João Rodrigues quer ser governador, mas enfrenta isolamento e resistência dentro do próprio partido

Se nas eleições de 2022 a direita esteve fragmentada, lançando cinco candidaturas distintas para o governo do Estado, tudo indica que em 2026 suas divisões internas terão sido remendadas. Os principais partidos do campo se consolidam em torno de duas figuras possíveis para o ano que vem: o governador Jorginho Mello, favorito na disputa pela reeleição, e o prefeito de Chapecó João Rodrigues, que ensaia meios de tirar a cadeira de seu adversário político. 

Nos meses que intercedem a campanha, marcados pela movimentação dos bastidores, o PL de Jorginho vem roubando a cena, fechando uma aliança com o MDB e encaminhando uma dobradinha com o Progressistas de Esperidião Amin — tudo isso em meio a uma briga interna no partido. João Rodrigues, por sua vez, tem ficado em seu canto. O pré-candidato, conhecido por suas falas e ações polêmicas, tem aparecido pouco nas últimas semanas, e muitos questionam se seu projeto político segue mesmo firme. 

(Falta de) articulações

Uma das últimas declarações dadas pelo prefeito de Chapecó à imprensa sobre o pleito de 2026 aconteceu no final de outubro, quando João Rodrigues concedeu entrevista à Rádio Nossa FM, de Jaraguá do Sul. Na ocasião, ele falou sobre o MDB, e rejeitou qualquer possibilidade de articular uma parceria com a sigla — poucos dias antes dos emedebistas convidarem Jorginho para sua convenção em Balneário Camboriú. Segundo ele, o posicionamento nacional do partido o tornaria “esquerdista demais” para seu gosto, uma vez que o presidente nacional do MDB, Carlos Chiodini, teria votado com o governo federal em mais de uma ocasião. 

Essa declaração exemplifica a tônica da pré-campanha de João Rodrigues, que tenta se posicionar enquanto mais à direita, e mais bolsonarista, que Jorginho. Na mesma entrevista, ele citou o desejo de compor chapa com a federação União-Progressista, pela proximidade que possui com o senador Esperidião Amin (Progressistas) e com o deputado federal Fábio Schiochet, presidente estadual do União Brasil. O problema é que a mesma federação tem grandes chances de aderir ao projeto do PL para o ano que vem, a depender de como a crise entre os liberais irá se resolver. 

Oportunidade na crise

A briga interna no PL pode gerar frutos para João Rodrigues. Se Carol De Toni, principal prejudicada pela vinda de Carlos Bolsonaro a Santa Catarina, realmente deixar o partido e se juntar ao Novo, essa pode ser uma oportunidade de articulação para o prefeito de Chapecó. 

Por outro lado, na improvável possibilidade de o PL seguir com uma chapa pura composta por De Toni e Carlos, como alguns bolsonaristas defendem, a federação União Progressistas pode decidir abandonar o barco liberal, e se juntar ao projeto de João Rodrigues. Extremamente improvável, mas nada é impossível na política catarinense. O prefeito de Chapecó precisa apenas esperar para ver os próximos capítulos do cisma. 

Isolado

Mas antes de tentar formar alianças com outras legendas, João Rodrigues precisa conquistar seu próprio partido. Sua candidatura ao governo do Estado ainda não é um consenso dentro do PSD, e figuras como Topázio Neto demonstram mais simpatia com Jorginho Mello do que com seu correligionário. 

Apoio

Um apoio importante que João Rodrigues recebeu nos últimos dias foi de Luciano Hang, dono da Havan. O empresário visitou Chapecó e gravou um vídeo com o prefeito da cidade, elogiando um projeto de acolhimento direcionado a pessoas em situação de rua. Nos bastidores, há quem diga que o gesto sinaliza um apoio à candidatura de João Rodrigues para o governo do Estado. 

Resta saber se o apoio de Luciano Hang é suficiente para um candidato que está cada vez mais isolado, e que não teve sucesso em articular com os principais partidos do estado. Há quem questione, inclusive, se João Rodrigues não repetirá o que fez em 2022, quando desistiu de sua candidatura ao governo do estado. A um ano das eleições, muita coisa pode acontecer.

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