Nos últimos meses, uma enxurrada de denúncias envolvendo a administração passada de Blumenau tem exposto, de forma cada vez mais clara, a precariedade da gestão de Mário Hildebrandt (PL), hoje secretário de Estado da Proteção e Defesa Civil. As suspeitas são numerosas e graves. A Operação Carga Oca, do GAECO, investiga possível fraude milionária no fornecimento de material de pavimentação à SEURB, com caminhões pagos para transportar cargas que nunca chegaram ao destino. Soma-se a isso a denúncia da compra de livros a R$ 1 mil por exemplar e as acusações de irregularidades nas licitações de publicidade. Como se não bastasse, o ex-prefeito agora é convocado a depor, nesta terça (02), na CPI do Esgoto, que apura inconsistências na política tarifária e na assinatura de termos aditivos.
Diante desse cenário, torna-se impossível ignorar a fragilidade de uma liderança que se mostrou incapaz de conduzir Blumenau com responsabilidade, visão e, sobretudo, transparência. O governo Hildebrandt não trouxe investimentos relevantes, não construiu alternativas econômicas e permitiu que a cidade perdesse protagonismo regional enquanto municípios vizinhos avançavam – e avançam – com planejamento e união.
No turismo, setor vital para Blumenau, o decorrente desalento é brutal. O tão prometido centro de eventos ficou no limbo. O teleférico e o roteiro do centro histórico viraram lendas urbanas. A cidade, em vez de valorizar artistas de rua, há anos entregou seus muros à pichação. A Rua XV de Novembro, símbolo e cartão-postal, lentamente foi ficando descaracterizada e hoje está longe do brilho que já teve.
O impacto disso tudo é evidente. Blumenau se esvazia. Empresários locais, cansados da falta de apoio, quando possível encontram mais ambiente para crescer em Foz do Iguaçu, São Paulo, Rio de Janeiro ou nas vizinhas Pomerode e Balneário Camboriú. Temos que elogiar o empenho republicano do Ministério Público do Estado de Santa Catarina (MP-SC) e do Tribunal de Contas do Estado (TCE), além fiscalizar com afinco a atual administração. A gestão passada deixou uma herança amarga. E explica muito a cidade desanimada e isolada que vemos hoje, fruto de um voto que custou caro demais. É inócuo ler um versículo da Bíblia pela manhã e praticar exatamente o contrário à tarde.
Develon da Rocha é conselheiro municipal de Turismo de Blumenau

No creo en brujas, pero que las hay, las hay
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