Reitor da UFSC aponta desafios e metas da universidade para 2026

A UFSC enfrenta um cenário de restrições financeiras e mantém como foco central a preservação da qualidade acadêmica e da permanência estudantil. A avaliação foi apresentada pelo reitor Irineu Manoel de Souza em entrevista concedida nesta quarta-feira, 14 de janeiro, ao Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA), no Gabinete da Reitoria, ao traçar um diagnóstico do orçamento das universidades federais e detalhar as prioridades da gestão para 2026.

Segundo o reitor, 2025 foi “um ano bastante difícil”, marcado por “poucos recursos” para assegurar o funcionamento pleno da instituição. Apesar do reconhecimento discursivo da importância da educação superior por parte do governo federal e da abertura de diálogo com o Ministério da Educação (MEC), Irineu avalia que, na prática, houve poucas mudanças efetivas no financiamento das universidades.

CORTE ORÇAMENTÁRIO E IMPACTOS NA UFSC

Irineu relembrou que, ao longo da última década, as universidades federais acumularam uma redução orçamentária estimada em 57%. Para 2026, um novo corte legislativo de quase R$ 500 milhões no sistema federal de ensino superior agravou o cenário. No caso da UFSC, o orçamento nominal caiu de R$ 171 milhões, em 2025, para R$ 164 milhões neste ano, uma redução de R$ 12,8 milhões.

O reitor classificou o momento como “um grande paradoxo”, ao apontar a contradição entre a valorização pública da universidade e a ausência de “sensibilidade” para a construção do orçamento em diálogo com reitores e reitoras. Segundo ele, faltam recursos garantidos para despesas essenciais, como energia elétrica, água, restaurantes universitários, moradia estudantil, manutenção predial e funcionamento de laboratórios.

GESTÃO, DIÁLOGO E PRIORIDADES ACADÊMICAS

Diante das limitações financeiras, a UFSC concentrou esforços em decisões colegiadas e na ampliação do diálogo institucional. “Temos um gabinete aberto”, afirmou o reitor, ao destacar a abertura do Conselho Universitário para a participação em temas sensíveis e a manutenção de conversas permanentes com docentes, técnicos-administrativos, estudantes e trabalhadores terceirizados, grupo que, segundo ele, historicamente permanece invisibilizado.

Irineu também destacou avanços em áreas estratégicas. A universidade acelerou o fluxo de aprovação de projetos de pesquisa e extensão, reduzindo o tempo de decisão no Gabinete para até três dias, com trâmite completo estimado entre um e dois meses. Além disso, foram aprovadas a política de internacionalização e medidas voltadas à qualidade de vida e à segurança, como a política de teletrabalho e flexibilização para técnicos-administrativos, ampliação de bolsas, fortalecimento das ações afirmativas, reforço da iluminação nos campi e criação de um fórum permanente de segurança.

TERCEIRIZAÇÃO E DESAFIOS OPERACIONAIS

O reitor pontuou ainda as dificuldades relacionadas ao modelo de terceirização. Com a redução do quadro efetivo e a ampliação de contratos, a UFSC lida atualmente com cerca de 200 empresas prestadoras de serviço, o que exige fiscalização contínua. Em casos de falhas, como ausência de insumos e problemas de limpeza, a universidade instaurou processos administrativos e prepara novas licitações, orientando que fiscais setoriais comuniquem irregularidades à Pró-Reitoria de Administração.

INCLUSÃO, PERMANÊNCIA E NOVAS FORMAS DE INGRESSO NA UFSC

A inclusão social e o combate à evasão estudantil foram apontados como eixos centrais da gestão. Irineu defendeu que a universidade pública é “o maior patrimônio de um país”, responsável por cerca de 90% da produção científica e da inovação tecnológica no Brasil. Para ele, é necessário resistir a movimentos de desqualificação das instituições e ampliar a comunicação com a sociedade, demonstrando o impacto da pesquisa e da extensão no desenvolvimento regional e nacional.

Atualmente, cerca de 50% dos ingressantes da UFSC são oriundos de escolas públicas, o que reforça a demanda por políticas de permanência. O reitor reconheceu que a pandemia intensificou a evasão no Brasil e no exterior e criticou a ideia de substituição da formação universitária por aprendizagens fragmentadas via internet, classificando essa perspectiva como “um grande erro”, com consequências sociais e econômicas futuras.

Para ampliar o preenchimento das vagas e tornar o acesso mais inclusivo, a universidade redesenha seus processos de ingresso. Além do vestibular, que passou a permitir primeira e segunda opções e reopção gratuita, a UFSC adotará o ingresso por histórico escolar em cursos com vagas remanescentes, também sem cobrança de taxa. Em 2025, apenas nove vagas permaneceram ociosas ao final do ciclo, apesar de cerca de mil não terem sido preenchidas inicialmente no vestibular tradicional. A meta institucional é ocupar as cerca de 4.500 vagas ofertadas anualmente.

Em discussão interna e no âmbito nacional, a universidade avalia simplificar o vestibular em cursos de baixa demanda, com ingresso exclusivamente por histórico escolar ou prova de redação de caráter classificatório, mantendo o Sisu/Enem como via complementar. Com mandato até 4 de julho, Irineu Manoel de Souza afirmou que a gestão seguirá priorizando a permanência estudantil, a qualidade de vida da comunidade universitária e a consolidação de políticas estratégicas, como internacionalização e segurança, além de concluir melhorias nos trâmites de projetos de ensino, pesquisa e extensão.

Com informações da Notícias da UFSC

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