O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) continuará sendo investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) mesmo após sua saída do Brasil com destino aos Estados Unidos. O parlamentar é alvo de dois procedimentos criminais que apuram suspeitas relacionadas a operações financeiras envolvendo apostas on-line e ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A continuidade dos casos está relacionada às regras de competência do Supremo para julgar parlamentares e ex-parlamentares. Conforme o entendimento atual da Corte, investigações sobre possíveis crimes ligados ao exercício da função pública podem permanecer no STF mesmo depois do encerramento do mandato.
INVESTIGAÇÃO APURA SUSPEITAS ENVOLVENDO APOSTAS ON-LINE
Uma das apurações que envolvem Flávio Bolsonaro investiga o advogado Willer Tomaz, suspeito de lavagem de dinheiro em operações relacionadas ao mercado de apostas on-line, conhecido como bets.
O nome do senador apareceu durante as investigações após uma secretária de Tomaz relatar ao advogado o cancelamento de uma conta vinculada à Alcazar Holdings. A empresa, sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, está na mira da Polícia Federal (PF).
Na semana anterior, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em recursos relacionados ao advogado.
A decisão ocorreu após a Polícia Federal identificar que Tomaz havia viajado para Miami, nos Estados Unidos. Ele já tinha sido alvo de mandados de busca e apreensão em agosto, no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga irregularidades em descontos aplicados a aposentadorias.
A investigação busca esclarecer as suspeitas financeiras e as possíveis conexões entre os envolvidos. A citação do nome de Flávio no caso, por si só, não representa comprovação de responsabilidade criminal.
CASO DARK HORSE INVESTIGA PAGAMENTOS PARA O FILME
O segundo procedimento envolve os recursos destinados ao filme Dark Horse, cinebiografia dedicada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A produção entrou no centro das investigações após o site The Intercept divulgar informações sobre conversas nas quais Flávio teria solicitado dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar as gravações.
Depois da repercussão das mensagens, referentes a uma conversa ocorrida em novembro do ano anterior, o senador negou ter acertado qualquer vantagem indevida com Vorcaro. Segundo ele, os recursos envolvidos eram privados.
Em julho de 2026, Flávio foi formalmente incluído no inquérito, passando a ser investigado no caso.
A apuração busca esclarecer as circunstâncias dos pagamentos e das tratativas relacionadas à produção cinematográfica, além de verificar se houve alguma irregularidade.
POR QUE O STF PODE MANTER OS CASOS APÓS O MANDATO?
A permanência das investigações no Supremo está ligada ao entendimento jurídico sobre o foro por prerrogativa de função.
Flávio Bolsonaro, que exerce mandato de senador, tem previsão de permanecer no cargo até 1º de fevereiro. Mesmo após o encerramento do mandato, os dois casos poderão continuar sob responsabilidade do STF.
A jurisprudência atual da Corte estabelece que processos envolvendo possíveis crimes relacionados ao exercício da função pública podem permanecer no Supremo mesmo depois de o investigado deixar o cargo parlamentar.
Assim, a eventual saída de Flávio do Brasil não determina, por si só, a interrupção das apurações. O andamento dos procedimentos dependerá das decisões judiciais e das medidas adotadas pelas autoridades responsáveis.
SAÍDA PARA OS ESTADOS UNIDOS E PASSAPORTES CANCELADOS
A possível ida de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos ganhou repercussão na terça-feira (27), após uma publicação do investidor e ex-secretário de Turismo do México Simón Levy nas redes sociais.
Na postagem, Levy afirmou que o senador teria chegado ao território norte-americano em uma articulação que envolveria o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. A informação também foi divulgada pela agência de notícias Reuters.
Um dia antes, na segunda-feira (26), Flávio havia sido proibido de deixar o Brasil e intimado pela Polícia Federal a entregar todos os seus passaportes no prazo de 24 horas.
A determinação ocorreu após a derrota na disputa presidencial, conforme o relato divulgado sobre o caso. O prazo para a entrega dos documentos terminou na manhã de quarta-feira (28), sem que os passaportes fossem apresentados.
Diante do descumprimento da ordem, a Polícia Federal cancelou os documentos.
A situação acrescenta um novo capítulo às questões judiciais envolvendo o senador. Enquanto as circunstâncias de sua saída do país seguem repercutindo, as duas investigações criminais continuam em tramitação no Supremo Tribunal Federal.
Com informações de Agência Brasil