Quem acompanha a política catarinense há mais tempo sabe que já vivemos momentos em que o interesse do nosso Estado vinha antes das cores partidárias. Foram tempos em que a palavra cooperação tinha mais peso do que a palavra confronto.
Eu mesmo participei de muitas dessas experiências. Lembro bem das missões internacionais em que representantes de diferentes partidos — governo e oposição — viajavam juntos para levar o nome de Santa Catarina ao mundo. Por exemplo quando estive na Índia, ao lado de Paulo Bauer, Joarez Ponticelli, Adelor Vieira e Jaime Duarte em viagem à Índia, em 1999, atraindo investimentos, abrindo portas para nossos produtos e mostrando a força do trabalho catarinense. Em ocasiões como esta, ninguém perguntava quem era do PT, do PSDB ou do PP. O que nos unia era o compromisso com o futuro do nosso Estado.
Infelizmente, o ambiente político atual parece ter se afastado desse espírito. Há quem viva apenas para a briga, esquecendo que a boa política é feita de pontes, não de muros. Enquanto alguns preferem o confronto, eu continuo acreditando no diálogo — é ele que constrói resultados concretos.
Nos últimos meses, tenho trabalhado intensamente em Brasília, buscando recursos e projetos que melhorem a vida dos catarinenses. Converso com todos: deputados, senadores e ministros de diferentes partidos. Não me importa a ideologia de quem está do outro lado da mesa — o que me importa é o que podemos fazer juntos pelo nosso povo.
Quando conseguimos aprovar por unanimidade na Câmara o projeto que isenta do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil, foi justamente graças à união de diferentes correntes políticas. Esse tipo de resultado só acontece quando deixamos de lado o que nos separa e colocamos em primeiro lugar o que nos une: o bem comum.
A história mostra que Santa Catarina cresce quando seus líderes têm maturidade para trabalhar lado a lado. Foi assim quando conquistamos o campus da UFSC em Joinville, um projeto que só saiu do papel porque houve cooperação entre parlamentares e gestores de partidos distintos.
O Brasil e Santa Catarina precisam, mais do que nunca, resgatar esse espírito público. O eleitor está cansado de ver discussões vazias nas redes sociais e brigas que não resolvem nada. O que a população espera de nós é resultado, não espetáculo.
Não se trata de abandonar convicções. Cada um tem sua história, seus princípios e sua visão de mundo — e é bom que seja assim. A diversidade de ideias é o que enriquece a democracia. Mas é hora de deixarmos claro que o respeito e o diálogo não são sinais de fraqueza. São demonstrações de grandeza.
O futuro de Santa Catarina não pode depender de disputas ideológicas. Ele depende da nossa capacidade de sentar à mesma mesa e construir juntos.
É hora de recolocar o bem comum acima das diferenças políticas. E é isso que continuarei fazendo: menos briga, mais trabalho.

No creo en brujas, pero que las hay, las hay
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