O Dazaranha deu início às comemorações pelos 35 anos de carreira com uma novidade que une diferentes gerações da música catarinense. A banda lançou o projeto “Dazaranha feat 35 anos”, que reúne artistas convidados em novas colaborações até 2027. A primeira parceria é com o Reis do Nada, com a faixa “Nisso que deu”, disponibilizada nas plataformas digitais nesta última quinta-feira (29 de outubro).
A iniciativa aposta em encontros musicais que valorizam a trajetória do grupo e, ao mesmo tempo, abrem espaço para novas sonoridades. Em vez de se concentrar apenas na retrospectiva de sua carreira, o Dazaranha pretende celebrar a marca com artistas que compartilham referências, influências e diferentes experiências na música.
DAZARANHA E REIS DO NADA SE ENCONTRAM EM NOVA MÚSICA
A escolha do Reis do Nada para inaugurar o projeto reforça a conexão entre músicos de diferentes gerações de Santa Catarina. Enquanto o Dazaranha construiu uma trajetória reconhecida desde os anos 1990, o grupo convidado desenvolveu uma identidade própria influenciada, entre outras referências, pelo trabalho dos veteranos.
A canção “Nisso que deu” nasceu durante a pandemia, quando PH Collaço, integrante do Reis do Nada, começou a imaginar como seria a música interpretada pelo Dazaranha. A ideia, que inicialmente parecia distante, ganhou força depois que a composição foi apresentada à banda.
“Quando escrevi, comecei a imaginar como o Daza faria essa música. Pensava no violino, nas guitarras, na energia deles e em como tudo aquilo poderia conversar com o que a gente estava fazendo. Só que era uma viagem minha, um sonho mesmo. Depois conseguimos mostrar a música, eles curtiram e aquilo começou a tomar forma. É muito doido pensar que uma canção escrita durante a pandemia, num momento em que a gente nem sabia direito quando voltaria a subir num palco, acabou nos trazendo até aqui. Tem muito significado nisso”, conta PH Collaço.
O resultado combina elementos característicos dos dois grupos sem apagar suas particularidades. A proposta foi construir uma faixa em que as influências de cada banda pudessem aparecer naturalmente, criando uma sonoridade compartilhada.
PARCERIA REALIZA SONHO ANTIGO DOS MÚSICOS
Para Laurinho Linhares, do Reis do Nada, a colaboração representa mais do que uma experiência profissional. O músico relembra a admiração pelo Dazaranha e a importância de acompanhar uma banda catarinense construir uma carreira tão marcante.
“A gente cresceu na música admirando muito o Daza. Quando você começa a tocar em Santa Catarina e vê uma banda daqui construir uma história tão grande, com um som que você reconhece nos primeiros segundos, aquilo vira referência. Então é especial demais estar hoje dentro do estúdio fazendo uma música juntos. Tem uma parte profissional, claro, mas tem também aqueles dois caras que eram fãs e que, em algum momento, pensaram: ‘imagina se um dia a gente tocar com eles’. Esse dia chegou”, diz Laurinho.
A parceria também representa a proposta central do novo projeto: aproximar artistas com histórias distintas e permitir que essas diferenças contribuam para a criação musical.
BANDA PREPARA CELEBRAÇÃO DOS 35 ANOS COM NOVIDADES
Ao longo de quase três décadas e meia, o Dazaranha consolidou uma identidade que combina rock, reggae, violino, guitarras, percussão e referências culturais da Ilha de Santa Catarina. A trajetória inclui discos, apresentações e canções que marcaram diferentes gerações de ouvintes.
A chegada aos 35 anos, em 2027, será celebrada com uma perspectiva voltada para o futuro. O projeto prevê novas participações musicais nos próximos meses, com convidados de diferentes estilos e gerações.
Moriel Costa destaca que a vontade de experimentar continua presente na rotina da banda.
“São quase 35 anos juntos e é claro que quando a gente fala esse número vem muita lembrança. Mas o Daza nunca foi uma banda muito boa de ficar parada olhando para trás”, brinca Moriel Costa. “A gente gosta de tocar, de encontrar gente, de experimentar. E esses feats dão essa possibilidade. O Reis do Nada chegou com a música deles, com o jeito deles, e a gente entrou junto. Não tinha que transformar ninguém em ninguém. Tinha que tocar e ver o que acontecia. E aconteceu uma coisa muito massa.”
Chico Martins também vê nas colaborações uma oportunidade de renovar a experiência musical do grupo. Para ele, encontrar artistas que cresceram ouvindo o Dazaranha permite descobrir novas possibilidades sem abandonar a identidade construída ao longo dos anos.
“Acho bonito perceber que tem uma geração de músicos que ouviu nosso trabalho e que hoje está aí fazendo um som muito bom, seguindo o próprio caminho. E agora a gente pode se encontrar musicalmente. Isso também renova o Daza. Cada pessoa que chega traz uma referência, uma maneira de tocar, uma ideia. Depois de todo esse tempo, continuar entrando no estúdio com curiosidade é uma baita sorte”, afirma.
GRAVAÇÃO REÚNE PARCEIROS ANTIGOS E NOVAS INFLUÊNCIAS
A produção de “Nisso que deu” ficou a cargo de Carlos Trilha, que já participou da gravação e produção de outros quatro trabalhos do Dazaranha. A familiaridade com o grupo contribuiu para o processo, que desta vez também exigiu encontrar um equilíbrio entre duas identidades musicais.
O desafio era preservar as características do Reis do Nada e do Dazaranha, permitindo que a combinação resultasse em algo novo.
“Eu tenho uma história com esses caras e isso facilita muito porque existe confiança. Mas agora chegou uma turma nova junto e a graça estava exatamente aí. Não era fazer o Reis do Nada tocar como o Daza nem o contrário. Era descobrir onde os dois se encontravam. Quando você ouve e reconhece os dois, mas percebe que nasceu alguma coisa diferente dessa soma, acho que chegamos onde queríamos”, conta Trilha.
A participação do produtor reforça o encontro entre a experiência acumulada pela banda e a chegada de novas referências. A ideia é manter a liberdade criativa como elemento central das próximas gravações.
PROJETO TERÁ NOVOS CONVIDADOS ATÉ 2027
O Reis do Nada é o primeiro nome confirmado em uma série de colaborações que acompanhará o Dazaranha até a celebração dos 35 anos. Os próximos convidados serão anunciados ao longo dos meses, com propostas que podem reunir parceiros antigos e artistas de universos musicais diferentes.
A intenção é que cada lançamento tenha características próprias, sem seguir uma fórmula única. Dessa forma, o projeto pretende valorizar tanto as relações construídas durante a trajetória da banda quanto as possibilidades que surgem quando diferentes gerações compartilham o estúdio.
Com “Nisso que deu”, o Dazaranha inicia uma nova etapa de sua história apostando na música como ponto de encontro. A composição que PH Collaço imaginou durante a pandemia agora ganha vida com a participação de uma de suas principais referências musicais, transformando um sonho antigo em realidade e abrindo caminho para as próximas parcerias.