Imagine uma criança diante de uma tela por horas. Sozinha. Sem orientação, sem filtro, sem propósito. Parece ficção? Pois é realidade. A série Adolescência, da Netflix, escancara justamente esse retrato — o de uma geração imersa no universo digital, mas frequentemente abandonada nele.
A produção não apenas emociona. Ela provoca. Faz pensar: estamos realmente cuidando do modo como nossas crianças e adolescentes se relacionam com a tecnologia?
Conteúdos
- CELULARES NO COMANDO: QUANDO O USO SUPERA A EDUCAÇÃO
- A TECNOLOGIA COMO VILÃ OU COMO ALIADA?
- O RISCO DE UMA GERAÇÃO QUE CONSOME, MAS NÃO CRIA
- EDUCAÇÃO DIGITAL: UMA NOVA PRIORIDADE PARA PAIS, ESCOLAS E SOCIEDADE
- ENTRE O ENTRETENIMENTO E O FUTURO: QUAL CAMINHO VAMOS OFERECER?
- O ALERTA ESTÁ LANÇADO — E A MUDANÇA, EM NOSSAS MÃOS
CELULARES NO COMANDO: QUANDO O USO SUPERA A EDUCAÇÃO
Os dados são expressivos — e preocupantes. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil, promovida pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, 95% dos jovens entre 9 e 17 anos já acessam a internet, e 97% o fazem pelo celular. Em contrapartida, o uso de computadores segue em declínio. Apenas 38% ainda recorrem ao equipamento, com números ainda menores nas classes sociais D e E.
Entre os pequenos de 6 a 8 anos, a queda é ainda mais brusca: o uso de computadores caiu de 39% (em 2015) para apenas 26% (em 2024), de acordo com o Cetic.br.
Com os celulares no centro da vida digital infantojuvenil, o que mais se vê é consumo: vídeos, redes sociais, jogos — mas pouca criação, pouco aprendizado, pouca direção. O problema não é a tecnologia, mas a ausência de mediação.
A TECNOLOGIA COMO VILÃ OU COMO ALIADA?

Para Nayara Sestrem, mãe e vice-presidente de Comunicação da ProWay — centro de formação em tecnologia que atua também com cursos voltados para crianças e adolescentes —, é fundamental educar para o digital.
“Não se trata de demonizar a tecnologia, mas de ensiná-la a favor da criança. Assim como no mundo físico ensinamos a atravessar a rua ou conversar com estranhos, no mundo digital também precisamos orientar e proteger”, afirma Nayara.
E ela tem razão. A tecnologia, quando bem usada, pode ser uma ponte poderosa entre curiosidade e conhecimento, entre diversão e desenvolvimento. Mas para isso, é preciso ensinar.
O RISCO DE UMA GERAÇÃO QUE CONSOME, MAS NÃO CRIA
A facilidade de acesso não vem acompanhada de intencionalidade. O celular entrega tudo em poucos cliques, mas raramente convida à reflexão. Sem um adulto por perto para mediar, orientar e provocar o pensamento crítico, o jovem se vê num mar de distrações — e muitas vezes, em riscos reais: isolamento, ansiedade, exposição a conteúdos inapropriados, dependência digital.
Enquanto isso, o computador, que poderia ser uma excelente porta de entrada para o aprendizado tecnológico mais profundo, vai sendo deixado de lado. Softwares de produtividade, organização de arquivos, digitação, programação básica… tudo isso exige mais do que um clique. Exige envolvimento. E orientação.
EDUCAÇÃO DIGITAL: UMA NOVA PRIORIDADE PARA PAIS, ESCOLAS E SOCIEDADE
“Quando uma criança aprende, por exemplo, a programar um jogo, editar um vídeo ou automatizar uma tarefa, ela passa a enxergar o computador não apenas como entretenimento, mas como uma ferramenta de expressão, estudo e até de futuro profissional”, complementa Nayara.
E não é exagero. O mercado de trabalho atual — e principalmente o do futuro — já valoriza essas habilidades. A fluência digital não é mais um diferencial; é pré-requisito.
Por isso, o debate vai além do “tempo de tela”. Ele se aprofunda na qualidade desse tempo. Afinal, de que adianta restringir horas se o conteúdo continua sendo vazio? Mais do que limitar, é preciso transformar o uso da tecnologia em algo produtivo, criativo e significativo.
ENTRE O ENTRETENIMENTO E O FUTURO: QUAL CAMINHO VAMOS OFERECER?
Ficou claro: ou educamos nossas crianças para usarem a tecnologia de forma inteligente, ou assistiremos a uma geração se perder entre likes, distrações e conteúdos tóxicos. Mas há alternativas. E elas passam por uma mudança cultural que começa em casa e se estende à escola.
A educação digital precisa ser incorporada ao dia a dia como algo tão essencial quanto ensinar a atravessar a rua, andar de bicicleta ou respeitar colegas na sala de aula. Porque, convenhamos, viver online também exige preparo.
O ALERTA ESTÁ LANÇADO — E A MUDANÇA, EM NOSSAS MÃOS
A série Adolescência não quer apenas entreter. Ela quer provocar uma reflexão urgente. E você, já parou para pensar sobre o tipo de relação que seus filhos — ou alunos — estão construindo com a tecnologia?
Ensinar, orientar, mostrar caminhos e incentivar o uso criativo das ferramentas digitais pode ser o ponto de virada entre um futuro repleto de oportunidades e um ciclo de vícios, alienação e isolamento.
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