O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) apresentou denúncia criminal contra uma torcedora por supostos crimes de racismo e xenofobia durante jogo na Ressacada, em Florianópolis. Os fatos teriam ocorrido em 15 de novembro, durante a partida entre Avaí e Remo, válida pela 37ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro de 2025.
Segundo o MPSC, as condutas aconteceram em um momento decisivo da competição e foram registradas em imagens que integram o inquérito policial. O caso chama atenção agora porque envolve crimes previstos em lei e reforça o debate sobre violência e discriminação em estádios de futebol.
Conteúdos
RACISMO E XENOFOBIA DURANTE JOGO NA RESSACADA SÃO ALVO DA DENÚNCIA
De acordo com a denúncia, a mulher teria proferido ofensas de cunho racial e regional contra torcedores do Clube do Remo, equipe visitante de Belém, no Pará. As agressões teriam ocorrido por volta das 16h30, em um setor superior do Estádio da Ressacada, durante o andamento da partida.
As imagens anexadas ao inquérito policial teriam registrado o momento em que a torcedora se dirige ao espaço destinado à torcida visitante, apontando para o próprio rosto e fazendo gestos considerados ofensivos.
OFENSAS RACIAIS TERIAM SIDO DIRECIONADAS À TORCIDA VISITANTE
Conforme a 40ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital, a denunciada teria utilizado expressões relacionadas à cor da pele, como “olha a cor de vocês” e “vocês são sujos”. Para o Ministério Público, esse comportamento se enquadra no crime de racismo, previsto no artigo 20, § 2º-A, da Lei nº 7.716/1989.
O órgão sustenta que as falas não se limitam a provocações esportivas e teriam caráter discriminatório, com potencial de atingir coletivamente os torcedores ofendidos.
DENÚNCIA TAMBÉM APONTA XENOFOBIA CONTRA TORCEDORES DO PARÁ
Além das ofensas raciais, a denúncia relata práticas de xenofobia, com incitação ao preconceito contra a origem regional dos torcedores paraenses. Entre as frases atribuídas à torcedora estão “voltem pra terra de vocês”, “vai embora de jegue” e comentários que associariam os visitantes à pobreza e a ocupações consideradas subalternas.
Para o Ministério Público, essas declarações configuram tentativa de inferiorização e segregação de pessoas oriundas da região Norte do país, o que caracteriza crime de xenofobia.
MINISTÉRIO PÚBLICO PEDE CONDENAÇÃO E INDENIZAÇÃO COLETIVA
O promotor de Justiça Jádel da Silva Júnior afirmou que as condutas descritas ultrapassaram os limites da rivalidade esportiva e configuram discurso de ódio, em afronta a princípios fundamentais do Estado brasileiro. Na ação penal, o MPSC pede a condenação da denunciada pelos crimes apontados.
Além disso, o órgão requer a fixação de indenização mínima de R$ 30 mil por dano moral coletivo, com destinação ao Fundo para Reconstituição de Bens Lesados (FRBL).
PROCESSO AGUARDA ANÁLISE DA JUSTIÇA
A denúncia foi ajuizada no final da tarde desta segunda-feira, 19 de janeiro, e ainda aguarda o recebimento pelo Poder Judiciário. Caso seja aceita, a ação penal seguirá para as próximas etapas, com possibilidade de oitiva de testemunhas e produção de novas provas.
O caso pode servir de referência para outros episódios semelhantes, reforçando a responsabilização criminal por atos de racismo e xenofobia em eventos esportivos.
Com informações do Ministério Público de Santa Catarina

Concurso de Poesias 2026 da Biblioteca Pública de SC busca revelar novos poetas catarinenses
Grande Florianópolis alcança um dos maiores Índices de Desenvolvimento Humano do Brasil
Santa Catarina ultrapassa 10 mil multas por porte e uso de drogas em locais públicos desde 2024
Detran-SC orienta motoristas a buscar CNHs antes da destruição