Vídeo publicado por Júlia Zanatta evidencia racha no PL após negociações com MDB

A aproximação de Jorginho Mello com o MBD tem sido fonte de críticas dentro do PL catarinense. Uma das principais vozes contrárias à aliança é a deputada federal Júlia Zanatta, que publicou no dia 25 de outubro em suas redes um vídeo onde critica a movimentação, citando a participação do governador em um evento organizado pelo MDB em Balneário Camboriú. Ela acusa o governador de abandonar sua base eleitoral ao negociar a formação de uma coligação com os emedebistas.

O principal alvo do descontentamento de Zanatta é o presidente estadual do MDB, Carlos Chiodini, que posou ao lado de Jorginho durante o evento. Segundo ela, o posicionamento e as declarações feitas pelo hoje Secretário da Agricultura o tornam incompatível com o projeto político do PL em Santa Catarina.

“Ele disse que as pessoas se desacreditaram da política, e que estamos debatendo coisas inúteis, como anistia, comunismo, conservadorismo”, afirmou a deputada no vídeo, citando declarações dadas por Chiodini em uma publicação. “Como eles querem entrar em nosso projeto aqui em Santa Catarina dizendo que é inútil debater anistia, sendo que tem presos políticos até hoje e a anistia é a única forma de nos devolver Bolsonaro?”

Para Júlia, a aproximação com o MDB é um erro estratégico de Jorginho, e os dois partidos deveriam investir em projetos próprios para 2026. Em seu cálculo, a aliança não faria sentido, pois Jorginho teria força suficiente para se eleger sem precisar articular coligações. “Eu acho errado nós, no estado mais forte do conservadorismo no Brasil, cedermos da forma como estamos fazendo”, afirmou ela.

Zanatta já demonstrava insatisfação com a aproximação entre o governo do estado e o MDB desde as últimas eleições municipais, e reclamou da nomeação de representantes do partido para cargos no Executivo estadual. No início do ano, ela também protagonizou uma briga pública, com direito a troca de farpas nas redes sociais, com o deputado Fernando Krelling pela nomeação do presidente da Fesporte. Perdeu. No fim, o chefe da autarquia foi nomeado pelo MDB.

Deputada também critica formação de chapa para o Senado

Na publicação, a deputada também criticou, de maneira indireta, as articulações para a candidatura de Esperidião Amin (Progressistas) ao Senado. Sem citar o nome do senador, ela defende a manutenção de uma chapa pura do PL em 2026, com Carol De Toni, sua colega de partido, em uma das vagas, ao lado do vereador carioca Carlos Bolsonaro.

“Deixar de lado Carol de Toni, candidata natural ao senado por SC, é um erro. O recado que fica é que pessoas como eu e ela podemos nos esforçar, fazer tudo que já fizemos, e mesmo assim correr o risco de chegar um cacique partidário e negociar vaga por causa de tempo de TV”, criticou a deputada.

“Eu não sou contra as coligações, mas apenas em Estados onde não temos força. Se o Jorginho corresse o risco de perder a eleição, eu apoiaria, mas eu acho que ele não corre”.

As falas de Júlia Zanatta evidenciam um sentimento compartilhado por boa parte do partido: o de que as eleições de 2026 já estão garantidas. É uma análise incompleta da situação eleitoral do Estado, no entanto. A direita é sim hegemônica aqui em Santa Catarina, mas dentro deste campo político, o PL ainda não alcançou a hegemonia. No ano que vem, há um candidato com muita força, que roubará uma parte considerável dos votos de Jorginho: João Rodrigues.

As articulações do governador, portanto, demonstram uma preocupação em consolidar uma posição que é, sim, forte, mas não incontestável. No fim do dia, a política é feita de negociações, e não do isolamento defendido por Zanatta.

Confira o vídeo completo

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