Celulares, notebooks, tablets e outros aparelhos sem uso podem ser entregues sem custo nas unidades participantes; veja como funciona o serviço e quais itens são aceitos
O descarte de eletrônicos que ficam esquecidos em gavetas e armários ganhou uma nova alternativa no Brasil. Os Correios passaram a receber gratuitamente equipamentos eletroeletrônicos usados em mais de 6 mil agências que contam com o serviço Balcão do Cidadão. A iniciativa, realizada em parceria com a Circular Brain, busca facilitar o acesso da população à reciclagem e ampliar a destinação ambientalmente adequada desses materiais.
A novidade foi anunciada em outubro, mês em que o Dia Internacional do Lixo Eletrônico, celebrado em 14 de outubro, chama a atenção para os impactos ambientais causados pelo descarte incorreto de aparelhos e componentes eletrônicos.
Com a nova modalidade, o consumidor pode reunir os equipamentos em uma caixa e levá-los a uma agência participante, sem pagar pelo envio. Depois da postagem, os materiais seguem para uma rede especializada em reciclagem, com rastreamento até a destinação final.
COMO DESCARTAR ELETRÔNICOS NOS CORREIOS
O procedimento foi pensado para ser simples e aproveitar a estrutura de atendimento dos Correios, presente em todos os municípios brasileiros.
Para utilizar o serviço, é necessário colocar os equipamentos em uma caixa com peso total de até 30 quilos. A embalagem deve ser levada aberta à agência, pois o fechamento é feito pelo atendente no momento da postagem.
Em seguida, o consumidor precisa fornecer alguns dados para registrar o envio. São solicitados nome completo, CPF, endereço, e-mail e telefone. Ao concluir o procedimento, a pessoa recebe um comprovante da postagem.
A iniciativa permite que o descarte seja feito durante uma visita habitual à agência, sem a necessidade de procurar um ponto de coleta especializado distante de casa.
QUAIS APARELHOS PODEM SER ENTREGUES
O serviço recebe eletroeletrônicos de pequeno porte que já não são utilizados pelos consumidores. Entre os itens aceitos estão:
- Celulares e smartphones;
- Notebooks e tablets;
- Fones de ouvido;
- Cabos e acessórios eletrônicos;
- Outros equipamentos eletroeletrônicos de pequeno porte.
É importante observar que a modalidade não recebe pilhas, baterias ou lâmpadas. Esses materiais exigem formas específicas de destinação e devem ser encaminhados a pontos de coleta apropriados.
Antes de levar os equipamentos, também vale conferir se a agência escolhida oferece o serviço Balcão do Cidadão.
O QUE ACONTECE COM OS EQUIPAMENTOS DEPOIS DA POSTAGEM
Após a entrega nos Correios, os aparelhos são encaminhados à Rede Circulare, operada pela Circular Brain. A empresa direciona cada remessa ao reciclador homologado mais próximo, de acordo com a estrutura disponível para receber e processar os materiais.
O percurso é rastreado até a destinação final, permitindo acompanhar o encaminhamento dos resíduos dentro da cadeia de reciclagem.
Segundo Marcus Oliveira, CEO da Circular Brain, a iniciativa pretende atender principalmente quem não sabe onde entregar aparelhos antigos ou não encontra pontos de coleta acessíveis na própria cidade.
“Sabemos que muitas pessoas guardam esses pequenos eletrônicos em casa pois não sabem o que fazer com eles, ou porque suas cidades não são atendidas por um ponto de entrega voluntária. Agora, é só juntar os aparelhos numa caixa e passar no Correio mais próximo quando for resolver outra questão”, diz Marcus Oliveira, CEO da Circular Brain.
A rede de atendimento dos Correios também é apontada como um diferencial para ampliar o alcance da iniciativa, especialmente em regiões com poucas alternativas de descarte especializado.
“Milhões de brasileiros já utilizam as agências dos Correios em seu dia a dia. Agora, essa capilaridade também contribui para que a população tenha mais facilidade para dar a destinação correta a equipamentos eletrônicos sem uso. Ao apoiar essa iniciativa, os Correios reforçam seu compromisso com a preservação ambiental, estímulo à economia circular e ampliação do acesso a práticas sustentáveis em todas as regiões do País”, ressalta o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon.
BRASIL GERA 2,4 MILHÕES DE TONELADAS DE LIXO ELETRÔNICO POR ANO
O volume de resíduos eletrônicos produzidos no Brasil evidencia o desafio de ampliar a coleta e a reciclagem desses materiais. Segundo dados de 2022 da Global E-waste Statistics Partnership, iniciativa ligada à União Internacional de Telecomunicações (UIT) e ao Instituto das Nações Unidas para Treinamento e Pesquisa (Unitar), o país gera aproximadamente 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano. Desse total, apenas cerca de 3% é coletado formalmente.
A Rede Circulare, por sua vez, processou 83 mil toneladas de resíduos eletroeletrônicos em 2025.
Quando aparelhos antigos permanecem guardados indefinidamente, componentes e matérias-primas que poderiam ser reaproveitados deixam de retornar à cadeia produtiva. Já o descarte no lixo comum pode provocar a contaminação do solo e da água, além de representar riscos à saúde humana.
“Quando ficam parados em casa, sem utilidade, esses eletrônicos deixam de ser reciclados. Com isso, a indústria perde muitas matérias-primas que poderiam voltar à cadeia produtiva sem a necessidade de explorar novamente o meio-ambiente. Quando são jogados fora no lixo comum, contaminam o solo, água e podem trazer riscos à saúde humana”, conclui Oliveira.
COMO FUNCIONA A LOGÍSTICA REVERSA DE ELETRÔNICOS
A destinação correta desses equipamentos também está prevista na legislação brasileira. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída pela Lei nº 12.305/2010, e o Decreto nº 10.240/2020 estabelecem regras para a logística reversa de eletroeletrônicos de uso doméstico.
O sistema envolve fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, que devem estruturar mecanismos de recebimento e encaminhamento desses produtos após o fim de sua vida útil, conforme as obrigações legais aplicáveis.
A ampliação dos pontos de entrega é uma das medidas para facilitar a participação dos consumidores e aumentar o volume de materiais encaminhados à reciclagem.
Com a adesão dos Correios, a população passa a contar com uma alternativa gratuita para entregar pequenos aparelhos eletrônicos sem uso. A iniciativa também reforça a importância de evitar o descarte no lixo convencional e de garantir que os materiais recebam tratamento adequado.
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