Irmã de Jorginho Mello é condenada por fraudes na Celesc

A irmã de Jorginho Mello, Rosa Maria Melo Gazoni, e o filho dela, Thiago Gazoni, foram condenados pela Justiça de Santa Catarina por envolvimento em um esquema de fraudes na Celesc, conforme apurado pelo jornalista Marcelo Lula, do portal SC em Pauta. A decisão foi proferida pela 2ª Vara Cível da Comarca de Joaçaba, após um processo que se arrastou por quase duas décadas e que revelou graves irregularidades dentro da estatal de energia.

DETALHES DO ESQUEMA INVESTIGADO

De acordo com a sentença, Rosa Maria ocupava o cargo de chefe da Divisão Administrativa e Financeira da Celesc quando teria direcionado compras de computadores, impressoras e periféricos para uma empresa de fachada pertencente ao próprio filho. Para dar aparência de legalidade, foram simulados orçamentos e utilizadas notas fiscais falsificadas. Parte dos produtos, segundo a investigação, teria sido adquirida no Paraguai.

De acordo com a sentença do juiz Fabrício Rossetti Gast: “Restou comprovado que a requerida Rosa Maria Melo Gazoni, valendo-se da função que exercia, direcionou compras para a empresa de seu filho, Thiago Gazoni, simulando orçamentos para mascarar a dispensa de licitação”.

OUTROS ENVOLVIDOS NA FRAUDE

O esquema contou também com a participação do ex-gerente da estatal, Aldo Antunes Livramento. Além de apoiar as operações, ele teria utilizado recursos públicos da companhia para despesas pessoais. A decisão determinou que todos os condenados devolvam os valores desviados e cumpram sanções adicionais, como a suspensão dos direitos políticos por cinco anos.

IRREGULARIDADES NO PROGRAMA DE DEMISSÃO

A Justiça identificou ainda irregularidades na adesão de Rosa Maria e Aldo Antunes ao Programa de Demissão Voluntária Incentivada (PDVI). Cada um recebeu quase R$ 300 mil em indenizações, valores que agora deverão ser restituídos aos cofres públicos. O magistrado classificou a concessão como ilegal e vinculada ao esquema de improbidade administrativa.

REPERCUSSÃO E CONTEXTO POLÍTICO

Outro ponto ressaltado na decisão foi a influência do parentesco de Rosa Maria com o governador Jorginho Mello (PL). Segundo a análise judicial, essa relação criou um ambiente de proteção institucional que teria dificultado a investigação interna das práticas irregulares.

O caso de Joaçaba se soma a outros episódios que geraram debates sobre o uso de cargos públicos para benefício de familiares, reacendendo críticas quanto à gestão de pessoas ligadas ao entorno político do atual governador.

DECISÃO JUDICIAL E PRÓXIMOS PASSOS

O processo, iniciado em 2007, chegou à fase de julgamento apenas em 2025, após tramitar por diferentes instâncias. A condenação, entretanto, ainda não é definitiva e cabe recurso no Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

A decisão reforça a necessidade de fiscalização contínua sobre estatais e sobre a aplicação de mecanismos de compliance no setor público, especialmente em empresas estratégicas como a Celesc.


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