A direita catarinense ganhou mais um pré-candidato ao governo do Estado no último mês. Isso porque o prefeito de Joinville, Adriano Silva, parece ter se animado para disputar o pleito após a publicação da pesquisa eleitoral realizada pelo Instituto Neokemp, que o colocou em quarto lugar na disputa, com 8,7% dos votos. Apesar de não admitir em público, ele já sinaliza para seus colegas de partido as suas intenções para o ano que vem — e tudo indica que o Novo virá com um projeto robusto para as eleições estaduais.
Prefeito da maior cidade do Estado, Adriano Silva é uma figura que tem ganhado proeminência nos últimos anos. Ele foi reeleito para o cargo em 2024 com cerca de 80% dos votos totais, e afirmava a todos que não tinha planos para 2026, e iria sim completar seu mandato. A pesquisa da Neokemp, no entanto, embaralhou seu planejamento, e colocou em frente a ele uma oportunidade irresistível.
Apesar de parecerem um resultado pífio, os 8% divulgados pela pesquisa eleitoral não podem ser ignorados. Esse é o primeiro — e até o momento, único — levantamento a levar em conta uma possível candidatura de Adriano, que mesmo sem ter um nome estadualizado, quase alcança os 13,2% de Décio Lima no páreo. É claro, Jorginho Mello ainda lidera com folga, com 39,5% dos votos, seguido por João Rodrigues, com 19,2%, mas a um ano do pleito, com toda a campanha pela frente, as chances de uma virada são consideráveis. Basta saber aproveitar a oportunidade.
Apoio nacional
Para que Adriano possa disputar o pleito, algumas coisas precisam ainda ser decididas dentro do partido. O Novo está sujeito a uma série de diretrizes que dependem tanto da candidatura à presidência da república quanto da própria sobrevivência da legenda, que exige a eleição de deputados federais. A decisão, portanto, ainda pode demorar a chegar, mas nada impede o prefeito de sonhar com o futuro próximo.
Mas se não há uma definição, há um burburinho dentro do partido. O presidente nacional da sigla já se manifestou quanto à possibilidade de Adriano concorrer, logo após a publicação da pesquisa Neokemp. Em um post em suas redes, Eduardo Ribeiro, que reside no Estado, compartilhou os números do levantamento, e comemorou: “Meu governador!”
Um “novo” Novo
Fundado em 2011 e registrado oficialmente no ano de 2015, o Novo tem ocupado um espaço cada vez maior na política brasileira, embora ainda sofra com dificuldades comuns a todos os partidos pequenos no Brasil — como a tão temida cláusula de barreira, que em 2022 fez com que apenas 3 deputados federais da sigla fossem eleitos, quando tecnicamente 11 candidatos teriam os votos necessários.
A candidatura de Adriano Silva apresenta uma alternativa para o partido em Santa Catarina, que no próximo ano pode entrar com um projeto robusto. Além dele, outro nome de peso no Estado é a deputada federal Carol De Toni (PL), que ao que tudo indica migrará para o Novo quando abrir a janela partidária. O movimento já é uma quase certeza nos bastidores, e possibilita que ela seja candidata ao Senado pelo partido — após ter sido escanteada por seus colegas do PL.
A combinação dos dois nomes para o ano que vem gera empolgação nas bases do Novo. Essa pode ser a primeira vez que a sigla é capaz de compor uma chapa com protagonismo no Estado. Há quem diga, inclusive, que Adriano tem chances de repetir o feito de Luiz Henrique da Silveira em 2002, que foi de azarão na disputa a governador eleito, superando Amin, que disputava a reeleição. Difícil, mas brincar com possibilidades é algo que quem observa a política gosta de fazer.
Riscos
É claro que um projeto desse porte tem um risco. Primeiro, a relação de Adriano Silva com Jorginho sofre um baque. Hoje, o prefeito de Joinville e o governador se consideram aliados, e já se reuniram em mais de uma ocasião na Casa d’Agronômica — a última vez, pouco menos de um mês antes da publicação da pesquisa Neokemp. Até a metade do ano, Adriano garantia que apoiaria o projeto de Jorginho para a reeleição. Se deixar o governador para trás, ele pode alienar ainda mais os vereadores do PL em Joinville, que hoje já votam com a oposição na Câmara Municipal.
Outro risco é o seu futuro político. Para se lançar candidato, Adriano precisará deixar a prefeitura — e no caso de uma derrota, entrará no limbo político que muitas figuras temem, sem mandato até o próximo pleito. Caso decida entrar na disputa, é preciso, no mínimo, se utilizar da candidatura para demarcar um espaço no cenário político catarinense, e poder aproveitar esse capital no futuro.
De qualquer maneira, a candidatura em 2026 parece ser a melhor saída para ele, uma vez que em Joinville ele não pode ir muito mais longe. Por estar em seu segundo mandato, Adriano não pode concorrer à reeleição em 2028. Resta ver se a “chapa de peso” do Novo realmente se concretizará — ou se o partido decidirá deixá-la no campo das ideias para tentar uma vaga no projeto de Jorginho Mello no ano que vem.

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