quinta-feira, 5 novembro , 2026

ONU questiona atuação da Meta nas eleições brasileiras e aponta possível favorecimento político

por Duda Amaral
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Entidades classificam mudanças da Meta como um retrocesso para a segurança digital e a proteção de direitos humanos

Especialistas das Nações Unidas relatam denúncias de restrições a perfis e conteúdos políticos nas plataformas da empresa, que também é alvo de questionamentos do NetLab e da campanha de Lula

A atuação da Meta durante as eleições brasileiras de 2026 entrou no radar de especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU). Em uma carta, integrantes da organização manifestaram preocupação com possíveis restrições à liberdade de expressão no Instagram, no Facebook e no WhatsApp, além de apontarem indícios de tratamento desigual entre campanhas políticas.

Segundo o documento, observadores internacionais que acompanharam o processo eleitoral identificaram situações em que conteúdos relacionados a um dos candidatos teriam sido prejudicados nas plataformas digitais. Entre os episódios relatados estão interrupções temporárias de contas ligadas a campanhas e uma redução expressiva no alcance e no engajamento de publicações políticas.

A carta também menciona a suspensão de milhares de contas de influenciadores, jornalistas e produtores de conteúdo. De acordo com os relatos apresentados, a maioria dos perfis afetados estaria associada ao mesmo campo político.

As manifestações levantam questionamentos sobre a aplicação das regras de moderação de conteúdo e a igualdade de condições para os candidatos durante a disputa eleitoral.

NETLAB QUESTIONA DECISÕES DA META SOBRE CONTEÚDO POLÍTICO

A empresa também foi alvo de críticas em um documento elaborado pelo NetLab, laboratório de pesquisa sobre internet e redes sociais vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O grupo questionou a remoção de um perfil do candidato Luiz Inácio Lula da Silva, atribuída pela Meta a medidas de combate à divulgação de informações falsas relacionadas a políticas públicas. O laboratório apontou uma possível inconsistência na aplicação dessas regras, alegando que a plataforma mantém perfis com publicações que também contêm notícias falsas.

Outro ponto levantado pelo NetLab envolve a veiculação de publicidade política durante o período de restrições eleitorais. Segundo o documento, o laboratório identificou falhas que teriam permitido a contratação e a exibição de propaganda eleitoral paga a partir do exterior durante o período de resguardo eleitoral.

As críticas ampliam o debate sobre os mecanismos utilizados pelas grandes empresas de tecnologia para controlar publicações políticas e anúncios em períodos de votação.

CAMPANHA DE LULA ACIONA O TSE APÓS RELATOS SOBRE A IA DO WHATSAPP

As discussões sobre a atuação da Meta também chegaram à Justiça Eleitoral. Na semana anterior à divulgação das informações, a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT à reeleição, acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após usuários relatarem comportamentos diferentes da inteligência artificial integrada ao WhatsApp.

Segundo as reclamações, a ferramenta se recusava a produzir imagens que incluíssem o nome “Lula” e o número “13”, associados ao candidato petista. Por outro lado, os mesmos usuários afirmaram que o sistema gerava conteúdos normalmente quando os pedidos mencionavam “Flávio” e o número “22”, relacionados ao senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL.

A equipe jurídica de Lula classificou o episódio como “seletividade algorítmica” e alegou que o funcionamento da ferramenta poderia favorecer o adversário político.

O caso colocou em evidência o papel da inteligência artificial nas campanhas eleitorais e a necessidade de transparência sobre os critérios utilizados por sistemas automatizados para responder a solicitações relacionadas a candidatos.

META NEGA FAVORECIMENTO POLÍTICO E AFIRMA CUMPRIR A LEGISLAÇÃO

Em resposta aos questionamentos apresentados na carta da ONU, a Meta negou oferecer tratamento preferencial a qualquer posição política. A empresa afirmou que os usuários podem se manifestar livremente em seus aplicativos e atribuiu eventuais problemas a ocorrências técnicas.

“Incidentes técnicos podem ocorrer em uma plataforma da nossa escala, mas não representam direcionamento político. Cumprimos a legislação eleitoral brasileira e agimos rapidamente para corrigir erros quando identificados, garantindo condições de igualdade para todos que utilizam nossos serviços”, disse a empresa.

Sobre as críticas do NetLab, a companhia declarou que não permite conteúdos que explorem programas públicos para enganar pessoas. Segundo a Meta, esse tipo de publicação é removido sempre que identificado.

As respostas representam a posição da empresa diante das acusações e dos questionamentos apresentados pelas organizações.

DEBATE SOBRE REDES SOCIAIS E ELEIÇÕES GANHA FORÇA

Os episódios envolvendo a ONU, o NetLab e a campanha de Lula reforçam a discussão sobre a influência das plataformas digitais no ambiente eleitoral brasileiro.

Com milhões de usuários no país, Instagram, Facebook e WhatsApp ocupam um espaço importante na circulação de informações, na divulgação de propostas e na comunicação entre candidatos e eleitores.

Nesse cenário, denúncias de suspensões de contas, diferenças no alcance de publicações e possíveis falhas em ferramentas de inteligência artificial levantam dúvidas sobre a transparência dos sistemas digitais.

Enquanto entidades e representantes políticos cobram explicações, a Meta sustenta que não favorece candidatos e afirma adotar medidas para cumprir as regras brasileiras. Os questionamentos colocam em foco a importância de critérios claros e de condições equilibradas para a participação política nas redes sociais.


Com informações de Agência Brasil

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