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Turismo internacional no Brasil pode ultrapassar 9,5 milhões de visitantes em 2025

O turismo internacional consolidou-se como vetor estratégico da economia brasileira, impulsionando receitas, ampliando empregos, movimentando serviços e projetando o país no mercado global. No presente artigo analiso o avanço histórico do turismo internacional no Brasil ao longo de 2025, destacando que o país deve encerrar o ano com crescimento de aproximadamente 41,6% em relação a 2024, alcançando projeções superiores a 9,5 milhões de visitantes estrangeiros, um recorde sem igual. O desempenho decorre da recuperação das operações aéreas internacionais, expansão das rotas regionais, campanhas de promoção do Brasil no exterior e melhorias institucionais na condução das políticas públicas para o setor. O estudo enfatiza, contudo, que a manutenção desse ciclo depende de coordenação permanente entre instituições públicas e privadas, evitando descontinuidade política, gargalos de infraestrutura e retrocessos regulatórios.

Contexto global e o novo posicionamento do Brasil no turismo

O turismo consolidou-se, ao longo das duas últimas décadas, como um dos pilares econômicos globais. A Organização Mundial do Turismo estima que, em diversos países, a atividade já representa parcela superior a 10% do PIB, além de responder por milhões de empregos diretos e indiretos. No Brasil, o setor vivencia seu momento mais robusto desde o início das séries estatísticas modernas.

O desempenho recente confirma o papel estratégico do país no mercado global de viagens, considerando seu patrimônio natural, diversidade climática, estabilidade democrática e crescente presença no turismo de negócios, eventos e tecnologia. A entrada acumulada de 8.390.708 turistas internacionais até dezembro de 2025 coloca o Brasil como destaque na América Latina e sustenta expectativas de consolidação estrutural.

Projeções

Além do crescimento, o fluxo demonstra mudança de perfil, incluindo mais turistas dos Estados Unidos, Chile, Argentina, França, Portugal e Reino Unido, além de incremento de viajantes asiáticos. Esse reposicionamento amplia a base de demanda e reduz exposição a flutuações cambiais regionais.

O patamar esperado superior a 9,5 milhões coloca o Brasil na rota de países médios do turismo mundial. Uma faixa estratégica para captar investimentos multilaterais, estimular conectividade aérea e ampliar permanência média dos visitantes através da ação coordenada e sinérgica entre trade e poder público.

Importância da coordenação institucional

O desempenho observado não é obra exclusivamente de mercado. Ele depende de políticas articuladas envolvendo a promoção turística internacional; diplomacia comercial e turística; infraestrutura de portos, aeroportos e rodovias; segurança pública; regulação trabalhista e ambiental; sanidade aeroportuária e controle de fronteiras; incentivos a investimentos privados e sobretudo formação profissional.

Pequenos desajustes institucionais podem provocar grandes impactos como a redução a competitividade imediata do destino ou ruídos na promoção internacional tendem a deslocar turistas para concorrentes diretos, como Chile, Argentina, Colômbia e México.

Alerta de riscos

Políticas locais descoordenadas podem fragilizar o destino na competição predatória internacional e/ou retração promocional local.

Cidades turísticas com vocação internacional podem sofrer queda abrupta caso falte tal alinhamento institucional. Nesse cenário, analistas apontam que Florianópolis/Santa Catarina é um destino que precisa estar atento, em 2026, para evitar regressão. Precisará manter políticas de promoção internacional convergentes, conectividade aérea, infraestrutura urbana, balneabilidade e calendário de eventos

Perspectivas, impactos e a necessidade de continuidade institucional

O Brasil chega ao final de 2025 situado no maior ciclo turístico da história, com impactos sociais diretos, geração de renda regional e fortalecimento da imagem global do país. Se políticas coordenadas forem mantidas, tangenciaremos o patamar de 10 milhões de turistas internacionais, algo impensável há poucos anos, deixando brevemente de ser objetivo aspiracional e se converte em marco factível de desenvolvimento econômico sustentado e conquistado com a geração de renda e bem-estar às famílias.

Mais do que estatística, trata-se de oportunidade nacional estratégica. O turismo internacional reduz desigualdades regionais, gera empregos inclusivos e expande a economia do conhecimento, cultura e serviços. Esse crescimento no setor só se manterá se os atores do turismo sustentarem cooperação interinstitucional, planejamento, promoção e o pais manter estabilidade econômica, social e ambiental.

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Luciano Boico

Luciano Boico é Mestre em Estado, Governo e Sociedade pela Fundação Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), com reconhecimento pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Doutor honoris causa em Literatura pelo Centro Samarthiano de Estudos Filosóficos, em Niterói (RJ), é também pós-graduado em Gestão Pública pelo Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

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