Santa Catarina ganhou destaque internacional na área da saúde a partir dos avanços da pesquisa clínica conduzida pelo Centro de Pesquisas Oncológicas (CEPON), em Florianópolis. A unidade encerrou 2025 com 48 estudos clínicos ativos, incluindo dois trabalhos com repercussão mundial que ampliam a sobrevida e a qualidade de vida de pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Os resultados chamam atenção porque colocam o CEPON entre os centros brasileiros mais relevantes na produção científica em oncologia, além de anteciparem o acesso de pacientes catarinenses a tratamentos inovadores. Em alguns casos, as terapias estudadas ainda não foram incorporadas ao sistema público, o que torna a pesquisa clínica um caminho imediato para opções mais eficazes.
Conteúdos
CEPON CONSOLIDA PESQUISA CLÍNICA COMO FERRAMENTA DE EQUIDADE NO SUS
A atuação do CEPON na pesquisa clínica tem impacto direto no acesso a tratamentos avançados dentro do SUS. Segundo o diretor-geral da instituição, Dr. Marcelo Zanchet, os estudos permitem reduzir desigualdades entre o sistema público e a medicina suplementar.
“Por meio dos estudos clínicos, conseguimos oferecer aos pacientes do SUS tratamentos tão eficazes quanto, ou até superiores, aos disponíveis na medicina suplementar, reforçando o papel do CEPON como referência nacional”, afirma.
CEPON TEM DESTAQUE MUNDIAL EM ESTUDO SOBRE CÂNCER DE PULMÃO
Entre os estudos de maior projeção está o FLAURA 2, voltado ao tratamento do câncer de pulmão com mutação EGFR, alteração genética associada ao crescimento descontrolado das células tumorais. O CEPON foi o centro brasileiro que mais incluiu pacientes na pesquisa, entre cerca de oito instituições participantes no país.
De acordo com a coordenadora da Pesquisa Clínica do CEPON, Camila Donadel, esse volume de inclusão garantiu protagonismo científico à unidade. “Fomos o centro de pesquisa que mais incluiu pacientes no Brasil, o que nos levou a integrar a autoria do estudo”, explica.
Os resultados foram apresentados no Congresso Europeu de Oncologia (ESMO) e publicados no New England Journal of Medicine. O estudo demonstrou que a combinação do medicamento osimertinibe com quimioterapia melhora o controle da doença, retarda a progressão do câncer e traz benefícios relevantes inclusive para pacientes com metástases cerebrais.
AVANÇOS DO CEPON TAMBÉM IMPACTAM TRATAMENTO DO CÂNCER DE BEXIGA
Outro trabalho com repercussão internacional foi o estudo IMvigor011, voltado ao câncer de bexiga invasivo muscular. Mais uma vez, o CEPON liderou a inclusão de pacientes no Brasil.
A pesquisa apontou que o uso do imunoterápico atezolizumabe após a cirurgia reduz o risco de recorrência da doença e aumenta a sobrevida em pacientes que apresentam sinais residuais do câncer detectados por exame de sangue (ctDNA). A estratégia permite indicar o tratamento apenas para quem realmente se beneficia, evitando terapias desnecessárias em casos de baixo risco. Os dados também foram publicados no New England Journal of Medicine.
PESQUISA NO CEPON REPRESENTA ESPERANÇA PARA PACIENTES
Para a paciente Andreia Moreira, de 45 anos, participante do estudo AVANZAR, voltado ao câncer de pulmão, a pesquisa clínica significou a possibilidade de seguir vivendo. “Hoje, a pesquisa é a minha esperança de vida”, relata.
Diagnosticada com metástase antes da identificação do tumor primário, ela encontrou no CEPON uma alternativa quando as opções disponíveis no SUS eram limitadas para o seu perfil. “No mesmo dia, o médico descobriu que havia um estudo no CEPON. Eu vim direto. A cada 21 dias, quando venho tomar a medicação, digo que venho encontrar meus anjos da guarda e receber minha dose de esperança.”
Ela também destaca o acolhimento da equipe. “Fui recebida com carinho desde o primeiro contato. Aqui, me senti segura e acolhida, como se alguém tivesse acendido uma luz naquele buraco escuro que é o diagnóstico.”
COMO PACIENTES PODEM PARTICIPAR DOS ESTUDOS DO CEPON
Oncologistas de qualquer instituição podem encaminhar pacientes que se enquadrem nos critérios dos estudos clínicos em andamento no CEPON. As pesquisas ativas e informações detalhadas estão disponíveis no site www.cepon.org.br/educacao/pesquisa.
O contato com a área de pesquisa clínica pode ser feito pelo telefone (48) 3331-1553, pelo WhatsApp (48) 98825-8130 ou pelo e-mail contatopesquisa@cepon.org.br.

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