A 10ª edição do RAPI avaliou 208 indicadores da capital catarinense e identificou avanços na segurança, saúde e gestão fiscal, além de problemas estruturais que exigem novas medidas
Florianópolis apresentou resultados positivos em áreas como segurança pública, saúde e gestão fiscal, mas ainda enfrenta desafios importantes em saneamento básico, mobilidade urbana e preservação ambiental. O diagnóstico faz parte da 10ª edição do Relatório Anual de Progresso dos Indicadores de Florianópolis (RAPI 2026), que reúne a análise de 208 indicadores para avaliar o desenvolvimento sustentável da capital catarinense.

Com dados referentes a 2025, o documento busca contribuir para o planejamento urbano, a definição de prioridades e o acompanhamento das políticas públicas. A publicação também destaca a necessidade de aprimorar a transparência e a disponibilidade de informações para avaliar os resultados das ações realizadas no município.
O relatório é elaborado pela Associação FloripAmanhã, pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pelo Observatório Social do Brasil – Florianópolis. A análise segue a metodologia do Programa Cidades Emergentes e Sustentáveis (CES), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
RAPI 2026 MOSTRA O DESEMPENHO DE FLORIANÓPOLIS EM 208 INDICADORES
Dos 208 indicadores avaliados, 76 foram considerados satisfatórios, enquanto 29 ficaram na faixa de atenção e 30 apresentaram resultados abaixo do nível esperado.
Outros 45 foram classificados em cinza por falta de dados adequados ou por incompatibilidade das informações com os critérios utilizados na avaliação. Há ainda 20 indicadores em azul, referentes a itens novos ou em estruturação, que ainda não possuem parâmetros de classificação ou metas históricas definidas.
Os oito indicadores restantes, identificados em branco, servem para acompanhar o contexto da cidade, sem metas estabelecidas.
O levantamento permite observar diferentes aspectos do desenvolvimento urbano e identificar áreas que precisam de investimentos, planejamento e acompanhamento contínuo.
“O futuro de Florianópolis depende das escolhas que fazemos hoje. O RAPI ajuda a identificar onde a cidade avançou e quais problemas ainda precisam ser enfrentados. Cabe ao poder público, à sociedade civil e ao setor privado transformar esse diagnóstico em prioridades e ações, com continuidade no planejamento e compromisso com a qualidade de vida da população”, destaca o presidente da FloripAmanhã, empresário e publicitário Daniel Araújo.
SANEAMENTO E MOBILIDADE ESTÃO ENTRE OS PRINCIPAIS DESAFIOS
Apesar dos avanços identificados, o relatório chama a atenção para problemas que afetam diretamente a rotina dos moradores. Um dos principais pontos é a cobertura da rede de esgoto, que alcançou 58,71% em 2025.
O índice reforça a necessidade de ampliar a infraestrutura de saneamento para acompanhar o crescimento populacional e melhorar as condições ambientais e sanitárias da capital.
Na mobilidade urbana, a velocidade média do transporte coletivo permanece em 23 km/h. O cenário é associado à elevada motorização e à falta de vias exclusivas para ônibus, fatores que dificultam a eficiência do sistema e a redução da dependência dos automóveis.
Entre as medidas recomendadas estão a implantação de corredores dedicados ao transporte coletivo e a renovação da frota com fontes de energia limpa.
O documento também defende investimentos em drenagem urbana e prevenção de desastres, especialmente em áreas de risco, além de melhorias na gestão dos recursos hídricos.
SEGURANÇA, SAÚDE E GESTÃO FISCAL APRESENTAM RESULTADOS POSITIVOS
O RAPI 2026 identifica avanços em diferentes setores da administração municipal. Na segurança pública, o levantamento aponta redução nas taxas de homicídios, roubos e furtos.
Na saúde, houve recuperação das coberturas vacinais. Já na área fiscal, os indicadores mostram melhora no desempenho das contas públicas.
Para o professor da UFSC Hans Michael van Bellen, os resultados precisam ser interpretados considerando o conjunto das condições da cidade, e não apenas os números positivos isoladamente.
