O Hospital Infantil Joana de Gusmão (HIJG), em Florianópolis, promoveu uma mobilização marcada por sensibilidade e simbolismo ao reunir super-heróis e pacientes em tratamento oncológico em uma atividade voltada para o diagnóstico precoce do câncer infantil. A iniciativa ocorreu na terça-feira, 25, e emocionou familiares, profissionais e voluntários, consolidando a palavra-chave super-heróis como eixo central da ação de humanização.
O encontro fez referência ao Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantil, celebrado no dia 23, e propôs um gesto de empatia: personagens vestidos de heróis tiveram os cabelos raspados pelas próprias crianças atendidas no ambulatório.
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PROTAGONISMO DAS CRIANÇAS
A ação ganhou destaque quando a voluntária Joicy Freitas chegou ao setor de Oncologia com cabelos longos e deixou o hospital completamente transformada após ter os fios raspados e destinados à doação. Há quatro anos atuando junto à instituição, ela descreveu a entrega como um gesto de fé e solidariedade:
“Não é fácil tomar essa atitude. Foi um pedido de Deus, algo que coloquei no meu coração como impossível de negar. É um gesto de coragem para mostrar a eles que não estão sozinhos, que Deus está presente em cada momento. A luta é grande, mas tenho certeza de que a vitória chegará para cada um”, ressaltou.
O corte de cabelo, em muitos casos relacionado aos efeitos dos tratamentos, representou naquele momento um símbolo de apoio às crianças, que diariamente enfrentam desafios intensos com força e resiliência.
IMPACTO NO AMBIENTE HOSPITALAR
A diretora do HIJG, Maristela Biazon, destacou o alcance emocional e motivacional da iniciativa. Segundo ela, o gesto aproxima profissionais, voluntários e pacientes, reforçando a mensagem de que o enfrentamento da doença é coletivo:
“É um evento bem relevante, tanto para as crianças quanto para nós, profissionais. É um momento em que heróis, heroínas e princesas se assemelham a elas, raspando a cabeça, mostrando que essa luta não é só delas e que não estão sozinhas. Temos excelentes índices de tratamento e cura, e isso também é significativo para cada uma”, afirmou.
O evento contou com a parceria da Associação de Voluntários de Apoio e Assistência à Criança e ao Adolescente (AVOS), responsável por uma série de iniciativas voltadas ao enfrentamento do câncer infantil. Entre elas, estão programas de capacitação para diagnóstico precoce, aquisição de insumos e medicamentos, auxílio a famílias e manutenção da Casa de Apoio Vovó Gertrudes.
SUPER-HERÓIS COMO SÍMBOLO DE CORAGEM
A presidente da AVOS, Zélia Maria Silva Rocha, enfatizou a importância de ações que reforcem a autoestima das crianças e diminuam o impacto emocional do tratamento:
“Quando iniciam o tratamento, é um momento muito difícil para as crianças. Aos poucos, elas vão se tornando heróis, porque enfrentam o hospital toda semana, com medicações, cirurgias, inclusive a perda do cabelinho, e isso marca muito. Por isso, na Festa da Esperança, convidamos esses pequenos super-heróis para cortar o cabelo dos super-heróis que fazem parte do dia a dia deles no hospital. É uma forma de aliviar um pouco o peso de tudo o que eles passam”.
CELEBRAÇÃO DO ENCERRAMENTO DO TRATAMENTO
O ponto mais simbólico do dia veio com a pequena Sophia Alves Thieves, que tocou o sino da vitória ao lado da família e da equipe multidisciplinar. O gesto, tradicional em unidades de oncologia, marca o fim de uma etapa crucial do tratamento e representa um marco de esperança também para outras crianças.
Sophia comemorou:
“É a sensação de que estou terminando a primeira fase do tratamento e que vou para a segunda etapa. Minha mãe, minha irmã e meu pai me ajudaram a ser forte durante esse processo. E o que me deixa mais feliz é ter minha família junto comigo e todos me apoiando”.
A mãe, Kathlen Elisiane dos Santos Alves, agradeceu o apoio recebido:
“Agradeço a todos, primeiramente a Deus, e aos anjos sem asas, os profissionais que fizeram tudo pela minha filha. Hoje ela toca o sino graças a Deus, ao hospital e à AVOS”.
Com ações como esta, o HIJG reforça o papel da humanização no ambiente hospitalar e destaca a importância do diagnóstico precoce, ao mesmo tempo em que reconhece a coragem das crianças que, dia após dia, se tornam verdadeiros super-heróis em suas jornadas.

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