Santa Catarina mais uma vez se destaca no cenário nacional da pesca da tainha. Em 2025, o estado bateu recorde de captura da espécie, somando mais de 2,5 mil toneladas pescadas por embarcações catarinenses. O desempenho reforça o protagonismo catarinense em uma atividade que, além de econômica, é profundamente enraizada na cultura e no modo de vida das comunidades litorâneas.
Conteúdos
Emalhe anilhado lidera capturas e comprova eficiência catarinense
Entre as diferentes modalidades de pesca, o emalhe anilhado se destacou como o grande campeão da temporada. Segundo dados da Secretaria de Comunicação do Estado (SECOM SC), 121 embarcações autorizadas capturaram 1.123,43 toneladas de tainha. Já o cerco/traineira industrial, com 10 embarcações em operação, registrou 412,95 toneladas.
Em contraste, o desempenho do emalhe liso — técnica utilizada majoritariamente por embarcações da região Sudeste — ficou abaixo do esperado: apenas 304,78 toneladas, o equivalente a 17% da cota permitida. O cenário evidencia a eficiência das práticas aplicadas em Santa Catarina e a organização dos pescadores locais frente aos desafios e limites impostos pela legislação ambiental.
Colaboração e escuta ativa marcam gestão da safra
O sucesso da temporada de 2025 não é apenas fruto da habilidade dos pescadores. A colaboração entre as comunidades pesqueiras, o governo federal e o estadual foi apontada como um dos principais pilares da boa performance.
A Superintendência Federal da Pesca em Santa Catarina avaliou de forma positiva a condução da safra e destacou a atuação do Grupo de Trabalho da Tainha (GT Tainha), responsável por articular medidas como a ampliação da cota por meio de transferências entre modalidades. Essas ações garantiram que pescadores artesanais — especialmente os do arrasto de praia — não fossem prejudicados no auge da temporada.
Além disso, o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) esteve presente em diversas etapas da safra, oferecendo suporte técnico, promovendo o monitoramento contínuo e conduzindo um processo de escuta ativa com os pescadores, fortalecendo o vínculo entre políticas públicas e as realidades locais.
Planejamento para 2026 mira sustentabilidade e segurança

Encerrada a temporada de 2025 com resultados expressivos, o foco agora é o futuro. Representantes do GT Tainha realizaram visitas técnicas em diferentes regiões do litoral catarinense na última semana, ouvindo diretamente pescadores e lideranças comunitárias. O objetivo é claro: construir, de forma participativa, o planejamento da safra de 2026.
A meta é equilibrar produtividade e preservação ambiental, garantindo que a pesca da tainha siga como fonte de renda e orgulho cultural, sem comprometer os estoques pesqueiros ou os ecossistemas costeiros.

“Esse diálogo é fundamental para garantir sustentabilidade e segurança para quem vive da pesca”, destacou Jean Ricardo, Superintendente Federal da Pesca e Aquicultura em SC
Um patrimônio cultural que se reinventa
A pesca da tainha em Santa Catarina é mais do que uma atividade econômica. Ela é um ritual de pertencimento, uma tradição passada de geração em geração. Mas, diante dos novos desafios ambientais e regulatórios, também é um campo de inovação e adaptação.
Com um setor cada vez mais organizado, políticas públicas mais atentas à realidade dos pescadores e um olhar voltado para o futuro, Santa Catarina mostra que é possível unir tradição, eficiência e sustentabilidade na gestão de seus recursos naturais.
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