segunda-feira, 5 outubro , 2026

Flávio e Lula vão ao 2º turno; veja os resultados das eleições de 2026

por Adriana Dias
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Flávio teve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%; primeiro turno também definiu 20 governadores, 54 senadores e a nova composição da Câmara dos Deputados

O Brasil terá segundo turno na disputa pela Presidência da República. Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram os dois candidatos mais votados neste domingo (4) e voltarão a se enfrentar nas urnas em 25 de outubro.

Com 99,99% das urnas totalizadas, Flávio terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, o equivalente a 56.103.033 votos. Lula recebeu 45,16%, somando 53.870.724 votos.

A diferença entre os dois foi de pouco mais de 2,2 milhões de votos e 1,87 ponto percentual, deixando a eleição presidencial aberta para as próximas três semanas de campanha.

Além da Presidência, o primeiro turno de 2026 definiu boa parte do novo mapa político brasileiro. Vinte estados já escolheram seus governadores, 54 das 81 cadeiras do Senado foram renovadas e os eleitores também decidiram a composição da Câmara dos Deputados para a próxima legislatura.

FLÁVIO E LULA DISPUTAM O SEGUNDO TURNO EM 25 DE OUTUBRO

Como nenhum candidato alcançou mais de 50% dos votos válidos, brasileiros e brasileiras terão de voltar às urnas no último domingo de outubro para decidir quem comandará o país a partir de 2027.

Flávio Bolsonaro chega à segunda etapa da eleição após liderar o primeiro turno. Depois da apuração, o candidato do PL afirmou que o resultado representa um desejo de mudança por parte do eleitorado.

“Essa é a leitura do que aconteceu hoje. Eu fiquei muito feliz com o resultado em todas as regiões. São quase 56 milhões de brasileiros e brasileiras que deram esse voto de confiança para a mudança. Eu fiquei muito feliz com a quantidade de brasileiros que foram às urnas, não se omitiram e queriam essa mudança”, declarou.

Flávio também voltou a defender propostas como a redução do número de ministérios e o fim da possibilidade de reeleição.

Lula, por sua vez, reconheceu que sua campanha trabalhava com a expectativa de uma vitória já no primeiro turno, mas tratou o resultado como o início de uma nova etapa da disputa.

“Nós acabamos de ter uma lição da democracia no Brasil com a votação do povo brasileiro”, afirmou.

O presidente também sinalizou que pretende transformar as próximas semanas em uma comparação direta entre os dois projetos políticos.

“Mas a gente tem o segundo turno e o segundo turno é a hora da prova dos nove. É a hora de a gente mostrar a verdadeira fotografia do Brasil de hoje e o Brasil que a gente quer. Então a partir de amanhã a gente começa uma nova campanha”, disse Lula.

A partir de agora, a disputa entra em uma fase diferente. Com apenas dois nomes na corrida, Flávio e Lula terão três semanas para conquistar eleitores que optaram por outros candidatos, votaram em branco ou nulo ou deixaram de comparecer no primeiro turno.

SETE DISPUTAS PARA GOVERNADOR TAMBÉM TERÃO SEGUNDO TURNO

A Presidência não será a única decisão reservada para 25 de outubro. Eleitores de seis estados e do Distrito Federal também voltarão às urnas para escolher seus governadores.

Haverá segundo turno no Acre, Amazonas, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Tocantins, além do Distrito Federal.

Nos outros 20 estados, a eleição terminou já no primeiro turno, estabelecendo um recorde desde o início da atual série histórica, em 1990. Até então, o maior número de governadores eleitos diretamente na primeira votação havia sido registrado em 2010, quando 18 estados encerraram a disputa nessa etapa.

O resultado também modificou a distribuição de forças partidárias pelo país.

O PL saiu do primeiro turno com cinco governadores eleitos, o maior número entre os partidos. Sergio Moro venceu no Paraná, Jorginho Mello foi reeleito em Santa Catarina, Luciano Zucco ganhou no Rio Grande do Sul, Marcos Rogério venceu em Rondônia e Arthur Henrique foi eleito em Roraima.

O PSD conquistou quatro governos estaduais: Dr. Furlan, no Amapá; Eduardo Braide, no Maranhão; Raquel Lyra, em Pernambuco; e Fábio Mitidieri, em Sergipe.

PT VENCE EM TRÊS ESTADOS E REPUBLICANOS CONQUISTA SÃO PAULO E MINAS

PT e Republicanos elegeram três governadores cada.

Na Região Nordeste, o PT garantiu vitórias com Jerônimo Rodrigues, na Bahia, Elmano de Freitas, no Ceará, e Rafael Fonteles, no Piauí.

O Republicanos venceu duas das maiores disputas estaduais do país. Tarcísio de Freitas foi eleito em São Paulo e Cleitinho Azevedo venceu em Minas Gerais. O partido também conquistou Mato Grosso com Otaviano Pivetta.

