A COP30, que será realizada em Belém (PA) entre 10 e 21 de novembro de 2025, contará com uma representante brasileira dedicada exclusivamente à pauta dos oceanos. A professora Marinez Eymael Garcia Scherer, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), foi nomeada Enviada Especial para os Oceanos da COP30, reforçando o papel estratégico do mar nas negociações climáticas globais.
A pesquisadora destacou que “a prioridade agora é fazer com que o oceano ocupe lugar de destaque nas negociações climáticas, ao lado de temas como florestas e transição energética. Sendo o principal regulador climático do planeta, já passou da hora de trazer a saúde do oceano e as soluções baseadas no oceano para o centro das discussões”.
Conteúdos
OCEANO TERÁ PAPEL CENTRAL NAS DISCUSSÕES DA COP30
Como enviada especial, Marinez será responsável por conectar atores não governamentais à conferência e ampliar o alcance das discussões sobre a importância do oceano nas políticas de enfrentamento às mudanças climáticas. Ela explica que esta é a primeira vez que uma Conferência das Partes (COP) adota o formato de enviados especiais, uma inovação da presidência brasileira do evento.
Ao todo, 22 enviados nacionais e 8 internacionais atuarão em temas diversos como energia, agricultura, florestas, biodiversidade e sociedade civil. No caso de Marinez, o foco será fortalecer o reconhecimento do oceano como peça-chave na regulação climática e no equilíbrio ambiental.
INICIATIVAS E PROJETOS LEVADOS À COP30
A professora participa do Grupo de Ativação do Objetivo 7 da COP30, que busca promover “esforços para restaurar e proteger os ecossistemas costeiros e o oceano”. Durante a conferência, será apresentado o Plano de Aceleração de Soluções, elaborado no contexto da Agenda de Ação da COP30, com base em iniciativas globais já em andamento e que possuem resultados mensuráveis.
Entre as ações destacadas está o Mutirão Azul – Soluções baseadas no Oceano para o enfrentamento da crise climática, um formulário aberto a contribuições de organizações não governamentais, comunidades tradicionais, academia, investidores e governos. As propostas recebidas até o dia 21 de novembro serão compiladas em um documento que integrará as entregas oficiais à Presidência da COP30 e posteriormente à COP31.
O formulário está disponível neste link para participação.
PARTICIPAÇÃO INTERNACIONAL E RELEVÂNCIA ACADÊMICA
Desde que assumiu o posto, Marinez tem representado o Brasil em diversos fóruns internacionais, incluindo a Terceira Conferência das Nações Unidas sobre o Oceano (UNOC3), realizada em junho, na França, e a Conferência de Bonn sobre Mudanças Climáticas, na Alemanha. Também marcou presença em eventos da Semana do Clima de Nova Iorque, além de publicar artigos e participar de debates nacionais e internacionais sobre o tema.
Na UFSC, ela leciona disciplinas voltadas à Gestão Costeira Integrada e ao Planejamento Espacial Marinho, além de coordenar o Laboratório de Gerenciamento Costeiro Integrado (LAGECI). Entre 2023 e 2024, atuou como Coordenadora-Geral do Gerenciamento Costeiro no Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
OCEANOS COMO REGULADORES CLIMÁTICOS DO PLANETA
O oceano é considerado o principal regulador climático da Terra, absorvendo mais de 90% do calor excedente e um quarto das emissões globais de dióxido de carbono (CO₂). Entretanto, os impactos do aquecimento global, aliados à poluição, sobrepesca e destruição de ecossistemas marinhos, vêm comprometendo sua capacidade de equilíbrio.
Essas ameaças incluem a acidificação das águas, a redução da biodiversidade e a alteração das correntes oceânicas, fatores que repercutem diretamente sobre o clima global e a vida no planeta.
Para Marinez, o caminho é adotar uma gestão sustentável das zonas costeiras e marinhas, com ênfase em ações como a descarbonização da frota marítima, o fomento à energia renovável offshore, a proteção dos ecossistemas costeiros e o incentivo à pesca sustentável.
IMPACTOS DA EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO NA MARGEM EQUATORIAL
A pesquisadora ressalta que qualquer exploração e queima de combustíveis fósseis interfere diretamente na saúde do oceano e da vida marinha. Além de intensificar o aquecimento global, atividades desse tipo trazem riscos de derramamento de óleo e alteração de ecossistemas costeiros, especialmente na região amazônica, considerada uma das mais sensíveis do planeta.
CONTRIBUIÇÕES DA UFSC PARA A CULTURA OCEÂNICA
A Universidade Federal de Santa Catarina mantém forte atuação na área de pesquisa oceânica, com destaque para projetos de oceanografia, energias renováveis, aquicultura e sustentabilidade marinha. O trabalho desenvolvido por docentes e pesquisadores da instituição tem contribuído para a formulação de políticas públicas e apoio técnico aos tomadores de decisão.
Além da produção científica, a UFSC investe em ações de extensão voltadas à popularização da cultura oceânica, aproximando a sociedade dos temas relacionados ao mar e ao clima.
O formulário para registro de soluções voltadas ao enfrentamento da crise climática, com foco na zona costeira e no oceano, está disponível neste link.
Com informações da Notícias da UFSC
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