Chiodini deverá ser o vice de Jorginho – Artigo por Frutuoso Oliveira

Até o mais cético dos emedebistas ficou empolgado com o tamanho do evento realizado em Balneário Camboriú, no último sábado. Cerca de 6 mil pessoas, segundo a assessoria do partido. Era, sem dúvida, muita gente no Centro de Eventos. Acompanho o MDB há alguns anos e há muito tempo um encontro desse tamanho.

O ponto alto ficou para o discurso do governador Jorginho Mello (PL) que no final de sua fala, abraçou o presidente do MDB, deputado federal licenciado Carlos Chiodini, e disse em alto e bom som: “Carlinhos, nós estaremos juntos no que vem”.

Jorginho não disse que Carlos Chiodini será seu vice. Até porque, seria uma deselegância com o MDB que é quem deve decidir o nome. Mas, pelos gestos, ficou muito claro que só um fato muito atípico — que em política tudo pode acontecer — tirará o partido da chapa majoritária encabeçada por Jorginho Mello.

É cedo para cravar, mas tudo leva a crer que Chiodini será o candidato a vice de Jorginho Mello. Hoje, ele tem o apoio da ampla maioria das bancadas federal e estadual do partido.

De resto, foram discursos festivos, homenagens e muito barulho, com jingles e palavras de ordem. O deputado Antídio Lunelli, quem em 2022 disputou a indicação para ser candidato a vice de Carlos Moisés, e perdeu na convenção emedebista, levou uma bela torcida, com camisetas, bandeiras e batucada. Não aprendeu, com o exemplo de 2022, que a escolha é feita pelos delegados e não pelos torcedores.

O aceno de Jorginho Mello ao MDB começa a definir a sua chapa. Ao Senado, os candidatos deverão ser Carlos Bolsonaro (PL) e Esperidião Amin (PP). Ainda resta achar um lugar para Carol De Toni, deputada do PL, que está sendo cozinhada, em fogo brando, por Jorginho Mello.

Assim vão se consolidando as chapas à eleição de 2026. Além de Jorginho, o ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues, pelo PSD, e Décio Lima, do PT (ou alguém de esquerda) fecharão a disputa.

João Rodrigues, isolado em seu projeto, falou à Rádio Chapecó, nesta semana, que não queria mesmo o MDB em sua chapa, porque o partido está atrelado ao Governo Lula. Inclusive criticou o presidente estadual da sigla, Carlos Chiodini, de votar projetos favoráveis ao Governo, na Câmara.

De Toni x Bolsonaro

Se por um lado, ao atrair MDB, Republicanos, Podemos e União Progressista para o seu projeto, por outro lado Jorginho sofre críticas por reservar um lugar, sob pressão de Jair Bolsonaro, para o vereador carioca Carlos Bolsonaro.

Santa Catarina já contemplou o bolsonarismo em 2022, elegendo o carioca Jorge Seif e agora segue no mesmo caminho abrindo espalho para o filho do ex-presidente. Não acrescentam nada para Santa Catarina, a não ser a defesa de pautas ideológicas e de interesse da família Bolsonaro.

No fim, o eleitor catarinense é quem vai dizer se quer continuar terceirizando as cadeiras ou se prefere representantes com endereço por aqui mesmo.

Mas, até lá, o jogo segue.

 

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