiais solicitada por cada município:
- Fraiburgo: 740 unidades;
- Vargeão: 763 unidades;
- São Cristóvão do Sul: 440 unidades;
- Arroio Trinta: 170 unidades.
O atendimento ocorre por meio das coordenadorias regionais da Defesa Civil, que acompanham as ocorrências, auxiliam no levantamento dos danos e colaboram com a reposição dos materiais necessários.
O órgão também mantém o monitoramento dos níveis dos rios nas áreas afetadas e continua emitindo alertas conforme a evolução das condições meteorológicas.
VEJA COMO SE PROTEGER DURANTE A CHUVA FORTE
Com a previsão de novas instabilidades e a necessidade de reparos nas residências atingidas, a Defesa Civil reforça as orientações de segurança para os próximos dias.
Uma das principais recomendações é evitar subir em telhados molhados para substituir telhas ou consertar coberturas danificadas. A combinação de superfícies escorregadias e ventos fortes aumenta o risco de quedas. Sempre que possível, os reparos devem ser realizados por profissionais e apenas quando as condições do tempo forem seguras.
Também é importante manter distância de paredes, coberturas e outras estruturas que tenham sido comprometidas pelos temporais, pois elas podem desabar.
Durante tempestades e vendavais, a orientação é permanecer em locais protegidos, longe de janelas e de objetos que possam ser lançados pelo vento. Árvores, postes, placas e estruturas semelhantes também devem ser evitados.
Em situações de alagamento, não se deve atravessar ruas inundadas, pontes ou pontilhões cobertos pela água, seja a pé ou de carro. Além do risco de arrastamento pela correnteza, a água pode esconder buracos e outros obstáculos.
Quem mora em áreas de encosta precisa observar possíveis sinais de movimentação do terreno, como rachaduras no solo, em muros e paredes, inclinação de árvores e postes ou surgimento de água escorrendo pela encosta.
Ao perceber qualquer uma dessas alterações, a recomendação é sair do local e procurar abrigo seguro. Em caso de ocorrência, a população deve acionar a Defesa Civil do município.
Com a previsão de chuva persistente e a possibilidade de novos temporais, a atenção deve continuar durante todo o feriado e nos próximos dias, especialmente nas regiões que já apresentam solo encharcado, rios elevados e estruturas danificadas.
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Com informações de SECOM / SC