O PP elegeu Lucas Ribeiro na Paraíba e Eduardo Riedel em Mato Grosso do Sul. O MDB venceu em Goiás com Daniel Vilela, enquanto Dr. Daniel, do Podemos, foi eleito no Pará. Em Alagoas, a vitória ficou com JHC, do PSDB.

Regionalmente, oito dos 20 estados que decidiram a eleição no primeiro turno estão no Nordeste. Outros quatro ficam no Norte, três no Centro-Oeste, três no Sul e dois no Sudeste.

PL CRESCE NO SENADO E TERÁ A MAIOR BANCADA

A eleição de 2026 também promoveu uma grande renovação no Senado Federal. Neste ano, estavam em disputa 54 das 81 cadeiras da Casa, correspondentes a dois terços dos mandatos.

Cada estado e o Distrito Federal escolheram dois senadores para mandatos de oito anos. Os outros 27 parlamentares, eleitos em 2022, continuam no Senado até 2031.

O PL teve o melhor desempenho entre as legendas e conquistou 19 das 54 vagas em disputa. Considerando também os mandatos que continuam em vigor, o partido passará a contar com 28 senadores e terá a maior bancada da Casa.

O MDB elegeu sete senadores e o PT, seis. PP, PSB, União Brasil e Novo conquistaram três vagas cada. Republicanos, PSD, PSDB e Podemos elegeram dois representantes cada, enquanto Rede e PDT conquistaram uma cadeira cada.

O resultado fortalece significativamente o PL em uma Casa que desempenha funções estratégicas no sistema político brasileiro, incluindo a votação de projetos de lei, fiscalização do Executivo e análise de indicações feitas pela Presidência da República para cargos como os de ministros do Supremo Tribunal Federal.

PL CONQUISTA AS DUAS VAGAS AO SENADO EM SANTA CATARINA

Entre os resultados estaduais, o PL conseguiu eleger simultaneamente os dois senadores em disputa em cinco unidades da Federação: Santa Catarina, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Rondônia.

O partido também conquistou cadeiras no Acre, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Roraima, São Paulo e Tocantins.

O MDB elegeu representantes no Amazonas, Pará, Paraíba, Piauí, Roraima, Sergipe e Tocantins.

Já o PT ficou com as duas vagas da Bahia e conquistou cadeiras em Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Com a nova configuração, além dos 28 integrantes do PL, o PT terá nove senadores em exercício e o MDB, oito. PP e Republicanos terão seis cadeiras cada, PSD e União Brasil ficarão com cinco parlamentares cada e o PSB terá quatro.

NIKOLAS FERREIRA É O DEPUTADO FEDERAL MAIS VOTADO DO PAÍS

A eleição para a Câmara dos Deputados também produziu votações expressivas, especialmente entre candidatos do PL e do PSOL.

Nikolas Ferreira (PL-MG) foi o candidato a deputado federal mais votado do Brasil em números absolutos. Ele recebeu 3.119.318 votos em Minas Gerais, alcançando 24,7% dos eleitores que compareceram às urnas no estado.

O segundo maior resultado também ficou com o PL. Lucas Pavanato, candidato por São Paulo, recebeu 3.038.438 votos.

Érika Hilton (PSOL-SP) apareceu na terceira posição nacional, com 1.596.472 votos, ampliando de maneira expressiva a votação obtida em sua primeira eleição para a Câmara, em 2022.

André Fernandes (PL-CE), com 684.732 votos, e Sâmia Bomfim (PSOL-SP), com 583.107, completaram o grupo dos cinco candidatos a deputado federal mais votados do país.

Na sequência aparecem Julia Zanatta (PL-SC), com 560.223 votos; Ana Elisa (PT-MG), com 524.129; Kim Kataguiri (Missão-SP), com 520.071; Tabata Amaral (PSB-SP), com 476.383; e Jeffrey Chiquini (Novo-PR), com 425.399.

RESULTADO DAS URNAS REDESENHA O CENÁRIO POLÍTICO BRASILEIRO

Os números do primeiro turno mostram que a eleição de 2026 produziu mudanças relevantes na distribuição do poder político brasileiro.

Enquanto a disputa presidencial permanece aberta entre Flávio Bolsonaro e Lula, o PL saiu fortalecido das eleições para governos estaduais e, principalmente, para o Senado. O partido também colocou três nomes entre os cinco candidatos a deputado federal mais votados do país.

Ao mesmo tempo, partidos de diferentes campos políticos mantiveram posições importantes nos estados. O PT garantiu três governos estaduais e ampliou sua representação nas vagas do Senado que estavam em disputa, enquanto PSD, Republicanos, MDB, PP e outras legendas conquistaram espaços relevantes no novo mapa político.

A configuração definitiva da eleição presidencial, porém, só será conhecida em 25 de outubro. Na mesma data, seis estados e o Distrito Federal também concluirão suas disputas para governador.

Até lá, Lula e Flávio Bolsonaro entram em uma nova campanha, agora frente a frente, em busca dos votos necessários para formar a maioria que decidirá quem ocupará a Presidência da República pelos próximos quatro anos.

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