O teatro eleitoral de Santa Catarina terá um ator de peso no próximo ano. Em negociação desde a metade do ano passado e agora nos últimos passos de sua formalização, a Federação União Progressista promete embaralhar o cenário nacional — e ser o fiel da balança na definição de quem será o próximo governador do Estado. Por isso, grande parte das negociações da direita catarinense para 2026 giram em torno de qual projeto esse grupo apoiará: o de Jorginho Mello ou de João Rodrigues?
A aliança formada pelos partidos União Brasil e Progressistas e com 109 deputados federais em suas fileiras, será a maior força política no país. Em Santa Catarina, produzirá a segunda maior bancada da Alesc, atrás apenas do PL de Jorginho. Essa força no legislativo nacional traz um peso importante para a disputa eleitoral, na forma de 20% do horário eleitoral gratuito disponível a todos os partidos, ou quase dois minutos de inserção em rádio e televisão. Para uma disputa majoritária, onde cada voto conta muito, isso tem o potencial de definir o pleito antes da corrida terminar.
Uma condição
Mas o apoio da Federação tem um preço. No cenário nacional, já está definido que ela não apoiará a reeleição de Lula, e sim, um eventual opositor ao petista. Já em Santa Catarina seus representantes condicionam uma eventual aliança à reeleição de sua principal liderança no Estado: o senador Esperidião Amin (Progressistas).
Essa articulação vinha sendo desenhada com Jorginho Mello, que vinha incluindo o senador em sua chapa desde os esboços iniciais. Esse plano, no entanto, foi prejudicado pela imposição da candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado, ocupando uma das duas vagas disponíveis. A outra ficou entre a deputada federal Carol De Toni, correligionária do governador, e Amin.
Sem nenhuma definição por parte de Jorginho, tudo indica que De Toni será removida da equação sem cerimônias, para não atrapalhar as articulações. Amin e sua federação, no entanto, não querem pagar para ver, e estão em contato com João Rodrigues e os representantes de seu partido, o PSD, para ver o que o outro lado da direita catarinense tem a oferecer. Fábio Schiochet, presidente estadual do União Brasil e coordenador da União Progressista em Santa Catarina, inclusive participou do encontro do partido no qual foi confirmada a pré-candidatura de João Rodrigues, em setembro.
Escada
Para Jorginho Mello, no entanto, não há porque ter dúvidas ou receios. Ele recebeu lideranças da federação para um jantar na Casa d’Agronômica na última semana, e conversou com eles sobre seus planos para o ano que vem. Segundo fontes internas, o governo não enrolou: a sua chapa tem lugar garantido para Amin, ao lado de Carlos Bolsonaro. O problema é a base do PL, que tem muito mais afeição por De Toni do que por Amin, e clama por uma “chapa pura” ano que vem, inflamada por figuras como a deputada estadual Ana Campagnolo.
E é justamente essa insistência da base liberal que preocupa as lideranças da federação. Isso porque, apesar do peso significativo da federação, Amin já não está mais com aquela bola toda, segundo pesquisas recentes. Um levantamento realizado pelo Instituto Neokemp em outubro mostra o senador na quarta colocação, com 14% das intenções de voto para o senado — corrida que é liderada por Carol De Toni e Carlos Bolsonaro. Outra sondagem, realizada pelo Paraná Pesquisas, coloca Esperidião na mesma posição, atrás mesmo de Décio Lima, que hoje é pré-candidato ao governo do Estado pelo PT.
O único cenário em que Amin aparece em uma posição favorável é o previsto pelo Futura, em uma pesquisa divulgada na última semana. Neste, o senador figura em primeiro lugar, com cerca de 40% das intenções de voto. A saber qual é a previsão mais próxima da realidade — mas o futuro não parece tão certo para Amin.
O senador teme ser colocado de escanteio pela direita, e ter seus votos roubados por uma possível — mas até agora improvável — dobradinha composta por De Toni e Carlos Bolsonaro. No atual cenário, mesmo que a deputada federal fosse para o Novo, abrindo espaço para Amin na chapa do PL, ela ainda poderia continuar a favorita para o Senado.
Cuidado
O que alguns chamam de jogo duplo é, na verdade, sobrevivência política. Amin está há tempo suficiente na política para saber que, antes da afinidade ideológica, vem o pragmatismo. Por isso, nenhuma decisão será anunciada antes da hora. A federação precisa analisar muito bem suas opções antes de firmar qualquer aliança definitiva com um dos dois candidatos, para não ver seu peso político considerável ser utilizado como escada para o projeto de outra pessoa, e não afetar as chances de reeleição do seu senador.
Segundo fontes dos bastidores, a definição entre João Rodrigues e Jorginho Mello deve ocorrer até o final do primeiro trimestre de 2026. Nesse período, o grupo irá consultar os diretórios municipais e analisar as melhores propostas apresentadas tanto pelo PL quanto pelo PSD. Enquanto isso, almoços, jantares e reuniões com ambos os lados continuam.

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