“Temos indicadores que nos posicionam entre as melhores capitais. Entretanto, a leitura integrada mostra que esses avanços convivem com fragilidades estruturais que limitam a capacidade do município de enfrentar desafios ambientais complexos”, afirma.
A avaliação destaca a importância de considerar as diferentes áreas de forma integrada, já que problemas de infraestrutura, planejamento urbano e proteção ambiental podem comprometer os resultados obtidos em outros setores.
FALTA DE DADOS DIFICULTA O PLANEJAMENTO DE POLÍTICAS PÚBLICAS
Outro ponto destacado pelo relatório é a necessidade de melhorar a qualidade das informações utilizadas para acompanhar o desenvolvimento de Florianópolis.
A quantidade de indicadores sem dados adequados demonstra que ainda existem lacunas na produção, na atualização e na divulgação de informações públicas. Sem esse acompanhamento, fica mais difícil avaliar a efetividade das políticas implementadas e identificar onde os recursos devem ser aplicados.
A gerente executiva da FloripAmanhã, Márcia Regina Teschner, ressalta a importância do monitoramento contínuo.
“Não se melhora aquilo que não se mede. O acompanhamento sistemático dos indicadores oferece uma base sólida para avaliar avanços, reconhecer desafios e orientar decisões com transparência, responsabilidade e visão de longo prazo”, destaca.
O conselheiro da FloripAmanhã, Ivo Sostizzo, também enfatiza o papel do levantamento na fiscalização e no planejamento público.
“O relatório transforma dados técnicos em informações que permitem à sociedade conferir o desempenho e projetar políticas públicas, independentemente da gestão”, declara.
A proposta é que o RAPI funcione como uma ferramenta permanente de acompanhamento, permitindo comparar resultados e orientar decisões mesmo com mudanças na administração municipal.
RELATÓRIO RECOMENDA AÇÕES PARA MELHORAR A QUALIDADE DE VIDA
Além de apresentar o diagnóstico da cidade, o RAPI 2025-2026 reúne análises comparativas e recomendações para áreas como saneamento, mobilidade, drenagem, habitação, serviços públicos, proteção ambiental e resiliência climática.
Entre as principais medidas sugeridas estão:
- Ampliar o saneamento básico: acelerar a expansão da coleta de esgoto e garantir a divulgação regular de informações sobre os serviços, com participação do poder público, da concessionária e da sociedade civil.
- Investir em drenagem e prevenção de desastres: assegurar recursos para obras preventivas e intervenções em áreas de risco, além de priorizar melhorias urbanas na aplicação de compensações financeiras relacionadas à venda de potencial construtivo.
- Melhorar o transporte coletivo: implantar vias exclusivas para ônibus e renovar a frota com tecnologias de energia limpa, tornando o sistema mais eficiente e atrativo.
- Proteger os mananciais e reduzir perdas de água: modernizar a rede de abastecimento, diminuir desperdícios e aprimorar o monitoramento da qualidade da água.
- Concluir os planos de manejo das áreas protegidas: avançar nos instrumentos de gestão e fiscalização das unidades de conservação municipais para preservar o patrimônio natural e reduzir ocupações irregulares.
- Fortalecer a reciclagem: ampliar a coleta seletiva, incentivar parcerias com associações de catadores, estimular a compostagem e reduzir a quantidade de resíduos encaminhados aos aterros.
- Qualificar as informações habitacionais: manter o cadastro de moradia atualizado e integrá-lo aos dados de vulnerabilidade social e ocupação de áreas de risco, contribuindo para políticas habitacionais mais eficientes.
As recomendações buscam transformar os resultados do monitoramento em ações concretas, com foco na sustentabilidade, na eficiência dos serviços públicos e na qualidade de vida da população.
COMO ACESSAR O RAPI 2026 DE FLORIANÓPOLIS
O relatório completo está disponível no site da FloripAmanhã. O material reúne os 208 indicadores, análises e recomendações para acompanhar o desenvolvimento da capital catarinense.
Acesse e baixe o relatório: RAPI 2026 — indicadores de Florianópolis.
A publicação pode ser consultada por gestores públicos, pesquisadores, organizações da sociedade civil e moradores interessados em conhecer os avanços e os desafios de Florianópolis.