A Edição de 30 anos do FAM terá nove produções ligadas a Santa Catarina na programação do 30º Festival Internacional de Cinema Florianópolis Audiovisual Mercosul, que ocorre de 3 a 9 de setembro, no Teatro Álvaro de Carvalho (TAC), em Florianópolis. Os trabalhos integram diferentes mostras e atividades do evento, ampliando a presença do audiovisual catarinense na edição comemorativa.
A seleção reúne filmes de Florianópolis, Rancho Queimado, Itajaí, Imbituba, São Francisco do Sul e Porto Belo, além de representar quatro regiões do estado: Grande Florianópolis, Vale do Itajaí, Sul e Norte. A programação também recupera parte da memória do cinema catarinense com um documentário sobre “O Preço da Ilusão”, primeiro longa-metragem de ficção produzido em Santa Catarina, filmado em 1957.
FAM 30 ANOS DESTACA PRODUÇÕES DE SEIS CIDADES
A seleção oficial foi divulgada pela Associação Cultural Panvision e distribui as produções catarinenses entre mostras competitivas, sessões convidadas e atividades de debate.
Florianópolis concentra quatro dos trabalhos selecionados. Rancho Queimado, Itajaí, Imbituba, São Francisco do Sul e Porto Belo completam a lista de municípios representados nesta edição.
O festival terá 46 produções ao todo, considerando os trabalhos das sete mostras competitivas e os filmes convidados. Nas categorias competitivas, os filmes disputam os prêmios de Melhor Filme concedidos pelo Júri Oficial e pelo Júri Popular.
FILMES CATARINENSES CHEGAM A DIFERENTES MOSTRAS
A Mostra Curtas Catarinense reúne cinco produções. São elas:
A Fábrica, de Beatriz Silva, é uma ficção de 13 minutos ambientada em Florianópolis. A história acompanha Simone, que atravessa a cidade diariamente para encontrar a patroa, Luciana. A partir de gestos e olhares, o curta aborda o racismo estrutural e transforma uma rotina aparentemente comum em uma situação marcada pela tensão.
O Inquilino, de Jordana Beck, tem 15 minutos e também foi produzido em Florianópolis. A trama acompanha César, corretor imobiliário que pretende se tornar coach, e sua esposa Vanessa. A relação conflituosa com Emílio, o síndico do prédio, se intensifica até que um donut misterioso agrava a disputa.
De Rancho Queimado, Gaita, de Michele Diniz, tem 14 minutos e é uma ficção realizada em parceria com Portugal. A produção acompanha Letícia, uma garota prestes a completar 13 anos que passa a enxergar o mundo de outra maneira diante das mudanças que anunciam uma nova etapa de sua vida.

Foto: Divulgação
Imaginário Bar, de Bhig Villas Boas, representa Itajaí com uma ficção de nove minutos. O filme mostra um homem refletindo sobre as diferentes possibilidades de vida que poderia ter seguido. A obra é baseada no conto “Versões”, de Luis Fernando Veríssimo, e conta com Carlos Francisco.
Foto: Divulgação
Já Mosaico, de Vinicius Figueiredo, representa Imbituba. Com dez minutos, o experimental percorre questões relacionadas à infância, ao medo, à descoberta e às incertezas entre a vida adulta e as experiências que permanecem na memória.
FAM 30 ANOS LEVA CULTURA CATARINENSE À MOSTRA INFANTOJUVENIL
A produção catarinense também aparece na Mostra Infantojuvenil com Peixe Seco e Defumado, de Denis Souza. A animação de quatro minutos foi produzida entre São Francisco do Sul e Pelotas, no Rio Grande do Sul.
A história parte da chegada do frio à ilha de São Francisco do Sul e da tradicional pesca da tainha. Inspirado nas memórias da pescadora Sirlene, o curta apresenta a cambira, preparação típica do litoral catarinense feita com a tainha.
A presença da produção em uma mostra voltada ao público infantojuvenil amplia o contato de crianças e adolescentes com referências culturais do litoral de Santa Catarina.
VIDEOCLIPE ABORDA RACISMO E DESIGUALDADE
Na Mostra Videoclipe, o estado será representado por A Corrida Blues – P3drinn, de Sérgio Furlanetto. O trabalho experimental tem quatro minutos e foi produzido entre Porto Belo e Vacaria, no Rio Grande do Sul.
A narrativa acompanha um jovem que enfrenta o peso da desigualdade. A partir de uma carona que não dá certo, o videoclipe aborda o racismo estrutural e o apagamento histórico. O que começa como um gesto de compaixão termina em uma emboscada, expondo a realidade de pessoas que vivem à margem da sociedade.
FILME DE ABERTURA É PRODUÇÃO CATARINENSE
Como já ocorre tradicionalmente, o FAM abrirá a edição com uma produção de Santa Catarina. Para os 30 anos do festival, a escolha foi Virtuosas, de Cíntia Domit Bittar, com Bruna Linzmeyer no elenco.

A ficção tem 86 minutos e acompanha um retiro exclusivo destinado a mulheres que buscam alcançar uma versão considerada melhor de si mesmas. O que começa como uma experiência de transformação se converte em uma jornada marcada pelo absurdo e pelo perigo.
A escolha coloca uma produção catarinense no início da programação e reforça a participação do estado na edição comemorativa do festival.
DOCUMENTÁRIO RESGATA O PRIMEIRO LONGA CATARINENSE
Entre os filmes convidados, o FAM 2026 terá uma sessão especial em comemoração aos 40 anos da Cinemateca Catarinense. A programação exibirá Caminhos do Desejo, primeiro longa de Andrey Santiago.

Foto: Divulgação
O documentário, com 86 minutos, investiga a produção e o desaparecimento de “O Preço da Ilusão”, considerado o primeiro longa-metragem de ficção de Santa Catarina.
Filmado em 1957, o filme histórico teve grande parte de seu material perdido. Restaram apenas os sete minutos finais da obra.
A sessão será realizada em parceria com a Cinemateca Catarinense e integra as ações do ano comemorativo da instituição. A iniciativa está relacionada à campanha de debates sobre memória, preservação e salvaguarda do audiovisual em Santa Catarina.
FESTIVAL OCORRE EM SETEMBRO EM FLORIANÓPOLIS
O FAM 30 anos será realizado entre 3 e 9 de setembro, no Teatro Álvaro de Carvalho, em Florianópolis. A edição comemorativa reunirá 46 produções nas sete mostras competitivas e nas sessões de filmes convidados.
O Florianópolis Audiovisual Mercosul – FAM 30 anos é um projeto cultural realizado por meio da Lei Rouanet. A iniciativa conta com apoio do Prêmio Catarinense de Cinema, da Fundação Catarinense de Cultura e do Programa Ibermedia, além de patrocínio de Sebrae e Itaú Unibanco. A realização é da Associação Cultural Panvision e do Ministério da Cultura.
Com a programação completa ainda pendente de divulgação, a edição de 30 anos deverá ampliar o acesso às produções selecionadas e colocar em evidência diferentes períodos e vertentes do audiovisual catarinense, desde novas produções até trabalhos dedicados à preservação da memória cinematográfica do estado.


