Florianópolis ocupa o primeiro lugar entre as capitais brasileiras com maior concentração de bares com entretenimento por habitante. A cada 100 mil moradores, a capital catarinense reúne 77 estabelecimentos desse perfil, que inclui espaços com música ao vivo, shows e pistas de dança. Os dados são de um levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), com informações atualizadas até julho de 2026.
O estudo utiliza registros do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), dados populacionais do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e informações territoriais de 2025. Pela primeira vez, a pesquisa diferencia os bares que oferecem entretenimento daqueles voltados ao modelo tradicional, com atendimento em balcões e mesas.
A novidade permite observar dois aspectos distintos da vida noturna brasileira: as cidades que concentram estabelecimentos com atrações musicais e as capitais onde os botecos tradicionais continuam predominantes.
FLORIANÓPOLIS TEM QUASE METADE DOS BARES VOLTADA AO ENTRETENIMENTO
Além de liderar o ranking proporcional, Florianópolis chama a atenção pela participação dos estabelecimentos com entretenimento no conjunto de bares da cidade. Dos 850 locais contabilizados no levantamento, 49% têm essa atividade como principal.
Em Belo Horizonte, que aparece na segunda posição do ranking, essa proporção é de 34%. A capital mineira registra 58,4 bares com entretenimento por 100 mil habitantes, enquanto Boa Vista, em Roraima, ocupa o terceiro lugar, com índice de 58.
Vitória, no Espírito Santo, aparece na quarta colocação, com 55,1 estabelecimentos por 100 mil moradores. Palmas, no Tocantins, completa as cinco primeiras posições, com 54,8.
Para a presidente da Abrasel SC, Juliana Débastiani, o resultado reforça a importância da gastronomia e da vida noturna para a economia catarinense.
“Florianópolis não encanta somente pelas belas praias. Nossa gastronomia e vida noturna também são grandes atrativos e diferenciais competitivos da cidade. Liderar esse ranking nacional reforça a força de um setor que gera empregos, movimenta a economia e impulsiona o turismo. Precisamos valorizar esse protagonismo e garantir um ambiente favorável para que os negócios continuem crescendo e investindo”, avalia Juliana Débastiani, presidente da Abrasel SC.
BELO HORIZONTE MANTÉM O TÍTULO DE CAPITAL DOS BOTECOS
Se Florianópolis se destaca pelos bares com atrações, Belo Horizonte continua à frente quando o assunto são os estabelecimentos sem entretenimento. A capital mineira contabiliza 111,9 bares tradicionais por 100 mil habitantes, número superior aos 81,2 registrados em Florianópolis e aos 81,1 de Vitória.
Quando os dois modelos são considerados em conjunto, Belo Horizonte permanece na liderança nacional. A cidade possui 3.944 bares, o equivalente a 170 estabelecimentos por 100 mil moradores.
Florianópolis aparece na sequência, com 158 bares por 100 mil habitantes, enquanto Vitória ocupa o terceiro lugar, com 136.
A capital mineira também se destaca pela concentração de bares em relação à área urbana. São 7,8 estabelecimentos sem entretenimento e 4,1 com entretenimento por quilômetro quadrado. São Paulo aparece na segunda posição nos dois indicadores.
“Belo Horizonte continua sendo a capital dos botecos, e agora sabemos onde a noite ferve. Os bares com entretenimento movimentam o turismo, empregam músicos e técnicos e dão vida às cidades depois das dez da noite. Esse negócio precisa de regras claras e estáveis para funcionar e crescer”, afirma José Eduardo Camargo, líder de Conteúdo e Inteligência da Abrasel.
OITO CAPITAIS TÊM MAIS BARES COM MÚSICA E ATRAÇÕES
O levantamento também identificou oito capitais brasileiras onde os estabelecimentos com entretenimento superam os bares tradicionais. A diferença é especialmente expressiva em São Luís, no Maranhão, que registra 483 bares com entretenimento, contra 234 sem essa característica.
Manaus, no Amazonas, apresenta cenário semelhante, com 457 estabelecimentos com atrações e 232 bares tradicionais.
Também fazem parte desse grupo Macapá, Belém, Boa Vista, João Pessoa, Porto Velho e Brasília. Os números indicam que, nessas cidades, os bares associados à música e a outras formas de entretenimento têm presença relevante na atividade econômica do setor.
