Agosto lilás mobiliza lideranças femininas em Santa Catarina para o enfrentamento da violência contra a mulher

O Agosto Lilás tem se consolidado como um marco nacional no enfrentamento à violência contra a mulher, e este ano, a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) tornou-se palco de uma importante iniciativa para reforçar essa luta. A violência contra a mulher é considerada uma epidemia no Brasil, e os números recentes comprovam a urgência de ações efetivas. Segundo o 19° Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 1.492 mulheres foram vítimas de feminicídio no país, quase 300 mil medidas protetivas foram solicitadas, e mais de 300 mil mulheres sofreram agressão física dentro de suas próprias casas. Em Santa Catarina, até julho deste ano, 26 mulheres foram assassinadas por seus companheiros, conforme aponta o Observatório da Violência contra a Mulher da Alesc.

Diante desse cenário alarmante, o Parlamento catarinense recebeu, na noite de quarta-feira (20), a sétima edição do Destrave, evento que reuniu lideranças femininas e reforçou a necessidade de fortalecer a rede de apoio e a proteção às mulheres em situação de vulnerabilidade.

DESTAQUES DO DESTRAVE NO AGOSTO LILÁS

O Destrave, realizado no Plenarinho do Palácio Barriga Verde, mobilizou mulheres de diferentes setores da sociedade, oferecendo um espaço para diálogo, troca de experiências e compartilhamento de histórias de vida. Entre as participantes estiveram a deputada suplente Marlene Fengler (PSD), a deputada suplente Janice Krasniak (Podemos), e a empresária Zena Becker, que também ocupa o cargo de Secretária Executiva de Parcerias Estratégicas e Investimentos Internacionais da Prefeitura de Florianópolis.

O evento destacou-se por proporcionar às participantes a oportunidade de relatar seus desafios pessoais e profissionais, promovendo o protagonismo feminino e incentivando a criação de redes de apoio que ampliem a visibilidade das mulheres na sociedade.

A IMPORTÂNCIA DO AGOSTO LILÁS PARA O ENFRENTAMENTO DA VIOLÊNCIA

O Agosto Lilás é um movimento nacional que visa sensibilizar a sociedade sobre a gravidade da violência contra a mulher e estimular ações preventivas, educativas e de acolhimento. A escolha do mês se relaciona com a data de sanção da Lei Maria da Penha, em 7 de agosto de 2006, legislação que se tornou referência internacional no combate à violência doméstica.

Dados oficiais reforçam a magnitude do problema. Em 2024, quase 300 mil mulheres recorreram à Justiça para solicitar medidas protetivas, e mais de 300 mil relataram ter sofrido agressões físicas dentro do próprio lar. Tais números evidenciam que a violência doméstica continua sendo um grave problema de saúde pública, com impactos profundos na vida das mulheres, suas famílias e na sociedade como um todo.

Em Santa Catarina, os dados também chamam atenção. Até julho de 2025, o estado registrou 26 feminicídios, mortes que poderiam ter sido prevenidas com políticas públicas mais efetivas, apoio às vítimas e uma rede estruturada de proteção.

O ORIGEM E A MISSÃO DO DESTRAVE

O Destrave nasceu de dois movimentos sociais relevantes em Florianópolis, idealizados pelas empresárias Ana Costa e Andréa Vergani. Desde sua criação, o fórum tem se consolidado como uma plataforma de fortalecimento do protagonismo feminino, estimulando a criação de redes de apoio e promovendo visibilidade para causas voltadas à igualdade de gênero.

O evento não se limita à discussão teórica sobre direitos das mulheres; ele oferece experiências práticas de empoderamento, histórias inspiradoras e estratégias de enfrentamento à violência, demonstrando que o combate à desigualdade de gênero exige ação coletiva e engajamento de toda a sociedade.

FORTALECIMENTO DO PROTAGONISMO FEMININO

Uma das características centrais do Destrave é o incentivo ao protagonismo feminino. A iniciativa busca evidenciar o papel ativo das mulheres na transformação social e no fortalecimento de políticas públicas. Ao permitir que as participantes compartilhem suas trajetórias, o evento promove identificação, inspiração e estímulo à liderança feminina em diferentes esferas, sejam políticas, empresariais ou comunitárias.

Lideranças presentes destacaram a importância de eventos como este para a criação de redes de solidariedade, informação e apoio, fundamentais para que mulheres em situação de vulnerabilidade possam acessar proteção e orientação adequada.

REDES DE APOIO E VISIBILIDADE

Além de fortalecer o protagonismo, o Destrave atua na construção de redes de apoio que conectam mulheres com diferentes perfis e experiências. Essas redes são essenciais para que vítimas de violência encontrem acolhimento, orientação jurídica, suporte psicológico e assistência social.

O evento ainda contribui para aumentar a visibilidade da luta contra a violência de gênero, mostrando que a questão não é apenas individual, mas estrutural e social. Ao dar voz às mulheres, o fórum evidencia os desafios enfrentados por elas diariamente e reforça a necessidade de políticas públicas consistentes e eficazes.

EDUCAÇÃO E PREVENÇÃO COMO ESTRATÉGIAS

O combate à violência contra a mulher não depende apenas da atuação policial e judicial. A educação e a conscientização da sociedade são ferramentas fundamentais. Campanhas educativas, capacitação de profissionais e o incentivo ao diálogo são medidas essenciais para prevenir agressões e reduzir índices de feminicídio.

Durante o Destrave, debates abordaram a importância de programas de prevenção e educação em escolas, empresas e instituições públicas, reforçando que a mudança cultural é indispensável para a construção de uma sociedade mais justa e segura para todas as mulheres.

DESAFIOS E PERSPECTIVAS EM SANTA CATARINA

Em Santa Catarina, apesar dos avanços legais e das políticas públicas existentes, o enfrentamento da violência de gênero ainda enfrenta barreiras significativas. O estado registra casos frequentes de agressão doméstica, e a aplicação das medidas protetivas nem sempre ocorre de forma eficaz.

O Observatório da Violência contra a Mulher da Alesc tem desempenhado papel crucial ao coletar e divulgar dados que orientam políticas públicas e campanhas de prevenção. Até julho de 2025, 26 mulheres foram assassinadas por seus parceiros, evidenciando a necessidade urgente de ampliação de ações preventivas e de acompanhamento às vítimas.

O PAPEL DAS LIDERANÇAS FEMININAS

A presença de lideranças femininas no Destrave reforçou a importância de mulheres em posições de poder e influência. Deputadas, empresárias e ativistas compartilharam experiências que demonstram como a atuação coletiva e a articulação política podem transformar a realidade de milhares de mulheres em situação de risco.

Marlene Fengler e Janice Krasniak, deputadas suplentes, destacaram a relevância de políticas públicas que priorizem a proteção à mulher, ressaltando que o combate à violência doméstica é responsabilidade de toda a sociedade, e não apenas do Estado.

IMPACTO SOCIAL DO EVENTO

O Destrave vai além da mobilização simbólica. Ele contribui efetivamente para a construção de uma rede de apoio sólida, que conecta mulheres, instituições públicas e privadas, organizações sociais e a sociedade em geral. A visibilidade conquistada pelo fórum permite que mais pessoas tenham acesso a informações, recursos e suporte em casos de violência.

Ao compartilhar histórias reais de superação, o evento inspira outras mulheres a buscarem ajuda, denunciem abusos e assumam protagonismo em suas próprias vidas, reforçando a mensagem de que a luta contra a violência de gênero exige ação coletiva e solidariedade.


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