A discussão sobre políticas públicas para o Carnaval ganhou destaque durante a abertura do 7º Congresso Nacional das Escolas de Samba (Conasamba), realizada na última sexta-feira (26) na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Com o tema Sankofa, a alma ancestral do samba, o evento reforçou a importância de resgatar a história da festa para projetar seu futuro e se estendeu até domingo (28), reunindo gestores, artistas e pesquisadores.
Conteúdos
NOVO PARADIGMA NO TRATAMENTO DO CARNAVAL
O secretário-executivo do Ministério da Cultura (MinC), Márcio Tavares, destacou que, pela primeira vez em quatro décadas de existência do órgão, o carnaval e suas agremiações são reconhecidos como um “tema estruturante para a política de cultura” do país, ultrapassando a visão de uma manifestação exclusivamente local.
“O Governo Federal, na gestão do presidente Lula, está assumindo a sua responsabilidade dentro dessa estruturação. Queremos promover políticas públicas que sejam duradouras, transformadoras e contribuam efetivamente para o desenvolvimento do carnaval brasileiro”, afirmou Tavares.
PRINCIPAIS AÇÕES PARA O CARNAVAL
Entre os anúncios, estão:
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A criação de um Grupo de Trabalho permanente dedicado ao Carnaval dentro do MinC;
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Cursos de capacitação na plataforma Escola Solano Trindade de Formação e Qualificação Artística, Técnica e Cultural (Escult), em parceria com a Federação Nacional das Escolas de Samba (Fenasamba), para facilitar o acesso a editais e mecanismos de fomento, como a Lei Aldir Blanc;
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Campanha para incentivar a transformação de escolas de samba em Pontos de Cultura, possibilitando acesso aos recursos da Política Nacional de Cultura Viva, que conta com R$ 500 milhões anuais;
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Parcerias com instituições de ensino, como a UFSC e o Instituto Federal de Santa Catarina, voltadas à profissionalização do setor.
Tavares reforçou que as escolas de samba são motores da economia criativa, preservam tradições e atuam como centros de formação cultural e inclusão social. “Elas movimentam uma cadeia produtiva complexa que gera emprego e renda durante todo o ano, envolvendo artesãos, costureiras, músicos, dançarinos, cenógrafos e centenas de outros profissionais”.
CONASAMBA COMO ESPAÇO DE POLÍTICAS PÚBLICAS
O presidente da Fenasamba, Kaxitu Campos, reforçou a relevância do congresso como espaço para a construção de políticas públicas permanentes. “Defendemos um desfile que preserve as raízes, avance para o futuro e valorize os valores fundamentais ancestrais das escolas de samba. O carnaval necessita de um espaço institucional que atue como articulador de políticas públicas e promova o diálogo com os demais órgãos do governo, e entendemos que esse espaço deve estar vinculado ao Ministério da Cultura”, disse.
PARCERIA COM UNIVERSIDADES E INSTITUTOS FEDERAIS
A vice-reitora da UFSC, professora Joana Célia dos Passos, destacou a relação entre as escolas de samba e as instituições de ensino. “Não é por acaso que as agremiações de carnaval têm o nome de escola. Vocês são escola, nós somos escola. Há uma linha que nos articula, que tece uma relação de aprender e de ensinar entre nós”, afirmou. “As escolas de samba ensinam a história que não se conta, a história sobre um país que não está no retrato”.
O congresso também promoveu debates sobre financiamento das escolas, leis de incentivo, preservação da memória e articulação com instituições de ensino e pesquisa. No sábado (27), uma mesa de discussão do Grupo de Trabalho do Carnaval do MinC debateu o papel das universidades e institutos federais na consolidação de políticas públicas para o Carnaval.
Com informações do Ministério da Cultura
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