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Atores brasileiros defendem que a regulamentação do streaming é urgente para salvar o audiovisual brasileiro

Você já parou para pensar em quem está por trás das séries e filmes que consome nas plataformas de streaming? E mais: já se perguntou se essas produções refletem nossa cultura, nosso povo, nossas histórias? Pois bem, esse é o centro de uma intensa mobilização que vem ganhando força no setor audiovisual brasileiro.

Durante a abertura do Festival de Cinema Sul-Americano de Bonito (Cinesur),  cineastas, atores e representantes da cultura nacional deram um recado claro: a regulamentação do streaming é urgente — e não apenas para proteger a indústria, mas para garantir o futuro da cultura brasileira.

UM MANIFESTO QUE ECOA NAS TELAS E NOS PALCOS

Chamado de Manifesto por uma Regulamentação do Streaming à Altura do Brasil, o documento, já assinado por milhares de profissionais do setor, propõe regras claras para plataformas como Netflix, Prime Video e Globoplay. Segundo o texto, “a regulamentação do vídeo sob demanda (VOD) é hoje a medida mais urgente e estratégica para garantir o futuro do audiovisual brasileiro”.

Entre as propostas, está a obrigatoriedade de que as plataformas invistam ao menos 12% de sua receita bruta no Brasil. Deste montante, 70% iriam para o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), via Condecine — a Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional. Já os 30% restantes seriam aplicados diretamente pelas plataformas em produções brasileiras independentes, fortalecendo o setor privado.

ATORES ENTRAM EM CENA PELA SOBERANIA CULTURAL

Durante o Cinesur, nomes como Antônio Pitanga, Maeve Jinkings e Bárbara Paz deram voz à urgência da causa. Pitanga, com sua experiência e militância, foi direto: “Temos que estar acesos e ligados com essa discussão e colocar a cara na vitrine […] Estamos trabalhando com a proposta de taxação de 12%, mas os 6% já nos contemplariam. Temos que defender o cinema nacional”.

Maeve Jinkings, conhecida por transitar entre teatro, TV e streaming, levantou uma questão fundamental: “O que é que essas plataformas têm a dar para essa cadeia local aqui? Como é que a gente pode nutrir essa cadeia a partir da nossa gente, das nossas histórias?”. Para ela, há uma insatisfação latente que precisa ser enfrentada com mais diálogo e menos disputas internas: “Onde está o dinheiro?”, provocou.

A diretora e atriz Bárbara Paz também foi categórica: “Não tem como não defender isso. Isso é urgente. Estamos muito atrasados nisso”.

NO MINISTÉRIO, O TEMA JÁ É PRIORIDADE

A pauta da regulação do VOD já chegou ao topo das discussões do Ministério da Cultura. A secretária nacional do Audiovisual, Joelma Gonzaga, afirmou em janeiro, durante a Mostra de Cinema de Tiradentes, que é “urgente que se resolva nesse ano a regulação do VOD”.

O projeto que mais tem avançado é o substitutivo da deputada Jandira Feghali (PCdoB/RJ), relatora do PL 2.331/22. O texto prevê uma cota de 10% de conteúdo brasileiro nos catálogos das plataformas e uma contribuição de 6% sobre o faturamento bruto das empresas.

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, tem sido firme em suas declarações: “Essa não é apenas uma pauta econômica ou técnica; é uma afirmação de soberania cultural. A regulamentação das plataformas de streaming vai fortalecer a produção independente e gerar novas oportunidades para criadores de todo o país”.

CINESUR: MAIS DO QUE FILMES, UM ESPAÇO DE CONEXÃO E RESISTÊNCIA

O Festival de Cinema Sul-Americano de Bonito, o Cinesur, que segue até o dia 2 de agosto, é muito mais que uma mostra de filmes. É um ponto de encontro entre artistas, ideias e culturas da América do Sul. Este ano, são 63 filmes de nove países em exibição, com entrada gratuita e foco na integração cultural sul-americana.

A atriz paraguaia Ana Brun foi homenageada na abertura com a exibição de As Herdeiras, longa premiado no Festival de Berlim. E, como disse Antônio Pitanga, que apresentou a cerimônia: “Cinema é a tribuna acesa para que a gente possa interagir, discutir e também consagrar, homenagear e celebrar”.

O criador e diretor do Cinesur, Nilson Rodrigues, reforça a missão do evento: “Somos mais de 400 milhões de sul-americanos. E nós queremos ajudar nesse processo de integração”. Uma integração que, como destaca Maeve Jinkings, vai além da tela: “Esse lugar aqui nos alimenta e acho que a gente tem que aproveitar desses momentos”.

ONDE SABER MAIS

Para conferir a programação completa do festival, que vai até o dia 2 de agosto, basta acessar o site oficial: https://cinesur.art.br.

Fonte: Elaine Patrícia Cruz – Agência Brasil


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Raul Frutuoso

Raul Lorenzo Frutuoso é um profissional da comunicação com cinco anos de experiência em jornalismo e marketing digital. Já atuou como redator e editor de vídeo no portal ND+. Também integrou a equipe de assessoria de imprensa do Colégio Catarinense, contribuindo com a gestão de mídias sociais, campanhas institucionais e produções audiovisuais.

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