Na divisão por regiões, Florianópolis lidera o Sul, enquanto Belo Horizonte ocupa a primeira posição no Sudeste. No Norte, Boa Vista se destaca com 58 bares com entretenimento por 100 mil habitantes.
No Nordeste, São Luís lidera com 46,5 estabelecimentos por 100 mil moradores. Já no Centro-Oeste, Brasília aparece à frente, com 42,7.
SÃO PAULO TEM O MAIOR NÚMERO DE BARES COM ENTRETENIMENTO
Embora não lidere proporcionalmente, São Paulo possui o maior número absoluto de bares com entretenimento entre as capitais brasileiras. São 4.028 estabelecimentos desse tipo, o equivalente a 35,2 por 100 mil habitantes, índice que coloca a cidade na 11ª posição nacional.
O Rio de Janeiro aparece na 18ª colocação, com 1.781 bares com entretenimento e uma proporção de 28,7 por 100 mil moradores.
A comparação com a pesquisa de 2023 também revela mudanças no número total de bares ativos. São Paulo passou de 9.043 para 9.534 estabelecimentos, enquanto o Rio de Janeiro registrou uma redução de 6.175 para 5.397.
Belo Horizonte também apresentou queda, de 4.136 para 3.944 bares. Florianópolis, por outro lado, passou de 808 para 850 estabelecimentos no período comparado.
Os números mostram que o volume absoluto de bares não determina, sozinho, a posição de uma capital no ranking proporcional. O tamanho da população influencia diretamente o resultado e permite comparar cidades de diferentes dimensões.
COMO A ABRASEL FEZ O LEVANTAMENTO
Para elaborar a pesquisa, a Abrasel cruzou os registros de empresas ativas no CNPJ, com dados atualizados até julho de 2026, com as informações populacionais do Censo 2022 do IBGE e a área territorial das capitais em 2025.
A análise considerou o código da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) registrado como atividade principal de cada estabelecimento. A separação permite distinguir os bares com entretenimento daqueles sem essa característica.
Essa metodologia também estabelece um limite importante para a interpretação dos resultados: estabelecimentos cuja atividade principal está registrada como restaurante não entram na contagem, mesmo que funcionem como bares durante a noite.
Assim, o ranking oferece um retrato dos negócios formalmente classificados como bares e ajuda a compreender as diferenças entre as capitais brasileiras na oferta de entretenimento e na presença dos tradicionais botecos.
RANKING DE BARES COM ENTRETENIMENTO POR 100 MIL HABITANTES
Confira a classificação completa das 27 capitais brasileiras segundo o número de bares com entretenimento proporcional à população:
- Florianópolis (SC): 77,1
- Belo Horizonte (MG): 58,4
- Boa Vista (RR): 58,0
- Vitória (ES): 55,1
- Palmas (TO): 54,8
- São Luís (MA): 46,5
- Belém (PA): 44,9
- Brasília (DF): 42,7
- Goiânia (GO): 39,8
- Salvador (BA): 37,0
- São Paulo (SP): 35,2
- Rio Branco (AC): 34,3
- Porto Alegre (RS): 32,7
- Macapá (AP): 32,1
- Cuiabá (MT): 30,9
- Curitiba (PR): 30,3
- Natal (RN): 29,9
- Rio de Janeiro (RJ): 28,7
- Teresina (PI): 28,1
- João Pessoa (PB): 27,8
- Campo Grande (MS): 27,4
- Porto Velho (RO): 26,9
- Fortaleza (CE): 23,5
- Manaus (AM): 22,1
- Recife (PE): 18,1
- Aracaju (SE): 17,6
- Maceió (AL): 15,3
RANKING DE BARES SEM ENTRETENIMENTO
Entre os bares tradicionais, Belo Horizonte mantém a liderança. Veja as dez primeiras capitais, considerando o número de estabelecimentos por 100 mil habitantes:
- Belo Horizonte (MG): 111,9
- Florianópolis (SC): 81,2
- Vitória (ES): 81,1
- Curitiba (PR): 62,8
- Goiânia (GO): 60,5
- Palmas (TO): 60,5
- Rio de Janeiro (RJ): 58,2
- Porto Alegre (RS): 50,6
- São Paulo (SP): 48,1
- Salvador (BA): 44,4
Com os dois rankings, a pesquisa evidencia a diversidade do setor de bares no Brasil. Florianópolis se destaca pela presença proporcional de estabelecimentos com atrações e música, enquanto Belo Horizonte preserva sua posição como referência nacional dos botecos tradicionais.
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