A esquerda catarinense deu mais um passo na construção de uma frente ampla para as eleições deste ano. Os partidos do campo político trabalham em busca de uma estratégia para ampliar o palanque de Lula no Estado, ao mesmo tempo que buscam atender à estratégia nacional do PT que visa eleger mais senadores. Neste sentido, Décio Lima pode concorrer ao Senado e abrir espaço para figuras não tão tradicionais deste campo político, mas que já possuem capital político comprovado em Santa Catarina.
A figura da vez agora é Gelson Merísio, que no início desta semana surgiu como possível pré-candidato ao governo do Estado. Figura com peso na política catarinense, ele já foi deputado estadual e presidiu a Alesc entre 2010 e 2012. Na última vez que foi candidato, em 2018, venceu o primeiro turno com mais de 1,1 milhão de votos e era o favorito para o cargo de governador. Não esperava a onda bolsonarista que acabou elegendo Carlos Moisés.
De volta ao páreo após oito anos, a primeira prioridade de Gelson Merísio no início do ano é tornar sua candidatura viável e definir por qual partido concorrerá. Filiado ao Solidariedade desde 2022, há especulações sobre uma possível mudança para o PSB, sigla do vice-presidente Geraldo Alckmin. No entanto, a direção estadual do PSB informou que ainda não houveram negociações, apesar de afirmar que o pré-candidato seria bem-vindo à legenda.
Estratégia ao centro
A inclusão de Merísio na frente ampla de esquerda é um trunfo significativo, pois confere uma alternativa viável para a chapa majoritária do próximo ano. Com um nome já consolidado e bem conhecido em Santa Catarina, ele representa uma tentativa de atrair figuras mais moderadas para a coligação. Essa estratégia visa contornar a forte rejeição local ao PT e, assim, ampliar a base de apoio a Lula no estado. O objetivo é fortalecer não só a candidatura à reeleição do presidente, mas também a de Décio Lima, que, nesse cenário, concorreria a uma vaga no Senado.
Um nome mais alinhado ao centro também interessa o eleitor catarinense quando colocado em contraposição com a chapa de reeleição de Jorginho Mello. A cada dia que passa, o projeto do governador toma traços mais ideológicos: hoje ele demonstra estar construindo uma “chapa pura” do PL no Senado, com a possibilidade de Adriano Silva (Novo) como vice, colocando de escanteio a até então mais que certa aliança com o MDB de Chiodini.
Nos bastidores, uma leitura que circula é a possibilidade de aproximação entre uma chapa encabeçada por Merísio e o projeto de João Rodrigues, no caso de um segundo turno. Os dois foram colegas de partido no PSD por cerca de oito anos, e essa relação pode trazer frutos — inclusive uma articulação que envolva o apoio de João a uma eventual disputa entre Merísio e Jorginho em 25 de outubro.
Outros nomes
Merísio não é o primeiro político catarinense a ser sondado pela frente de esquerda. No ano passado, o ex-senador Paulo Bauer teve tratativas com a cúpula estadual do PSB para uma possível candidatura. As conversas, segundo o partido, seguem em andamento. Além dele, Raimundo Colombo também foi abordado pelos articuladores da federação, mas ainda não deu uma resposta definitiva.
E Décio Lima?
Com a chegada de Gelson Merísio à aliança progressista, o principal nome do PT em Santa Catarina deixa a posição central da chapa para concorrer a uma das vagas no Senado. Segundo a avaliação interna do partido, essa corrida é mais favorável ao candidato, uma vez que a direita encontra-se fragmentada entre as candidaturas de Carol De Toni (PL), Carlos Bolsonaro (PL) e Esperidião Amin (PP).
Mudanças no desenho da chapa não estão descartadas, mas a leitura do partido é que o capital eleitoral de Décio — que chegou a quase 30% no segundo turno de 2022 — traz ainda mais fôlego ao projeto. Aliado ao nome de Merísio, o petista pode construir uma chapa com o potencial de alcançar novamente o segundo turno em Santa Catarina, trazer mais votos para Lula na corrida presidencial e quiçá derrotar Jorginho Melo e eleger Décio Senador.

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