A direita brasileira ganhou mais um candidato à presidência — dessa vez, um manezinho da Ilha. Isso porque o Cabo Daciolo anunciou sua pré-candidatura através de uma publicação em suas redes no final de outubro, junto a um vídeo de sua participação em um debate de presidenciáveis no qual participou em sua última aventura eleitoral, em 2018.
“Vamos transformar a colônia brasileira em nação brasileira”, afirmou ele em sua publicação, complementada por uma citação bíblica: “‘Então vocês clamarão a mim, virão orar a mim, e eu os ouvirei. Vocês me procurarão e me acharão quando me procurarem de todo o coração. Eu me deixarei ser encontrado por vocês’, Jeremias 29:11-14”
“Servo do Deus vivo”
Evangélico pentecostal e extremamente religioso desde o início de sua trajetória política, ele promete transformar o Brasil em uma grande nação — e afirma ter sido enviado por Deus para cumprir esse propósito. “Não sou um político, sou um enviado de Deus. […] Sou servo do Deus vivo”, ele afirma em suas redes.
Em seu anúncio público, Daciolo repete o tom de sua última campanha, marcada pela retórica nacionalismo, citações religiosas e messianismo. Em 2018, ele foi candidato pelo Patriota, e conquistou o sexto lugar no pleito, com 1,26% dos votos válidos.
Sua campanha rendeu memes na internet, e transformou-o em uma figura reconhecida na política nacional. Ele chegou a se afastar por um período de 21 dias para jejuar e rezar no Monte das Oliveiras, no Rio de Janeiro. Durante esse tempo, ele não participou de debates e nem concedeu entrevistas.
Após as eleições, ele deixou o Patriota em 2019, e desde então passou pelo PL, pelo Partido da Mulher Brasileira (PMB), pelo PDT — quando tentou uma vaga no Senado na chapa de Ciro Gomes, durante as eleições de 2022 — e pelo Republicanos. Hoje, não está filiado a nenhuma legenda.
Manezinho da Ilha
Benevenuto Daciolo Fonseca dos Santos, o Cabo Daciolo, nasceu em Florianópolis no ano de 1976. Sua carreira política, no entanto, foi construída no Rio de Janeiro, onde foi bombeiro militar e ganhou reconhecimento por liderar uma greve da categoria em 2011. Ele chegou a ser preso após ocupar, junto com seus colegas, o quartel da corporação e acampar em frente à Assembleia Legislativa do Rio.
Daciolo se elegeu deputado federal pelo Rio de Janeiro em 2014, pelo Psol, mas foi expulso do partido no ano seguinte, após ter protocolado um projeto de Emenda Constitucional que sugeria a alteração do primeiro parágrafo da Carta Magna brasileira: de “todo o poder emana do povo”, o texto constitucional passaria a ser “todo o poder emana de Deus”.
Dever de casa
Seu tom messiânico não deixa dúvidas: ele será o próximo presidente do Brasil — ao menos, em sua cabeça. Mas antes, ele tem algumas burocracias a resolver, como arranjar um partido disposto a lançar sua candidatura, e organizar uma campanha que possa ampliar seu eleitorado para além dos cerca de 1,3 milhão de votos que conseguiu em 2018. Se ele vai conseguir cumprir com essas obrigações, apenas o tempo pode dizer.

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